Texto vai agora para Comissão de Finanças e Tributação. Deputado do Amazonas pede relatoria e promete dar parecer contrário

Waldick Junior

17/09/2025 às 16:17.

Atualizado em 17/09/2025 às 16:19

O Projeto de Lei 4958/2023, que propõe a criação da Zona Franca da Bioeconomia, na região metropolitana de Belém (PA), foi aprovado em mais um colegiado na Câmara dos Deputados. O parecer positivo foi na Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE), votado nesta quarta-feira (17).

O texto segue agora para a Comissão de Finanças e Tributação. O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM), membro do colegiado, afirmou para A CRÍTICA que pediu a relatoria do texto.

“Quando votamos na reforma tributária, fizemos uma linha de corte para vedar via projeto de lei a criação de novas zonas francas ou áreas de livre comércio, resguardando a Zona Franca de Manaus”, disse ele.

O parlamentar sinalizou que deve dar um parecer contra a Zona Franca de Belém na nova comissão.

Ele explicou que mudanças como a que propõe o projeto (entenda abaixo) deveriam acontecer via Projeto de Emenda à Constituição (PEC), a partir de um estudo do próprio governo federal.

“Pedi a relatoria e vou ser contrário com justificativas legais, como tenho feito em relação a outras. Foram cinco arquivadas por mim”, pontuou.
Sidney Leite afirmou que irá dialogar com a deputada federal Elcione Barbalho do MDB-PA, a autora da proposta, se for procurado. (Foto: Vinicius Loures)

Sidney Leite afirmou que irá dialogar com a deputada federal Elcione Barbalho do MDB-PA, a autora da proposta, se for procurado. (Foto: Vinicius Loures)

Diálogo

O PL da Zona Franca de Belém foi apresentado pela deputada federal Elcione Barbalho (MDB-PA). Além de ter sido aprovado na Comissão de Desenvolvimento Econômico, o texto já havia recebido parecer positivo por unanimidade na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais, em novembro de 2024.

Sidney Leite afirmou que irá dialogar com a autora da proposta, se for procurado.

“Se ela me procurar, é claro que iremos dialogar. É como sempre faço”, comentou. No entanto, deixou clara a sua posição contra o texto. “Nós já temos a Zona Franca da Bioeconomia, que é a Zona Franca de Manaus. Ela garante a preservação de 97% do nosso território”, frisou.

Entenda

O projeto estabelece a isenção do IPI para produtos nacionais ou nacionalizados que entrarem na Zona Franca e sejam destinados às finalidades da bioeconomia, bem como isenta do Imposto de Importação os insumos estrangeiros para a cadeia produtiva da bioeconomia na Zona Franca, e também reduz a zero as alíquotas de PIS/PASEP e COFINS.

A autora defende, em justificativa no texto, que o PL visa “estimular a produção e a comercialização de bioprodutos e serviços de forma mais sustentável, em modelos de bionegócios, desenvolvidos a partir do uso de recursos naturais renováveis”, contribuindo para a “transição da economia paraense para um modelo de baixo carbono”.

O deputado Alexandre Guimarães, relator do projeto na Comissão de Desenvolvimento Econômico, onde o texto aguarda aprovação, afirmou que a proposta vem em boa hora.

“No momento em que o Brasil sediará a COP-30, em Belém do Pará, em 2025”, afirma em seu parecer.

“Seguindo o exemplo de outras zonas francas, como a de Manaus, a Zona Franca da Bioeconomia de Belém promoverá o aumento do investimento na região, viabilizado pelos incentivos fiscais, estimulará novos negócios e gerará cadeias industriais voltadas à preservação da biodiversidade, criando novos empregos e proporcionando o aumento da renda da população local”, defende o parlamentar.
Fonte: Acrítica

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