Embora o Brasil tenha experimentado alguns avanços nos últimos anos, alguns velhos e conhecidos problemas precisam ser resolvidos para que a indústria volte a crescer. As soluções, de acordo com o vice-presidente do Conselho de Administração da Abimaq/Sindimaq, João Carlos Marchesan, passam por manter a inflação sob controle, e ajuste das contas públicas, que permita a retomada dos investimentos e a eliminação do Custo Brasil.

“As ineficiências sistêmicas do Pais, resumidas no Custo Brasil, tornam difícil a competição da indústria de transformação brasileira”, disse Marchesan durante a abertura do 8º Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos, em São Paulo, que contou com a presença virtual do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin.

“O preço das matérias primas, em nosso mercado interno, é de 30% a 50% maior do que no mercado internacional. O câmbio é excessivamente volátil e tende a se apreciar e os juros de mercado estão muito acima do retorno médio das empresas”, disse, acrescentando que a carga tributária da indústria de transformação atinge inacreditáveis 44% do valor agregado, o que ajuda a explicar os baixos investimentos e a desindustrialização dos últimos 40 anos.

“Este cenário, que resulta numa taxa inferior a 18% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) sobre o PIB, contra um patamar desejável superior a 25%, sequer é suficiente para repor a depreciação dos ativos, o que se traduz em queda no estoque de recursos produtivos à disposição de cada pessoa ocupada – e, portanto, em perda de produtividade e competitividade”, explicou.

Marchesan citou estudo recente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), segundo o qual para a indústria de transformação recuperar a posição ocupada no passado, precisaria aumentar o nível de investimentos em 70% pelos próximos 10 anos.

“A indústria de máquinas e equipamentos – setor que emprega quase 400 mil pessoas, diretamente, e três vezes esse número de forma indireta -, mesmo ocupando posição de destaque no Brasil e no mundo, exportando aproximadamente US$ 14 bilhões para países que exigem elevado padrão de sofisticação e qualidade dos bens, não está imune às consequências adversas deste cenário”, alertou o vice-presidente da Abimaq.

Um exemplo dessas dificuldades é que “cerca de 80% das vendas de nossos associados é feita com recursos próprios”. “Para reverter o quadro acima, o Brasil precisa voltar a ser competitivo. Isso significa a criação de um ambiente macroeconômico favorável à produção, com inflação sob controle, e contas governamentais ajustadas que permitam a retomada dos investimentos e eliminação do Custo Brasil”, disse.

Fonte: Istoé

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