O aeroporto de Manaus movimentou 120 mil toneladas em 2023, sendo 84% desse volume composto por matéria-prima importada da Ásia.

Em busca de soluções para os desafios logísticos enfrentados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM), o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), representantes de empresas de logística aérea e a Vinci Airports, concessionária operadora do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, reuniram-se para debater alternativas de expansão das operações de cargas no aeroporto de Manaus. O evento aconteceu nesta terça-feira (6/2), na sede do Cieam.

A estiagem de 2023 no Amazonas impactou significativamente o setor industrial, levando-o a buscar alternativas logísticas, especialmente por meio de empresas aéreas, para garantir o fluxo de insumos e a distribuição de produtos. Os impactos logísticos disso geraram custos extras de pelo menos R$ 1,4 bilhão para o PIM.

Para o presidente da Comissão de Logística do Cieam, Augusto Rocha, o aeroporto de Manaus pode ser mais competitivo, podendo ser um concentrador de voos não só para o Norte do Brasil, mas todo o Norte da América do Sul.

“O aeroporto pode ser um eixo de desenvolvimento para o Estado ou pode ser um elemento de frear, de atrapalhar. Então a gente tem a expectativa que o aeroporto de Manaus tenha uma pauta de expansão das cargas aéreas e torne ele mais competitivo, mais barato, que leve a uma redução de custos para a indústria” destacou Rocha.

De acordo com Thiago Brandão, gerente da Vinci Airports, o aeroporto de Manaus é o terceiro maior terminal de cargas do Brasil, movimentando 120 mil toneladas em 2023, sendo 84% desse volume composto por matéria-prima importada da Ásia.

Propostas para a expansão logística

Diversas alternativas foram discutidas durante a reunião, incluindo a necessidade de ajustes governamentais para atrair mais empresas aéreas e agilizar a autorização de novos voos, atualmente com prazo de até seis meses.

A criação de um centro de distribuição de cargas em Manaus também foi proposta, visando tornar o aeroporto um hub para agilizar a entrada de importações no país.

Outra sugestão apresentada foi o uso do aeroporto de Manaus como ponto estratégico para abastecer países vizinhos, como Colômbia, Peru, Equador e Venezuela.

Além disso, discutiu-se a possibilidade de transformar o aeroporto em um centro de armazenamento e distribuição para empresas de e-commerce, como Shein, Alibaba e Mercado Livre. Hoje, tudo o que vem da Ásia e Europa passa primeiro por Miami, vai para Guarulhos e segue para Curitiba que distribui para os Estados.

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Representantes do setor de logística aérea, Cieam e Vinci Airports durante reunião na sede do Cieam (Foto: Divulgação/Cieam)

Desafios a serem superados

Um dos desafios centrais para estimular o tráfego aéreo de carga em Manaus é o aumento das taxas de logística aérea. As movimentações de mercadorias importadas, por exemplo, sofreram um aumento de 1.040,34%, passando de R$ 0,0771 por quilograma para R$ 0,8792.

A Vinci está promovendo consultas públicas para esclarecer a nova formação de preços dos serviços aeroportuários de carga.

De acordo com o presidente da Cieam, Lúcio Flávio, o próximo passo será a execução de ações coordenadas entre entidades públicas e privadas para consolidar o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes como um player estratégico na movimentação de cargas na América do Sul.

1 COMENTÁRIO

  1. Considerações operacionais sobre o aeroporto de Manaus. Sugestões:

    1 – A atual pista de 2.700m de comprimento precisa ser expandida para, no mínimo, 3.200m, a fim de, permitir as grandes aeronaves de carga sem nenhuma restrição operacional em voos de ultra longa distância de 18.000 Km vindas da Ásia. Dependendo do local de partida, poderão aportar em Manaus sem escalas ou com apenas uma escala, o que significa menores custos.

    2 – O sistema de voo por instrumento ainda funciona com o ILS básico, também conhecido como de categoria 1 (Cat I) criado em 1947. É necessário o mais moderno e sofisticado categoria 2 (Cat II) que permite aproximações e pousos com visibilidade e teto mais baixo ou instalar o categoria 3 (Cat III) igual ao aeroporto de Guarulhos. Assim, as operações estarão asseguradas e o número de fechamentos será drasticamente reduzido.

    Saudações e bons voos,

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