Em um dos momentos mais intensos de reaproximação entre governo e setor produtivo, o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, celebra a mudança de postura da Suframa e do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas. Ele afirma que o diálogo, antes meramente protocolar, hoje é genuinamente proativo e tem fortalecido a confiança necessária para um ambiente de negócios mais previsível e estratégico no Polo Industrial de Manaus.

O empresário destaca que essa nova dinâmica tem feito a diferença para o crescimento do emprego industrial e para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus como uma das políticas de desenvolvimento regional mais bem-sucedidas do Brasil. Com resultados concretos na geração de renda e na preservação ambiental, o modelo é defendido com dados e não com discursos —“A Zona Franca de Manaus não é favor, é acerto histórico”, afirma.

Para o futuro, ele enfatiza que o grande desafio é a coesão interna do setor e a capacidade de inovar sem perder de vista a responsabilidade socioambiental. A mensagem final é clara e direta: a Amazônia não deve ser vista como ônus nacional, mas como o centro pulsante que impulsiona o desenvolvimento com equilíbrio entre floresta e tecnologia.

Jornal do Commercio – O senhor tem participado ativamente das reuniões entre os empresários do Polo Industrial de Manaus, a Suframa e o Conselho de Desenvolvimento do Amazonas. Qual é a principal transformação que o senhor percebe nesse novo ambiente de diálogo e colaboração institucional?

Nelson Azevedo – Hoje vivemos um momento histórico. O ambiente de diálogo deixou de ser protocolar para se tornar genuinamente proativo. Tanto a Suframa, com a gestão do Bosco Saraiva, quanto o Conselho de Desenvolvimento, liderado pelo secretário Serafim Corrêa, compreenderam que o empresariado precisa ser ouvido não apenas como executores da economia, mas como formuladores de soluções. Essa mudança de postura cria confiança e fortalece a base para políticas públicas mais realistas, eficientes e alinhadas à nossa realidade.

JC – A atual gestão da Suframa tem sido elogiada pela postura transparente e proativa. Como o senhor avalia o impacto dessa atuação na confiança e no planejamento estratégico das empresas instaladas no PIM?

Nelson – Bosco tem feito um trabalho de resgate da credibilidade institucional da Suframa. Estamos vendo uma autoridade que nos representa, que se envolve, que valoriza as reuniões com os empresários como uma instância de escuta real. Isso impacta diretamente no ambiente de negócios — gera confiança, reduz insegurança regulatória e nos permite planejar com mais coragem e visão de longo prazo.

JC – O Conselho de Desenvolvimento do Amazonas, sob os cuidados do secretário Serafim Corrêa, também tem desempenhado um papel central. Que importância o senhor atribui ao fortalecimento deste conselho para a integração entre setor público e privado?

Nelson – O Conselho estava, por muito tempo, precisando dessa movimentação. Hoje ele respira, pensa e age. Serafim tem dado ritmo e inteligência à governança do desenvolvimento regional. Com isso, conseguimos alinhar agendas, integrar os esforços entre empresas, governo, instituições de ciência e tecnologia.

JC – A presença numerosa de empresários nessas reuniões tem sido um sinal claro de engajamento. O que isso revela sobre a disposição do setor produtivo em assumir o protagonismo do desenvolvimento regional?

Nelson – Mostra que estamos prontos. O empresariado do Amazonas sabe o que quer: gerar riqueza com responsabilidade, empregar mais, pagar impostos e promover inclusão. Mas não aceitamos mais o papel de espectadores. Queremos protagonismo.

JC – A Zona Franca de Manaus está próxima de atingir 140 mil postos de trabalho. Que fatores têm contribuído para esse crescimento no emprego industrial e o que falta para acelerar ainda mais essa geração de oportunidades?

Nelson – Esse crescimento é fruto de esforço coletivo. As empresas acreditaram no potencial da região, mesmo diante das adversidades. Agora, com estabilidade institucional e diálogo franco com o governo, conseguimos melhorar a performance. Mas ainda falta melhorar a infraestrutura logística, reduzir a burocracia e garantir previsibilidade fiscal.

JC – Há um clima de otimismo no PIM, mas também persistem ataques e desinformações sobre o modelo ZFM. Como o senhor responde àqueles que ainda desconhecem ou subestimam a importância desse modelo para o Brasil?

Nelson – Com fatos e resultados. A Zona Franca de Manaus não é favor, é acerto histórico. Somos responsáveis por 30% do PIB da Região Norte. Pagamos bilhões em tributos. Empregamos com carteira assinada e promovemos desenvolvimento onde antes só havia abandono.

JC – Muitos analistas apontam o Polo Industrial de Manaus como uma das mais bem-sucedidas políticas fiscais para o desenvolvimento regional no país. O que faz da ZFM um modelo diferenciado e que resultados concretos ela já entregou para a região Norte?

Nelson – A combinação entre incentivos fiscais e restrições geográficas criou um ecossistema que impede a migração das empresas e promove distribuição de renda real. É um modelo que integra floresta, tecnologia e emprego. Entregamos resultados em arrecadação, inclusão social, cadeia produtiva e pesquisa científica.

JC – A nova fase da economia exige inovação, sustentabilidade e digitalização. Como o setor industrial local tem se preparado para esses desafios e de que forma a bioeconomia e o ESG entram nesse debate?

Nelson – O Polo está se reinventando. Hoje falamos de ESG não como discurso, mas como prática. As empresas estão investindo em eficiência energética, economia circular, novos materiais, capacitação profissional e tecnologias limpas. E a bioeconomia vem ganhando musculatura como uma nova frente produtiva que vai dialogar com a indústria tradicional e abrir novas cadeias de valor.

JC – O senhor costuma dizer que “nosso desafio é um só: estarmos mais unidos e mais fortes”. Quais são os passos práticos que o empresariado tem dado para fortalecer a coesão interna e a atuação coletiva do setor?

Nelson – Estamos promovendo mais fóruns internos participando de câmaras técnicas, articulando ações conjuntas de comunicação e mobilização. O setor está mais maduro, consciente de que a união nos fortalece frente às ameaças externas e internas. Precisamos continuar com esse espírito de corpo, com visão de futuro e orgulho da nossa missão aqui.

JC – Por fim, que mensagem o senhor deixaria para os formadores de opinião, os políticos do centro-sul do Brasil e os críticos da Zona Franca, sobre a importância estratégica do Polo Industrial de Manaus para o futuro nacional?

Nelson – A Amazônia não é um peso para o Brasil. Ela é o coração do Brasil. E a Zona Franca de Manaus é a válvula que faz esse coração bombear desenvolvimento. Respeitem a nossa história, entendam o nosso papel e venham construir conosco um futuro em que a floresta gere riqueza, as pessoas tenham oportunidade e o país cresça com justiça territorial.

Fonte: JCAM

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