“Chegou a hora de, portanto, apesar da iminência das festas de fim de ano, identificar e anotar em nossas agendas as demandas de suprimentos e componentes, batalhar com a efetiva disposição da Suframa, a abolição da necessidade do PPB, um embargo de gaveta nocivo e mal intencionado…”

Nelson Azevedo
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Somos a terra da promissão. O que nos falta para transformar potencialidades naturais em prosperidade para nossa gente? Ora, quando paramos para contabilizar as riquezas naturais da Amazônia em geral e do Amazonas muito em particular, nós nos assustamos com tantas oportunidades de negócios. Enumerá-las tem sempre o caráter da provocação construtiva. Ou, para ser mais assertivo, um estímulo no modo constrangimento para despertar o empreendedorismo que existe em todos nós. Precisamos parar para, primeiramente, perguntar onde cada um de nós estamos falhando e o que pode ser feito para virar esse jogo? 

“Parados, pregados na pedra do Porto…?”

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Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, e vice-presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas.

Todos os dias, passam por Manaus cargueiros com insumos naturais, seja água, galhos secos das árvores nas terras caídas, copaíba, andiroba e etc… Temos aqui a maior província mineral do planeta, água, petróleo, gás, ouro, nióbio, etc… E temos 20% do banco genético da Terra. E, saibam todos, a propósito, que o Polo Industrial de Manaus está qualificado e com capacidade instalada, para agregar beneficiamento de qualidade e diversificação das oportunidades. Depois do mea culpa, convenhamos. Por que essa terra da promissão é principalmente a terra da proibição? Será que existe alguma outra forma de proteger o bem natural senão dar-lhe uma finalidade econômica? É claro, sempre, atrelado ao conceito e ao princípio da sustentabilidade. Como fazemos há mais de meio século no Amazonas. 

Distrito Agroindustrial de Rio Preto

Qual o sentido de produzirmos menos de 20 % dos alimentos que consumimos ? Nada contra comprar tambaqui em Roraima e Rondônia. Por que não nos juntarmos a eles e desenharmos um ambicioso projeto amazônico de piscicultura para gerar empregos e oportunidades? Pois bem. Trago a notícia do Distrito Agroindustrial de Rio Preto da Eva que topou comprar esses desafios. Dentro da Região Metropolitana de Manaus, com apoio da Suframa e do Governo do Estado, o município já deu passos firmes e avançados nessa direção. Já estamos entre os maiores produtores de peixe em cativeiro do país e a lista de produtos agroindustriais e silvopastoris promete surpreender o mais otimista dos promotores de novos negócios.

Integral, integrado e transparente

Trago também a boa notícia da equipe que está tocando em frente o programa de trabalho da Suframa. Integral, integrado, transparente e participativo. O general Algacir Antônio Polsin e sua tropa. E, no caso, de Rio Preto, foi dada sequência ao legado da gestão imediatamente anterior, do Coronel Alfredo Menezes. Ali, num município historicamente aguerrido, um exemplo de gestão de olho na produção, geração de emprego e riqueza. Assim, ficará mais fácil edificar o Distrito Agroindustrial de Rio Preto, os pilares já estão colocados e a Suframa começa a trocar liberação de glebas por projetos de boa qualidade, isto é, viáveis, claros e geradores de empregos e renda.

Independência produtiva

E aqui, falando objetivamente do Polo Industrial de Manaus, cabe recordar uma grande lição e um tremendo desafio que nos foi colocado pela tragédia da pandemia, que insiste em permanecer entre nós. A lição foi a de que não temos mais direito de ficar na dependência da cadeia asiática de suprimentos. Isso nos custou vidas enquanto demoramos a perceber que os EPIs não iriam chegar para salvar as vidas de quem estava na linha de frente do combate à Covid-19. Aprendemos a fazer EPIs e o que foi preciso, inclusive trabalhar mais de perto, apesar do isolamento, atrás de soluções criativas. E o desafio agora é retomar nossa vocação original de fabricar, em caráter de substituição, os produtos demandados pelo mercado. E aqui estão os desafios de todos que aqui empreendem ou querem começar a empreender. Oportunidades não nos faltam. Muitos setores ainda estão parados na espera de insumos e suprimentos.

Vamos eliminar o PPB…

Chegou a hora de, portanto, apesar da iminência das festas de fim de ano, identificar e anotar em nossas agendas as demandas de suprimentos e componentes, batalhar com a efetiva disposição da Suframa, a abolição da necessidade do PPB, um embargo de gaveta nocivo e mal intencionado e, finalmente, exigir do poder público arrecadador um basta: de que a aplicação de parte da riqueza aqui produzida em instalação de infraestrutura competitiva. Só assim, brecaremos a desindustrialização que a burocracia nos impõem. Voltaremos a esta tecla…

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