Desenvolver, sem desmatar a floresta é nosso compromisso sagrado. O que nos precisamos é de recursos para qualificar massivamente nossos jovens, construirmos parques tecnológicos de informação, comunicação e biotecnologia. Esta é a maneira mais viável de promover o exercício da cidadania e o desenvolvimento socioeconômico e industrial de que a Amazônia e o Brasil precisam.

Nelson Azevedo
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No próximo dia 11, Manaus acolhe o evento da maior importância. Trata-se da instalação do Instituto Amazônia +21, liderado pela Federação das Indústrias do estado de Rondônia. Diante do quadro de incertezas que atravessamos e dos riscos de depredação florestal que estamos sofrendo, o melhor caminho é a união de forças, ideias e conhecimento. E esta iniciativa tem em comum o fato de agregar todas as entidades do setor
produtivo da Amazônia Legal, com apoio direto da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Isso significa que iremos resguardar nossa identidade como setor privado sem dispensar, obviamente, a participação de entidades como Suframa, Sudam, Instituições de ensino e pesquisa e todos os entes públicos federados, comprometidos com a Amazônia de um futuro que começa agora.

Muitas Amazônias

Quando falamos em Amazônia Legal, estamos deixando claro as diversas Amazônias que compõem nossa região. A Amazônia do cerrado dos campos gerais de Humaitá e Roraima, a Amazônia de economia diversificada presente em Rondônia e Pará, convivendo com a fronteira do agronegócio e as vocações econômicas de nossa diversidade biológica. Com isso precisamos deixar clara a necessidade prévia de identificação das fragilidades e potencialidades dos seus diversos biomas.

“O agronegócio não precisa da Amazônia”

Essa manifestação não foi feita por nenhum ambientalista de carteirinha. Foi publicada no Estadão pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, um ano atrás, durante o pico de queimadas e desmatamento de nossa floresta. O Brasil está vivendo o agravamento da crise hídrica, precisamente por não ter levado em consideração o alerta da ministra, uma das mais respeitadas no atual governo. Política ambiental não pode ser confundida com liberação do desmatamento florestal. Os últimos dados do INPE colocam o Amazonas em segundo lugar entre os estados que mais desmatam em nossa região. Isso é preocupante e deve ser enfrentado urgentemente. Nossos aplausos a Rondônia, que nos fornece a maior parte dos tambaquis, pirarucus e matrinxãs que levamos a mesa do Amazonas. Os empresários do estado vizinho se deram conta de
que a alternativa da piscicultura produz 44x mais proteína por hectare, do que a pecuária. A partir dessa descoberta eles passaram a consorciar pecuária de leite com piscicultura, seguindo de perto as recomendações da Embrapa e seu projeto campeão de lavoura, pecuária, floresta e agricultura. Isso nada mais é do que grande avanço na direção da sustentabilidade. Este é o nosso desafio permanente e um dos principais esteios de sustentação do Instituto Amazônia + 21.

Partilhas de projetos e recursos

Há uma correlação direta entre o Instituto que será implantado em Manaus e o programa Amazônia do Futuro, gerado por iniciativa das entidades das indústrias de Manaus, com apoio direto de profissionais da economia e do desenvolvimento regional, e suporte institucional da Fundação Getúlio Vargas. Essa correlação passa pela aplicação dos recursos gerados pelo polo industrial de Manaus e todas as demais propostas de desenvolvimento econômico e de redução das desigualdades regionais para o crescimento sustentável de nossa região.

Recursos da floresta para a floresta

Atualmente de cada 10 bilhões resultantes de nossa atividade fabril, 75% é apropriado pelos cofres da Receita Federal. De que adianta gerarmos tanta riqueza se deixamos de lado uma população Amazônica que experimenta o dramático retorno ao Mapa da Fome, controle da segurança alimentar global levado a efeito pelo organismo da ONU responsável pela agricultura e combate à fome — FAO. Desenvolver, sem desmatar a floresta é nosso compromisso sagrado. O que nos precisamos é de recursos para qualificar massivamente nossos jovens, construirmos parques tecnológicos de informação, comunicação e biotecnologia. Esta é a maneira mais viável de promover o exercício da cidadania e o desenvolvimento socioeconômico e industrial de que a Amazônia e o Brasil precisam.

Próspera, progressista e sustentável

Nossas boas vindas, portanto ao ilustre presidente da FIERO, Marcelo Almeida, um parceiro qualificado neste desafio regional , iniciado pelo Pro-Amazônia, nossa catraia é comum e tem tudo pra se tornar uma embarcação grandiosa e guerreira, preferencialmente com a adesão de nossa representação parlamentar, a sonhada Bancada Federal Amazônica, premissa de um desafio que busca transformar nossas imensas potencialidades numa Amazônia próspera, progressista e sustentável.

Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

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