Reafirmo, aqui, com todas as letras, que os recursos que a indústria recolhe deveriam ser usados em novas matrizes econômicas. Ponto final. Se acabarem com as indústrias, não vai ter Bioeconomia, nem geoeconomia, nem nada.

Nelson Azevedo
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É muito simbólica e prazeroso a disposição do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, em conversar com o setor privado do Amazonas, numa reunião pública, para encontrar caminhos e mobilizar essa aproximação essencial entre o governo e as entidades que representam as empresas geradoras de emprego e oportunidades. Ao pautar novo arranjo institucional de nossa economia, desenhado pelo Comitê Indústria ZFM Covid-19, esperamos que toda a energia e compromisso dos militares com a Amazônia, falem mais alto na direção de um novo momento de adensamento, diversificação, e interiorização deste programa de acertos e avanços chamado Zona Franca de Manaus. Uma das pautas desse encontro foi a Bioeconomia.

Fazendo o jogo inimigo

Fomos alvos de muitos comentários e dúvidas nas redes sociais com relação ao tema da substituição ou diversificação da ZFM. Ora, quem especula essa tolice faz o jogo daqueles que querem remover nossa economia. Reafirmo, aqui, com todas as letras que os recursos que a indústria recolhe para interiorizar o desenvolvimento regional e para a pesquisa e desenvolvimento, deveriam ser usados em novas matrizes econômicas. Ponto final. Se acabarem com as indústrias, não vai ter Bioeconomia, nem geoeconomia, nem nada. Quem vai entrar em ação é a indústria mais rentável da Amazônia: o narcotráfico.

Quem emperrou nosso avanço?

E se demoramos tanto a admitir essa diversificação em Manaus, perguntem àqueles que trataram de protelar o polo de bioindústria que sempre almejamos. Quem conhece a história da ZFM pode responder muito bem sobre as razões ocorridas. Não dá para investir em inovação em tecnologia da informação e comunicação ou bioeconomia para este fim se os recursos necessários, pagos pela indústria são contingenciados para incrementar o superávit primário, ou seja, reduzir a dívida pública. Para quem não sabe, foram as taxas pagas para a Suframa que viabilizaram a construção do CBA, Centro de Biotecnologia da Amazônia. Há um compromisso do atual governo em resolver esse imbroglio, não temos porque não registrar nosso voto de confiança.

Nelson Azevedo é economista, empresário e presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalmecânica e Materiais Elétricos de Manaus e vice-presidente da FIEAM, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

Não à disparidade entre Norte e Sul

Nossa atribuição é gerar emprego e recursos da prosperidade, tanto para reduzir as desigualdades regionais como para evitar a destruição da floresta. Infelizmente, fomos transformados em exportadores de recursos para o governo federal, com alguns desses recursos estão contingenciados no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, R$4,6 bi. Já pagamos por dois anos seguidos o Programa Ciência sem Fronteira. Teoricamente, a causa era justa mas esta não é nossa atribuição.

Aliado forte

Temos que batalhar pela autonomia da Suframa para aplicar a riqueza aqui gerada na redução das desigualdades regionais. Todos nós temos que nos mobilizar nessa direção. Nossa contrapartida fiscal é de 8%. E a Carta Magna manda aplicar esses recursos na região. É uma imoralidade a diferença de investimentos entre as regiões do Brasil. Pior ainda é termos que pagar os mesmos impostos das regiões mais ricas do Brasil. Até 2014, a Suframa podia celebrar convênios com os municípios sob sua guarda para geração de emprego e renda. Isso acabou. Temos que mobilizar a sociedade para exigir que se cumpra a Lei.

Bioeconomia robusta

Ora, nós já fomos responsáveis por 45% do PIB brasileiro. Isso ocorreu no Ciclo da Borracha. Principalmente, a partir de uma única árvore, nossa economia poderia ter-se transformado numa Bioeconomia robusta. Afinal, nós já tínhamos em Manaus a primeira universidade do Brasil, a universidade Livre de Manaus. Bastava a qualificação técnica e de nível superior em Biondústria. Em lugar de exportar a borracha em natura, atraíssemos empresas e pessoal qualificado para produzir, em Manaus ou em Belém, artefatos de borracha, pneus preservativos, itens de uso hospitalar e em tantos, setores, a história do Brasil teria sido escrita com as libras e os dólares da prosperidade sócio econômica regional. Porque não investir no aproveitamento de outras espécies da Amazônia para criar riqueza.

Polo de bioindústria

E isso não representa o fim do pólo industrial de Manaus hoje existente. Com certeza não. Essa indústria que temos em Manaus está consolidada. Nós teríamos apenas um pólo adicional de Bioeconomia. Ele forneceria, inclusive, soluções sustentáveis para essa indústria. Fibra de vidro, resinas, novos formatos industriais, aproveitando a capacidade instalada existente. A inclusão deste pólo de biotecnologia, por sua vez, calaria a boca daqueles que nos cobram a diversificação industrial de nossa economia.

Alternativas múltiplas e promissoras

Nós temos experiências isoladas e bem sucedidas na Amazônia. Infelizmente, porém, são cadeias produtivas extremamente primitivas. Nós não conseguimos, por exemplo, uma Indústria capaz de criar subprodutos, os temperos, especialmente as diversas pimentas que aqui nós encontramos, exportamos estratos de espécies de alto valor comercial em natura. Isso significa que nós temos no máximo manufaturas e não cadeias produtivas completas. Nossos peixes, que são numerosos e deliciosos, poderiam ser defumados, salgados, exportados já com beneficiamento inovador, com molho de pimenta, geleia e energéticos. Portanto, não somos problema fiscal para o Brasil e sim a saída econômica e bioeconômica para a geração de riquezas, de oportunidades e de empregos para superarmos a crise. Estamos prontos!

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