Lívia Araújo
A Instor, empresa gaúcha de robótica que já atua nas áreas de Petróleo, gás e energia, ineração e saúde, ingressou agora na área de logística com o Jaguar, robô concebido especialmente para o setor logístico.
O equipamento, que em sua versão inicial pesa 60 kg, pode levar sobre ele até 100 kg e tem capacidade de reboque de até 350 kg, está sendo fabricado pela sede da empresa, no Tecnopuc de Viamão. À sua estrutura básica, em formato cúbico, podem ser acoplados assessórios como cestos metálicos e reboques, permitindo o transporte de volumes diversos em espaços internos como galpões e ampliando a operação logística para dispensar, em alguns casos, o uso de equipamento operados por humanos.
O CEO da empresa, Miguel Ignacio Serrano, pontua que, ainda que o Jaguar não seja o primeiro robô aplicado ao setor logístico, ele tem uma vantagem competitiva em relação aos seus pares, pois é um AMR, sigla em inglês que significa Robô de Movimento Autônomo. A maior parte dos robôs logísticos usados no Brasil, segundo Serrano, ainda são os AGV, veículos guiados automaticamente, também na sigla em inglês.
A principal diferença entre os dois tipos de robô está justamente na “independência” do equipamento. Enquanto os AGV precisam estar fisicamente vinculados a uma espécie de “trilho” que demanda uma instalação prévia nas áreas de circulação do robô, o AMR só necessita que seus trajetos sejam previamente programados em seu software de inteligência artificial. “Isso o torna apto a percorrer, por exemplo, áreas com alguma circulação de pessoas, pois ele pode desviar de obstáculos e depois voltar ao seu trajeto original”, explica. “Atualmente existem quatro fábricas no Brasil que fabricam robôs AGV. Para os AMR, a única concorrente no país é a WEG, de Santa Catarina”, completa.
Lançado durante a Mercopar, em Caxias do Sul, em setembro do ano passado, ao longo dos meses seguintes o Jaguar passou por diversas provas de conceito, tendo a participação de empresas que ajudaram a “calibrar” o robô para atender às diversas necessidades e situações que poderiam se apresentar. Futuras versões do Jaguar o habilitarão a circular por ambientes externos, com mais resistência a variações climáticas como calor e umidade.
O Jaguar também pode ser fabricado em outras duas versões maiores: média, com capacidade total de 500kg e grande, com a possibilidade de rebocar até 1,5 tonelada de carga. Diferentes robôs podem ser programados para atuar em uma ou várias áreas, e ele pode alternar seu trajeto por diferentes roteiros pré-carregados, de acordo com as condições do trajeto, a presença de obstáculos, entre outras variantes.
Com autonomia mínima de quatro horas, o Jaguar leva duas horas para obter uma carga completa em uma doca de carregamento, para onde pode se dirigir automaticamente caso esteja em um período mais longo de inatividade.
As unidades definitivas do equipamento serão produzidas a partir de fevereiro de 2024, já com uma demanda prévia de duas empresas – uma de São Paulo e outra de Gravataí – que já encomendaram cinco robôs ao todo. A ideia é de, ao longo do próximo ano, avançar no ritmo de produção para chegar à produção de 10 unidades do mês. Como a capacidade instalada da sede de Viamão é de quatro robôs mensais, explica Serrano, a Instor está planejando a instalação de uma nova planta de produção, possivelmente em Santa Catarina, expandindo a atuação da empresa para ficar mais próxima a centros como São Paulo e os portos aptos a receber itens que integram a construção do Jaguar, como os componentes eletroeletrônicos, que vêm da Alemanha, e o chip que dá vida ao equipamento, importado de Taiwan e montado em São Paulo.
Nos quatro setores em que atualmente está presente, a Instor fornece atualmente para 15 empresas. Com o Jaguar, pretende ampliar seu portfolio para 100 empresas, trabalhando no formato de aluguel, o que permite oferecer um produto com suporte e manutenção constantes. Para tal, o custo das três versões do Jaguar varia entre R$ 180.000 e R$ 550.000. Esses valores, esclarece Serrano, podem ser parcialmente custeados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Sendo o principal braço do governo brasileiro para a inovação, a Finep tem uma linha de financiamento específica para a chamada Indústria 4.0, que custeia projetos de até
R$ 15 milhões”.
A própria Instor foi captadora, em 2020, de R$ 1,9 milhões em recursos da Finep para o desenvolvimento do Jaguar, tendo posteriormente o órgão como investidor oficial da Instor, sendo também parceira da Petrobras como fornecedora oficial de bens e serviços desde 2012. Para a estatal, a Instor fornece robôs que atuam em plataformas offshore. A produção das unidades são 90% financiadas pela Petrobras.
Fonte: Jornal do Comercio

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