Com expectativa de que as pressões em custos continuem, os repasses devem se estender de forma disseminada pelos países, inclusive no mercado latino

Por Adriana Mattos — De São Paulo

08/08/2022 05h01 Atualizado há 5 horas

As maiores empresas globais de consumo elevaram em até dois dígitos (20%) os preços de seus produtos, na América Latina e no mundo, nos últimos meses, com consequente queda em volume na maioria dos casos, para compensar a alta em custos da cadeia de produção.

O Brasil foi afetado pelas políticas de reajustes e é citado por executivos de quatro das oito companhias que publicaram resultados: Unilever, P&G, Kimberly-Clark, Nestlé, Danone, Coca-Cola, Whirlpool e Electrolux. No mundo, cinco delas subiram preços e venderam quantidades menores de abril a junho – apenas Coca-Cola, Nestlé e Danone reajustaram sem perder volume.

Nos últimos dias, os CEOs precisaram apresentar, em teleconferências de resultados do 2º trimestre, suas estratégias de reação ao cenário global de inflação, em parte, incitados pelos analistas, que colocaram dúvidas sobre as políticas de preços. O desafio maior para essas empresas é que seus mercados consumidores são muito diferentes em termos de estrutura de custo, hábitos e tolerância a reajustes.

“Hoje, em alguns casos, é uma discussão dura tratar de preços, [porque tem que] garantir que não fiquemos fora do mercado”, disse o CEO da Danone, Antoine de Saint-Affrique, a investidores.

Com expectativa de que as pressões em custos continuem, os repasses devem se estender de forma disseminada pelos países, inclusive no mercado latino, onde o Brasil chega a ter metade das vendas de certas marcas. Alan Jope, CEO da Unilever, por exemplo, disse a investidores que a companhia repassou na América Latina, até agora, 70% das altas de custos sentidas após a pandemia de covid e a guerra na Ucrânia.

Para algumas companhias, os aumentos ocorrem a partir de “cálculo” de perda aceitável de volume. Segundo outras, a aposta é no “valor” da marca, como a P&G, que subiu preços no mundo em 8% no 2º trimestre e perdeu 1% em volume. Richard Pelz, da Bain & Company, disse, em apresentação, ser difícil decidir quando e quanto reajustar. O risco é perder mercado.

Fonte: Valor Econômico

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