Qual o sentido de anunciar Manaus como Centro Mundial de Bioeconomia sem assegurar reinvestimentos dos recursos produzidos pelo próprio modelo para este fim de qualificação das pessoas e instituições?

Nelson Azevedo
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A nova configuração na cadeia global de suprimentos vai exigir do Polo industrial de Manaus uma atuação mais alinhada com os institutos de Ciência, Tecnologia e Inovação se quisermos nos qualificar com destaque no novo cenário. Referimo-nos às instituições de P&D&I do Estado e da região em geral, e muito particularmente às instituições criadas pela CNI, Confederação Nacional da Indústria, a rede do ISI-Instituto Senai de Inovação. Inovar, sempre é importante anotar, significa dar novas respostas para antigos problemas ou gargalos, ou seja, agregar valor, velocidade, eficiência aos produtos, processos e serviços do cotidiano, na área industrial e, sugestivamente, no setor público, incluindo a revisão da burocracia pesada e ineficiente que à Economia cabe financiar. 

Inovação em rede

Ao ISI Amazonas coube inovar no campo da Microeletrônica – temos o maior parque industrial em Eletroeletrônica do Continente – enquanto a São Paulo coube a infraestrutura para Biotecnologia e Nanotecnologia. Felizmente, a dinâmica de funcionamento dos diversos estados tem por base uma articulação em rede, de tal forma que uma unidade do ISI, situada em Santa Catarina pode se remeter a outras sempre e quando os objetos de estudo e as estruturas de funcionamento assim o exigirem. Nossa planta industrial tende a sofrer diversificação em Bioeconomia, Mineração, Fruticultura e Piscicultura, daí essa rede nacional fazer todo sentido. 

Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalmecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, e vice-presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas.

Indústria de transformação

Por isso, temos razões de sobra para avançar e promover uma estrutura de amparo à pesquisa e inovação tecnológica, no sentido de consolidação da indústria 4.0 na planta atual e nas inovações que virão. Entre outros motivos, este é o argumento político e jurídico para reter na região a riqueza que aqui é gerada. Afinal, esta é a única maneira de assegurar a ampliação e diversificação de nossa capacidade fabril. Ampliar nossos indicadores como indústria de transformação tem o apelo da utilização dos recursos de P&D&I que o governo federal tem confiscado sistematicamente dos fundos recolhidos pela Lei de Informática.

Recursos humanos

Investir ativos, apostar em convênios de cooperação nacional e internacional para a qualificação dos recursos humanos é um desafio que precisa envolver um espectro maior e mais integrado de atores, governos, entidades de classe, academia e investidores. Qual o sentido de anunciar Manaus como Centro Mundial de Bioeconomia sem assegurar reinvestimentos dos recursos produzidos pelo próprio modelo para este fim de qualificação das pessoas e instituições? É promissora a expectativa de um projeto da envergadura do ISI, que se integra a uma rede de instituições do Sistema S pelo Brasil afora. Essa articulação tecnológica vai dar suporte inteligente e instantâneo às demandas locais de inovação disponíveis nos demais estados. Vale destacar que o ISI Microeletrônica, que começa a ser implantado no Amazonas, dependeu de verbas levantadas, por empréstimo, junto ao BNDES, a serem pagas pelo próprio Instituto. Cumpre-se, assim, a vocação histórica do Senai, assim como todos os demais serviços do Sistema S, que focam no atendimento dos trabalhadores e da comunidade, na perspectiva da qualificação, da promoção profissional dos jovens e provimento das condições de acolhida onde eles se inserem.

Mais engenharias

Ora, por que não usar também os recursos das taxas da Suframa para instituir uma instituição de graduação acadêmica na área de múltiplas Engenharias, afinal, as empresas aqui instaladas padecem da pouca oferta de especialistas na área de engenharia de comunicação, informação, biotecnologia, naval, mineração, alimentos… A própria academia, tanto estadual, federal ou privada, encontra dificuldades para contratação de docentes nestes segmentos. Daí a urgência de medidas para atendimento dessas demandas específicas da academia e do setor produtivo, com a utilização das verbas confiscadas pela União. Por tudo isso, a implantação/consolidação do ISI é um dos grandes acontecimentos da década, a reforçar a maturidade e consolidação do programa Zona Franca de Manaus.

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