Não iremos muito longe sem parcerias consistentes e transparentes. Afinal, a Zona Franca de Manaus é nosso melhor atestado de boas condutas nas relações transnacionais.

Nelson Azevedo(*)

O mundo foi tomado por um surto chamado Amazônia. Líderes de todas as colorações partidárias, como num passe de mágica, se tornaram nossos advogados sem exigir honorários. Tanta generosidade, assim, merece um preste atenção, E como diz o Código de condutas do nosso Beiradão florestal/fluvial. A vida nos ensinou a colocar reparo nos presentes luminosos que se apresentam como gestos de extrema bondade e que frequentemente se transformam em ilusões e frustrações e manipulação de nossas aspirações e necessidades.

Esmola grande a gente desconfia

(*) Nelson é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

A súbita redescoberta da Amazônia, todos sabem, resulta das ameaças de suspensão dos investimentos nacionais e estrangeiros em projetos de desenvolvimento nacional e regional. Aos poucos fomos aprendendo que sempre há uma razão econômica nas grandes mudanças da história. E essas mudanças costumam precisar da adesão social, do aplauso popular. Por isso, tanto estardalhaço para repercutir notícias espetaculares, reais ou fictícios, sobre nossa região.

Cortina de fumaça

Temos que ter muita calma nesta hora pois o estardalhaço pode estar dispersando atenção de todos nós sobre uma questão delicada e que envolve diretamente a sobrevivência de nossa economia. Estou referindo-me à Reforma Fiscal do Governo Federal. Este é um assunto de relevância prioritária a respeito do qual precisamos ter uma posição comum, coesa, firme e inegociável. Afinal, precisamos fazer contas sob o crivo essencial de nosso interesse, direito e continuidade de existência como programa de desenvolvimento.

Salvadores da Pátria

O alarde sobre a nossa região, que sempre tem-se resumido a uma promessa global, muitas vezes eleitoreira, historicamente inconsistente,  de salvação da Amazônia, agora aparece com uma nova roupagem: a Bioeconomia, a palavra de ordem, mágica, revolucionária, salvadora, que aparece como a mais promissora panaceia, um remédio virtual para todos os males de nossa região. É preciso muita atenção para lidar com esse movimento Redentor.

Quem vai pagar a conta?

Talvez seja surpreendente para muitos ouvidos essa opinião de que não precisamos dos recursos bancários para salvar nossa região. Os recursos bancários não são dos bancos, são dos seus acionistas e alguém tem que pagar, em algum momento essa fatura. A história da humanidade tem muitos exemplos para identificarmos, no fim das contas, quem vai pagar o prejuízo dos acionistas. A corda costuma rebentar no prejuízo dos despossuídos. Então, nós não estamos em condição de tomar ou assumir um financiamento de monta. Com a pandemia, nossas receitas, nossos capitais de giro encolheram e nos deixaram sem capacidade de endividamento mediante as exigências monumentais que o sistema financeiro exige.

Confisco habitual

Recursos para salvar a Amazônia nós temos gerado faz mais de um cinquentenário. Nós já recolhemos ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico muito mais do que precisamos para espalhar centros tecnológicos de inovação a partir da Biodiversidade florestal. Esses recursos foram destinados a outros fins. Não para a redução do Desenvolvimento Regional como exige a Constituição do Brasil.

Não estamos olhando o retrovisor para resgatar um recurso que já não existe.

Atração de talentos e investimentos

Quanto que nós pagamos para o programa Ciência sem Fronteira, do Ministério da Educação! 2 bilhões de reais ou mais? Não importa. Resta-nos a torcida de contar com boa parte dos doutores que ajudamos a formar. E torcemos também que esses doutores tenham na própria rede de contatos os nomes de colegas estrangeiros que decididamente se interessariam em nos ajudar a construir um novo formato de desenvolvimento. Com uma única e exclusiva condição. Que esses cientistas estrangeiros sejam capazes de nos ajudar a convidar governos, instituições de pesquisa e de fomento, investidores focados em Bioativos da floresta, em produtos minerais de nosso chão, entre outros recursos de que dispomos para formulação de uma Amazônia desenvolvida e sustentável. Não iremos muito longe sem parcerias consistentes e transparentes. Afinal, a Zona Franca de Manaus é nosso melhor atestado de boas condutas nas relações transnacionais.

Segurança jurídica e política

De resto, queremos respeito à lei maior do país que nos confere direito a trabalhar, sob a condição de redução das desigualdades regionais com a riqueza produzida a partir da contrapartida fiscal oferecida. Esse novo formato econômico não vai substituir nosso conjunto de acertos chamado programa Zona Franca de Manaus e seu polo industrial que movimenta 80% da economia estadual. Precisamos apenas adensar nosso parque manufatureiro, diversificando, inovando como sabemos fazer.

O resto não tem mistério. Dispomos de uma capacidade de trabalho testada e aprovada, uma capacidade produtiva industrial invejável, o amparo legal de um Marco regulatório que precisamos assegurar, tendo sempre em vista nossa inserção no índice das contribuições regionais para transformação do Brasil em uma nação civilizada, sustentável, justa e próspera. Sem novos endividamentos nem constrangimentos adicionais.

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