“Segundo notícias da agência Brasil, trazida pelo médico epidemiologista Zhong Nanshan, o responsável pela gestão do problema da Covid-19 na China, podemos encerrar a pandemia do Coronavírus no próximo mês de junho.“

——Por Nelson Azevedo (*)—–  nelson.azevedo@fieam.org.br

Fomos empanturrados no fim-de-semana com informações sobre a pandemia do coronavírus. Dose cavalar nos noticiários e, certamente, taxas recordes no ranking de audiência, para alegria dos anunciantes. Em todo caso, temos a chance de aprender com os países mais afetados as lições que podem nos ajudar a fazer o melhor neste momento de apreensão e de sutil fabricação das adversidades. Por isso, nada de entrar nas neuroses que nos impõem nem no oportunismo perverso dos espertalhões. Infelizmente, existem aqueles que priorizam a usura em prejuízo da solidariedade emergencial.

As lágrimas e os lenços 

Nas relações capitalistas, como sabemos, tudo pode ser transformado em mercadoria, e com  o surto do novo coronavírus não e diferente. Neste caso, o desespero passa a ser um produto da mais alta rentabilidade, sobretudo nas comunicações sociais. É aquela velha história de enquanto alguns choram, outros se apressam em vender lenços. Por isso, a indústria de álcool em gel e máscaras protetoras estão sorrindo de orelha a orelha. Entretanto, isso não significa que devemos ser displicentes com o problema. Pelo contrário precisamos ser criativos e atentos para identificar na escuridão muitos pontos a nosso favor e de providências a tomar.

Aspectos positivos 

Vamos refletir sobre alguns. As notícias melhores estão vindo da China, ironicamente o lugar de onde se originou o alarme. Segundo o embaixador Chinês do Brasil, a maior parte das atividade industriais já estão mais de 90% ativadas. Portanto a eventual escassez de suprimentos tem data para acabar. Toda crise, termo que significa originalmente crescimento, favorece o surgimento de providências e de solidariedade. Passamos a olhar fatores essenciais do cotidiano, onde temos que priorizar e resguardar o principal, as pessoas com quem convivemos e trabalhamos e o compromisso de gerar oportunidades.

Providências das empresas 

Muitas das empresas contatadas, no âmbito do Polo Industrial de Manaus, já puseram em ação seus planos de contingência, sempre de acordo com as orientações do Ministério da Saúde. Higiene das mãos, dos ambientes, mapeamento de eventuais suspeitos, que são encaminhamos para o isolamento doméstico ou para as UBS, dependendo do caso, o home office, o distanciamento entre colaboradores na fábricas e suspensão de viagens que não sejam emergenciais.  É hora, também, de enxugar custos, rever as metas e ajustar estratégias. Os cenários  iminentes recomendam. Afinal o mercado continua sendo referência do nosso planejamento, e aí o melhor aliado é a criatividade, tanto a nossa, quanto a do vizinho, com quem devemos nos aliar, para salvar empregos e investimentos.

Depois da tempestade… 

Os próximos dias podem ser de avanços na disseminação do vírus mas seu horizonte é curto. Segundo notícias da agência Brasil, trazida pelo médico epidemiologista Zhong Nanshan, o responsável pela gestão do problema da Covid-19 na China, podemos encerrar a pandemia do Coronavírus no próximo mês de junho. Isso significa que, se levarmos a sério, como o Brasil está levando, com a capilaridade das unidades do SUS – o segundo melhor sistema de saúde do mundo – poderemos até antecipar este prazo.

Soluções tropicais 

Isto servirá igualmente, como referencial para os países vizinhos com menos recursos para enfrentar o problema. A nosso favor temos ainda o fato que as viroses da mesma família, onde está incluído o novo Coronavírus, costumam ficar menos ativas em temperaturas quentes e isso, automaticamente, vai refrear a disseminação.

Medidas de colaboração 

Entre as providências colhidas junto às empresas e entidades co-irmãs associadas à CNI, pelo Brasil afora, podemos sugerir ao poder público a prorrogação do prazo para pagamento dos tributos federais (PIS, Cofins, IPI, Simples Nacional, IRPJ e CSLL lucro presumido) diante da dificuldade das empresas na geração de fluxo de caixa. E por conta das exigências do PPB, esperamos que o governo federal transfira a prestação de contas dos itens importados seja feita no final de 2021, tendo em vista a interrupção dos suprimentos vindos da Ásia. Nessa direção, seria coerente a ampliação imediata de linhas de crédito existentes do BNDES, especialmente para pequenas e médias empresas. E por que não reivindicar a flexibilização provisória e emergencial dos custos trabalhistas, com desburocratização para adoção do trabalho remoto, de férias compulsórias e coletivas. Em suma, em hora de apuros, digamos não ao alarmismo e sejamos generosos em providências.

(*) Nelson é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico de Manaus e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

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