Nesse momento em que o setor público, em âmbito estadual, se dispôs a sentar com as entidades de classe para gerenciar as mazelas da pandemia do novo coronavírus, é também hora de alinhar compromissos, responsabilidades, atribuições e resultados.

——Nelson Azevedo (*) ——

(*) Nelson é economista, empresário e vice-presidente da FIEAM, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas e presidente do Sindicato da Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânica e de Material Elétrico de de Manaus. nelson.azevedo@fieam.org.br

São múltiplos e diversificados os produtos em que o Brasil está entre os primeiros lugares do ranking global/Industrial. Como sabemos, os mais conhecidos são na área de alimentação, o agronegócio, e de mineração, incluindo gás, petróleo. Mas também, somos especialistas em produzir motocicletas, automóveis, avião, helicópteros, navios… É bem verdade que a indústria no mundo foi esvaziada pela voracidade produtiva e libertina da indústria asiática. Isso fez despencar a relação entre indústria e sua participação no PIB pelo mundo afora, com pontuais exceções.

O esvaziamento Industrial

No Brasil, essa relação, que já foi de 23% no somatório de todas as riquezas, hoje é constrangedora – ao se aproximar de 10% – apesar da capacidade e competências  comprovadas de nossos empreendedores. Infelizmente, alguns se curvam à nociva abertura das importações em setores despreparados para a concorrência e outros não resistem às miragens de preços e tarifas oferecidas por países que estão longe de praticar os rigores da compulsão tributária e obrigações trabalhistas do Brasil.

Já deu! 

Mas se não há outro jeito, com esse embargo nos suprimentos asiáticos, estranhamente associados ao processo destrutivo da pandemia, derrubando preços e rentabilidade de nossas empresas, a hora é responder à questão vital: como resgatar a indústria do Brasil?. Teorias da Conspiração à parte,  torna-se evidente e muito urgente que é hora de rever a política industrial do Brasil sob o prisma do reequilíbrio das relações diplomáticas e de processos produtivos. Afinal, o cenário existente nos deixa fragilizados pela dependência de uma fonte de suprimentos que representa 90% de nossa demanda internacional. Já deu!

Interlocução providencial

E como podemos operar essa mudança no âmbito da economia regional e do Polo Industrial de Manaus? Chega de ficar esperando pela reciprocidade de iniciativas na relação com o poder público que nos tem tratado, predominantemente, como fonte de custeio de sua máquina pesada, cara e ineficiente. Nesse momento em que o setor público, em âmbito estadual, se dispôs a sentar com as entidades de classe para gerenciar as mazelas da pandemia do novo coronavírus, é também hora de alinhar compromissos, responsabilidades, atribuições e resultados. Se cada um fizer sua parte com efetividade e transparência, é tudo que precisamos para começar o movimento da mudança.

Mutirão da mudança e da esperança

O mesmo formato se aplica à relação com o poder público federal, aqui representado pela Suframa, hoje dirigida por um  aliado de primeira grandeza, apto a liderar e organizar a presença federal na Amazônia. Isso porque, aqui temos, além da representação de outros ministérios,  o Conselho da Amazônia, um organismo que, aos poucos, se integrará neste desafio. Torcemos para isso. Nós, integrantes do setor produtivo, queremos, portanto,  somar com todos aqueles que, incomodados com o esvaziamento da indústria brasileira, a partir dos anos 80, querem seu resgate, num mutirão da mudança e da esperança, na certeza de que este é o caminho da soberania, autodeterminação e prosperidade de nossa gente.

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