“Há três anos entre nós, a empresa Águas de Manaus está próxima de conquistar a marca de 100 mil famílias que têm acesso, com tarifa social, para o consumo de água tratada.”

Nelson Azevedo
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Nos desafios das mudanças e no enfrentamento das adversidades, as águas da Amazônia têm o poder de construir, quando bem compreendidas e gerenciadas, assim como tem a capacidade de emitir alertas para denunciar os malfeitos de nossa civilização predatória. Atualmente, estamos diante de uma crise hídrica nacional que pode afetar a cidadania, a ecologia e sobretudo a economia com mais gravidade do que o apagão de 2001 e a seca histórica dos reservatórios do Sudeste em 2015.

Enquanto o país, neste momento, se prepara para a escassez do precioso líquido, a Amazônia vive ainda as mazelas da fome, provocada pela escassez de proteína que a subida das águas nesta enchente histórica que açoita a região em 2021. Um país desigual até nos contrastes.

Na semana passada, uma iniciativa da Ação Social da Indústria, que reúne um grupo de voluntários formado por empresários, gestores e colaboradores das empresas da ZFM (Zona Franca de Manaus), a bordo do barco-escola do Sistema S, da FIEAM, foram integrar-se à comunidade do Careiro da Várzea, levando uma Ação solidária para mais de 600 famílias alcançadas pelas enchentes. Foram distribuídos alimentos, EPIs, material escolar, além de
serviços médicos para ajudar crianças e seus familiares alcançados pela subida das águas, em tempo de mudança climática na região.

foto: Gisele Alfaia

Em que lugar do mundo, companheira da Indústria, Régia Moreira, presidente de empresa, além das doações, lidera um movimento social de tal relevância como este a que assistimos no Beiradão amazônico?

Outro fato, envolvendo ações dos gestores das empresas da Amazônia, dessa vez com um associado da Indústria, sinaliza o modo amazônico de tratar a natureza e seu representante mais nobre da escala evolutiva: o fator humano. Estamos falando do associado que produz água, com qualidade e segurança para o consumo humano. Há três anos entre nós, a empresa Águas de Manaus está próxima de conquistar a marca de 100 mil famílias que têm acesso, com tarifa social, para o consumo de água tratada.

Com isso Manaus se tornará a capital do país que proporcionalmente mais protege sua população mais vulnerável nesta questão, fazendo com que o serviço possa de fato ser acessível a todos.

Isso não tem preço e transformará Manaus numa referência nacional no saneamento básico. Ainda são recentes as lembranças, os ruídos do pesadelo com a concessão dos serviços de água em Manaus, que trouxe mais conflitos que saídas durante quase duas décadas. Por isso, as iniciativas de nossa associada – além das louváveis tarifas sociais, seus robustos investimentos recentes no setor e o envolvimento dos demais atores na gestão deste serviço – nos enche de vaidade.

foto: Gisele Alfaia

O paradoxo da importância social das águas se estabelece nos indicadores das contradições do país, neste momento de indefinição do escandaloso Fundo Partidário.

Aliás, para quem não sabe, são dois fundos pagos pelo contribuinte brasileiro, criados para as pessoas que optam pela carreira política. Com o novo marco regulatório do saneamento, recursos privados serão investidos para levar água para toda população e esgotamento sanitário para no mínimo 90% da zona urbana, desassistida historicamente deste direito elementar, o Brasil registra menos de R$1 bilhão para este fim. E isso só nos revolta e angustia com a triplicação dos recursos para o Fundo Partidário, para algo que se aproxima dos R$ 6 bilhões. Um escárnio!

Saneamento, é bom que se diga, define o perfil civilizatório de uma Nação. Por contrariarmos a lógica do mais fácil e surfar contra a onda do comodismo, as indústrias da ZFM são influenciadas positivamente pelas Águas, com a mesma teimosia dos Rios que correm perenemente em sua missão sagrada de levar a vida, a saúde, a revitalização da floresta que, no Amazonas, é conservada em mais de 95%.

A revitalização da esperança de nossa gente, que precisa ser integrada ao banquete da Ciência, Tecnologia e Economia que transforma nossas potencialidades em oportunidades sustentáveis da prosperidade social.

Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

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