Por Marco Dassori

A indústria ficou menos cara e um pouco menos desconfiada, em novembro. A inflação do setor registrou retração de 0,43% ante outubro, após três meses de altas. A redução, que não leva em conta tributos e fretes, foi puxada por 13 dos 24 subsetores, com maior destaque para indústrias extrativas (-7,09%). Dentro da indústria de transformação (-0,07%), a lista incluiu atividades relevantes para o PIM, como “outros equipamentos de transportes”/duas rodas (-2,11%); metalurgia (-1,43%); produtos químicos (-1,36%); e máquinas e equipamentos (-0,70%). Os dados são do IPP (Índice de Preços ao Produtor), do IBGE.

O indicador também reforçou queda frente a novembro do exercício anterior, com um tombo de 6,89%. Entraram nessa conta principalmente as reduções de preços na indústria de transformação, com destaque para a divisão de derivados de petróleo e combustíveis (-2,09%). Com isso, o setor sustentou uma deflação global de 4,89% no acumulado de 2023, favorecida especialmente pelos subsetores de papel e celulose (-16,91%); químico (-16,32%); de combustíveis (-11,89%); e de metalurgia (-10,18%). Em 12 meses, o recuo da inflação industrial foi de 6,09%.

O menor vigor inflacionário ajudou atenuar o humor do setor. A CNI aponta que 19 dos 29 segmentos acompanhados pelo ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) estão confiantes na economia. A alta foi disseminada em todos os portes de empresas e em quase todas as regiões do país. Em uma escala de 0 a 100 pontos, os segmentos mais otimistas são os farmoquímicos e farmacêuticos (58,7). Mas, dez atividades estão abaixo da linha divisória de 50 pontos e demonstram desconfiança, incluindo alguns com atuação na ZFM, como borracha e (45,9); e equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos (47,1).

Câmbio e petróleo

De acordo com o IBGE, o desempenho do IPP se deve à dinâmica de segmentos estratégicos e de maior peso no indicador. Embora tenham apresentado variações positivas nos últimos meses, os subsetores de alimentos e de refino de combustíveis acumulam baixas nos últimos 11 meses (-3,36% e -11,89%, respectivamente). A metalurgia regrediu em todas a comparações e a indústria química voltou a apresentar queda em seus valores, após meses de altas.

“A indústria química foi outra atividade que pesou no resultado agregado. O desempenho, todavia, não se deveu aos petroquímicos, cuja informação coletada em novembro ainda guardou os efeitos de uma cotação internacional defasada, que esteve em alta até o início do mês. Foram os produtos consumidos na lavoura, os fertilizantes e herbicidas, que determinaram o resultado setorial”, explicou o analista do IPP, Felipe Câmara, em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE.

O pesquisador destaca que o comportamento do indicador no segundo semestre foi diferente do registrado nos primeiros meses de 2023, que ainda trazia o “predomínio de um viés deflacionário mais claro”. Mesmo assim, Câmara ressalva que a média dos preços da indústria praticados em novembro permanece mais baixa do que o patamar de 2022.

“Dois movimentos foram importantes em pautar o resultado do mês. Um deles foi a apreciação cambial corrente, a segunda mais intensa do real frente ao dólar no ano. O outro foi a queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional. Como vem acontecendo nos últimos meses, o perfil difuso da dinâmica inflacionária tem prevalecido na indústria, sem sinais claros de repasse consolidado ao longo da maior parte das cadeias produtivas”, explanou.

“Ambiente desfavorável”

O ICEI da CNI aponta que, embora a maioria dos segmentos se mostre confiante, apenas dez deles acentuaram o otimismo na passagem de outubro para novembro. O subsetor têxtil teve a alta mais expressiva da lista, na comparação de dezembro (50,4 pontos) com novembro (47,9), uma diferença de 5,22%. Houve melhora em outras atividades presentes no PIM, como “produtos diversos” (+4,96% e 55 pontos); produtos de material plástico (+1,95% e 52,3); bebidas (+1,51% e 53,9) e produtos de metal (+0,78% e 51,5). O indicador de outros três passou para a margem de desconfiança: calçados (48 pontos); metalurgia (49,9); e máquinas e materiais elétricos (48,8).

O levantamento da CNI foi realizado com 1.934 empresas, entre 1º e 11 de dezembro de 2023. O ganho de otimismo se disseminou no Centro-Oeste (+4% e 54,6 pontos), Nordeste (+2,72% e 56,6) e Norte (+0,20% e 50,8). O Sudeste diminuiu o otimismo (-0,39%), mas se manteve confiante (50,9 pontos), e o oposto se deu no Sul (+1,68% e 48,3). Houve avanço também entre as 770 companhias de pequeno porte (+1,20% e 50,5) ouvidas, assim como entre as 708 médias indústrias (+1,39% e 51,1) e as 456 grandes empresas (+0,76% e 53).

Em texto e vídeo da assessoria de imprensa da CNI, a economista da CNI Larissa Nocko, alerta que, apesar da melhora, o saldo de confiança no setor ainda está baixo. “Em linhas gerais, ao longo de 2023 a confiança permaneceu abaixo do patamar de 2022 em todos os portes industriais, regiões e segmentos industriais – extrativa, transformação e construção. Isso reflete uma percepção, por parte dos empresários, de um ambiente ainda desfavorável para os investimentos e para a indústria como um todo”, sintetizou.

“Preços das commodities”

O presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, não entrou nos detalhes sobre os dados de confiança do setor. Mas, destacou que a redução dos níveis de inflação no setor pelo IBGE, “embora pequena”, é um fator que tende a mexer com o humor dos empresários. No entendimento do dirigente, trata-se isso é importante porque sinaliza um “arrefecimento dos preços” para as empresas, após sucessivos meses de alta.

“Diante do cenário macroeconômico internacional e da conjuntura nacional, a aquisição de insumos e matérias-primas foi diretamente impactada pelos custos elevados. Esse é um importante indicador. Precisaremos acompanhar os preços das commodities no mercado internacional, especialmente daquelas que exercem direta influência ao longo de sua cadeia derivada, como é o caso do óleo bruto de petróleo”, asseverou.

O vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, concorda e lembra que o setor “sofreu muito” com as altas dos preços, entre 2020-2022, em função dos impactos da pandemia e da guerra na Ucrânia. “Em 2023 os problemas foram contornados e os preços iniciaram uma queda gradual com a reorganização das cadeias de suprimentos”, reforçou.

O dirigente ressalta ainda que o indicador da CNI retrata uma tendência de melhora na confiança, embora “com visões diferentes” por subsetor. “As variáveis que impactam o resultado da indústria são diferentes em determinados setores e o índice capta com sensibilidade essa variação. De maneira geral, o controle dos índices inflacionários e a queda gradual na taxa de juros criam um ambiente de negócios favorável a novos investimentos, com melhor previsibilidade e melhorando as perspectivas de bons resultados no médio e longo prazo”, arrematou.

Fonte: JCAM

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