“A Amazônia carece destes recursos retidos pelo governo federal, R$4,6 bi, notadamente em setores da saúde, da alimentação funcional, da farmacopeia e dermocosmética florestal que podem dar respostas, de curto e médio prazo, para a geração de emprego e crescimento sustentável de uma Bioeconomia pujante, diversificando o Polo Industrial de Manaus e regionalizando a economia e os benefícios de nossa população esquecida.”

Nelson Azevedo
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A celebração dos 60 anos da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas não tem festa em tempos de pandemia, mesmo assim, temos orgulho de olhar pra trás e constatar seis décadas de compromisso de nossos pioneiros e empreendedores ao construir a história da transformação do Amazonas. Isso ajudou implementar nossa integração regional. Ao saudar nossos pioneiros e empreendedores desta história aguerrida, temos que perguntar: o que eles teriam a nos sugerir neste momento crucial de boicote e ameaças de sobrevivência do Sistema S e os riscos do descaso público com os investimentos em inovação, ciência e tecnologia de que o Brasil precisa para recompor sua indústria e consolidar sua economia?

Curupira moderno?

As ameaças de esvaziamento dos serviços sociais, educacionais e de qualificação de recursos técnicos, para os nossos jovens, representam um tiro no pé da brasilidade. Abortar os serviços de primeira qualidade que a indústria oferece, de ponta a ponta deste Brasil, é represália insana. Nosso país padece de serviços públicos – a despeito da carga tributária desmedida. Sem avançar na área do conhecimento científico como o Agronegócio avançou, graças ao suporte tecnológico da Embrapa, significa apostar no atraso. Quem não evolui num contexto de ebulição e inovação não fica parado, anda para trás, como um Curupira dos tempos modernos.

Engano perigoso

O desempenho do Sistema S, não apenas ao longo de nossa história mas também neste momento de pandemia – que tem ceifado milhares de vidas e ameaçado a base social de sustento econômico – foi descrito recentemente por Armando Monteiro Neto, ex-senador e dirigente da CNI por dois mandatos, num belíssimo artigo, publicado pelo Poder 360: “Desmantelar o Sistema S é um engano perigoso”. Não faz qualquer sentido remover as contribuições oriundas da própria indústria, isso só vai penalizar sua estruturação e funcionamento. No caso do Amazonas, o que seria do próprio programa Zona Franca de Manaus, notadamente em sua dimensão produtiva industrial e social, se não fosse o Sistema S? Ou não importa a contribuição dos empregos aqui gerados, ou o destino social dos interioranos da Amazônia não tem relevância. Poucos sabem por das milhares de consultas, atendimentos, treinamentos, em suma, o acolhimento humano, sanitário, educacional e qualificação profissional de jovens e adultos atendidos dos barcos Sumaúma I e II, do Sesi Senai, pelos rios da Amazônia. Isto é o Sistema S a favor do exercício da cidadania e da melhor qualidade de vida das populações ribeirinhas deste fim de mundo sem fim abandonado pelo país.

Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato Metalúrgica, Metal Mecânica e presidente da FIEAM e conselheiro do CIEAM

Parabéns aos nossos precursores!

Os 60 anos da Federação das Indústrias – Parabéns aos nossos precursores – representam uma história diária, persistente, inequívoca e solidária com as populações esquecidas desta imensidão de Brasil que o país tem tratado com indiferença e discriminação. E o corte de recursos, já em andamento, entre todos os setores, atingiu aquele que poderia apontar novos e promissores caminhos de nossa Economia, Bioeconomia e Tecnologia da Informação e Comunicação. Referimos-nos ao Instituto Senai de Inovação e seu potencial amazônico para viabilizar a Bioeconomia, entre outras matrizes econômicas . Essa iniciativa atende a uma orientação da Confederação Nacional da Indústria e de todos os seus consultores de alto nível, atentos e alinhados com as demandas de modernização da indústria brasileira, que tem perdido, de forma preocupante e crescente, sua contribuição na composição do PIB do Brasil.

Ciência e competitividade

A propósito, neste dia 2 de agosto, as seguintes entidades, ABC, ANPEI, CNI e SBPC, assinaram manifesto informando a gravidade de contingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, desde o ano passado, por razões inexplicáveis ou justificativa plausível. Estão retidos no mencionado Fundo, R$4,6 bilhões para pesquisa e desenvolvimento. “A retenção de parte tão expressiva do FNDCT implicará para a vida dos brasileiros e para a economia do país perdas e danos pelo seu enorme impacto sobre a Ciência brasileira e sobre a competitividade da indústria local” O Brasil em geral e a Amazônia, muito em particular, carece destes recursos para que a pesquisa e inovação, notadamente em setores da saúde, da alimentação funcional, da farmacopeia e dermocosmética florestal possam dar respostas, de curto e médio prazo, para a geração de emprego e crescimento sustentável de uma Bioeconomia pujante, diversificando o Polo Industrial de Manaus e regionalizando a economia e os benefícios de nossa população esquecida.

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