No começo, não as entendemos, mas depois nos adaptamos, aprendemos
e usamos as novas tecnologias para ampliar nossas capacidades

EVALDO FERREIRA
@evaldo.am @JCommercio A cada dia surgem novas tecnologias que, a princípio, devido não as conhecermos, assustam, ou causam curiosidade. Em décadas recentes foi assim com o celular, o computador doméstico, a internet, o WhatsApp, o QRCode, os apps (aplicativos), a mais recente, a IA (Inteligência Artificial) e agora surge a computação quântica, hoje, difícil de ser entendida, mas que, em breve fará parte de nosso dia a dia, conforme explicou, ao Jornal do Commercio, Edierley Batista Messias, mestre em Ciência da Computação pela UFMG, graduado em Processamento de Dados pela Ufam, com mais de 20 anos de experiência em desenvolvimento de software, análise e implantação de sistemas, além de gerência de projetos e trabalhando, atualmente, como Cientista de Dados em projetos de Inteligência Artificial na FPFtech.

POR DENTRO
FPFtech Com mais de 25 anos de atuação, a FPFtech (Fundação Paulo Feitoza), é referência em inovação, educação e empreendedorismo tecnológico na Amazônia. Parceira estratégica do Polo Industrial de Manaus, desenvolve soluções em automação, software, bioeconomia e Indústria 4.0. Sua Escola Tecnológica forma mão de obra qualificada, enquanto a Incubadora WIT impulsiona startups com captação expressiva de recursos. Entre as próximas ações, o Hawk Innovation Center vai conectar indústria, academia e empreendedores em projetos de alta tecnologia, e o BioAmazônia Tech Park reforça a aposta da FPFtech em bioeconomia sustentável.

Jornal do Commercio: O que é a computação quântica?
Edierley Batista: É uma nova forma de processar informações baseada nas leis da física
quântica, que regem o mundo das partículas subatômicas. Enquanto os computadores
tradicionais usam bits (0 ou 1), os computadores quânticos usam qubits, que podem ser 0 e 1 ao mesmo tempo, graças ao fenômeno da superposição. Isso permite explorar um ‘paralelismo natural’ para resolver certos problemas muito mais rápido do que computadores tradicionais.

JC: A computação quântica deixará ultrapassados os computadores atuais?
EB: Não, os computadores quânticos não substituirão os clássicos, mas serão um complemento para problemas específicos, como simulação de arranjo de moléculas, problemas de otimização, e criptografia. Para utilização do dia a dia, como editar planilhas, navegar na internet, reproduzir vídeos, o computador tradicional continuará desempenhando seu papel eficientemente.

JC: Como o cidadão comum poderá se beneficiar dessa tecnologia?
EB: Indiretamente isso poderá ser sentido em áreas que impactam no dia a dia das pessoas. Por exemplo, na saúde, onde o desenvolvimento de novos medicamentos poderá ser mais rápido e preciso, através de simulações sobre como as moléculas se organizam. Na área de logística, com cálculos mais rápidos para achar soluções de rotas mais otimizadas para entregas de produtos. E também em segurança digital, através de novas formas de criptografia de dados mais seguras.

JC: No nosso dia a dia onde podemos observar a utilização da computação quântica?
EB: Ainda não vemos diretamente, mas já existem testes em grandes empresas globais para melhorar o trânsito, rotas aéreas e logística, porém tudo em estudo preliminar. Hoje não é possível aplicar essas soluções no dia a dia devido às limitações do hardware quântico. Mas, nos próximos anos, esses avanços chegarão embutidos em serviços do cotidiano.

JC: Essa nova tecnologia já está sendo aplicada ou utilizizada na FPFtech? De que forma?
EB: Sim, estamos aplicando a computação quântica em forma de pesquisa e capacitação interna. A FPFtech tem trabalhado em estudos exploratórios, montagem de trilhas de aprendizado e desenvolvimento de provas de conceito com simuladores quânticos locais e serviços online. O foco inicial é fomentar esta tecnologia, fazer avaliações para possíveis aplicações práticas e preparação para apoiar as necessidades do mercado, quando a tecnologia estiver madura o suficiente.

JC: De que forma as empresas do Polo Industrial de Manaus poderão se beneficiar da
computação quântica?
EB: As empresas do PIM poderão usar computação quântica para otimizar ainda mais os
processos de fábricas e a logística de entrega. Algoritmos quânticos já demonstram potencial em problemas complexos de roteirização e planejamento de produção, por exemplo. A computação quântica pode melhorar também a automação industrial, técnicas híbridas quântico-clássicas começam a ser estudadas em ambientes com múltiplos robôs, para controlar o balanceamento de tarefas entre eles. Hoje, o principal impedimento dessas soluções é a limitação do hardware quântico atual, que, apesar dos impressionantes avanços, ainda é limitado e extremamente caro para uma aplicação realmente prática.

JC: Você não acha que as tecnologias estão indo longe demais e o ser humano está ficando
para trás?
EB: Toda nova tecnologia gera esse importante questionamento. Na prática, o ser humano não fica para trás. Ele se adapta, aprende e usa a tecnologia para ampliar suas capacidades. Um exemplo disso é a Inteligência Artificial, hoje largamente utilizada. A computação quântica não é diferente. A princípio, ficção científica, mas hoje com potencial real para melhorar a qualidade de vida da sociedade.

Fonte: JCAM

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui