Propostas para atenuar impacto da rodovia inclui grades na lateral da pista, unidades de conservação e passagem para animais

Lucas dos Santos

05/04/2024 às 09:18.

Atualizado em 05/04/2024 às 09:18

Especialistas ouvidos por  A CRÍTICA reforçam a importância das medidas apontadas no  relatório do grupo de trabalho que estuda a repavimentação da BR-319. Matéria da Folha de S. Paulo, desta quinta-feira, aponta  iniciativas que poderão ser tomadas pelo governo federal para atenuar os impactos da retomada da rodovia como a construção de grades nas laterais da pista, criação de unidades de conservação, monitoramento eletrônico e  implantação de 170 passagens para animais.

Do ponto de vista do professor Carlos Durigan, diretor brasileiro da Wildlife Conservation Society (WCS), a criação, consolidação e proteção de unidades de conservação federais e estaduais, “além do reconhecimento e proteção de terras indígenas, consolidação de assentamentos rurais e outras formas de uso coletivo e tradicional do território abrangido pelo interflúvio dos rios Purus e Madeira à luz do Código Florestal Brasileiro”, são importantes para fortalecer a governança local e o manejo sustentável dos recursos naturais da região.

“Por muitos anos, órgãos ambientais, cientistas e representações da sociedade civil têm afirmado esta necessidade para que a repavimentação da BR – 319 não se consolide como uma região degradada social e ambientalmente. O potencial entendimento de setores governamentais ligados às obras, assim como da própria sociedade, pode enfim trazer a construção definitiva de soluções para um cenário tão desafiador”, disse.

O ecologista ressaltou que ao se estabelecer um cenário positivo, serão abertas uma série de alternativas tanto para mitigação de impactos ambientais da repavimentação da estrada quanto de frentes de degradação já existentes, além de estabelecer uma agenda voltada para o desenvolvimento regional “baseado no conceito da sustentabilidade”.

 Proposta atendida

 Por meio de assessoria, o Diretor de Conservação da WCS Brasil, Marcos Armend, relembrou que a organização foi convidada para participar do grupo de trabalho da BR-319 para cooperar com técnicas e métodos de mitigação de impactos ambientais.

“Com base no histórico das construções de rodovia na Amazônia, consideramos a pavimentação um risco de aumento do desmatamento e degradação na região. Dessa forma, temos ações para acompanhar o processo de licenciamento com os parceiros do Observatório da BR-319, para que esse seja feito de forma adequada”, destacou.

Uma das propostas que constam no relatório é a de implantação de 170 passagens de fauna para que os animais atravessem a via sem precisar cruzar a estrada. Nisso estariam incluídas passagens abaixo do nível da rodovia, que será elevada, e redes de proteção construídas acima da rodovia. A primeira passagem superior foi instalada justamente por meio de uma iniciativa da WCS em parceria com a ViaFAUNA Consultoria Ambiental, financiado pela Fundação Segré e com apoio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Fonte: Acrítica

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