Nelson AZEVEDO (*)  nelson.azevedo@fieam.org.br

Fizemos 53 anos do maior Programa de acertos na história da redução das desigualdades regionais, baseada em contrapartida fiscal, a Zona Franca de Manaus. Por isso, é de extrema importância olhar pelo retrovisor dessa trajetória para entender o lugar, ou estágio, em que estamos e ter mais clareza para os novos caminhos que podemos tomar. Neste cenário, é emblemático retomar o papel de uma das empresas multinacionais mais importantes na consolidação do Polo Industrial de Manaus, a Moto Honda da Amazônia, da qual tive o privilégio de integrar o quadro gestor no momento crucial que se seguiu à implantação.

Os japoneses, novamente!

Uma história de obstinação e resistência – que se fez forte e tão presente em nossos dias – ao enfrentar o desafio de construir produtos de alto tecnologia a 3 mil quilômetros dos fornecedores preferenciais de partes e peças. De tão longe, a solução foi verticalizar a fabricação de componentes na região e rentabilizar o processo produtivo com criatividade e visão de totalidade. Com efeito, iniciava-se ali mais uma participação efetiva dos japoneses na história da economia da Amazônia, depois da juta e malva, após a quebra do Ciclo da Borracha, e da agricultura de hortifruti para nos ensinar a diversificar nossa dieta amazônica.

Orgulho dos amazonenses 

Vivíamos os primórdios da Zona Franca de Manaus, em seus atrativos comerciais, com a explosão do consumo de importados num país de economia fechada. Em 1971, com esse mercado em ascensão, a Honda iniciava no Brasil as vendas de suas primeiras motocicletas importadas. Por pressão do governo federal, empenhado em alavancar o segmento industrial do Programa ZFM de desenvolvimento, em apenas 5 anos, era inaugurada a fábrica da Moto Honda da Amazônia, em Manaus, de onde saiu a primeira CG, o veículo mais vendido do Brasil em todos os tempos. Além de 25 milhões de motos, quadriciclos e motores estacionários, a Moto Honda da Amazônia produziu a façanha de ser o orgulho da população do Amazonas.

Natan Xavier de Albuquerque 

Como preparar tantos colaboradores, maior parte vindos do interior, com habilidades tão distintas de uma rotina de chão de fábrica, com tantos códigos a assimilar. Certamente por isso, o lendário empreendedor amazonense, Natanael Xavier de Albuquerque, que se associou ao empreendimento, me convidou para Supervisão institucional. Mais tarde entendi a largueza de percepção  daquele visionário. Entre as vantagens para o projeto, trouxe a compreensão da psicologia do caboclo para a interlocução cultural e produtiva e as vantagens que a Lei propiciava a quem aqui investisse. Um exemplo, foram os direitos da contrapartida fiscal estadual, a que as empresas tinham direito. O desafio de inserir os nativos na saga vencedora na Amazônia se deu também com a substituição de gerentes setoriais, cargos utilizados, no início, por técnicos vindos do Japão.

Os vários Brasis 

Foi uma das mais ricas experiências de minha história pessoal. Conhecer de perto a cultura industrial japonesa foi um privilégio. Mais ainda aprender com a determinação japonesa  de implantar a Moto Honda no coração da Amazônia, formando uma cadeia de suprimentos,  de distribuição de motocicletas em todo território nacional e de clientes fidelizados a partir da capilaridade dos consórcios. E ao demarcar a espacialidade dessa proeza, disseminada pelas cinco regiões do Brasil, a empresa soube dialogar com os vários Brasis.

O Poder dos Sonhos 

O resultado de tudo isso foi redesenhar com Duas Rodas a divisão territorial do trabalho e demonstrar a real possibilidade da integração nacional. Juntando essas peças e partes dessa trajetória, atuar na Moto Honda da Amazônia significa dizer meu orgulho de integrar uma etapa dessa saga iluminada, conduzida por seus dirigentes, que me permitiu compreender o Poder dos Sonhos, “The Power of Dreams”,  profetizado pelo fundador da empresa, Sr. Soichiro Honda.

(*) Nelson é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico de MANAUS e Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

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