Lucas dos Santos

economia@acritica.com

Superintendente da Suframa, defendendo a implantação de uma indústria de fertilizantes na Zona Franca de Manaus para processar o potássio que será explorado em Autazes na região metropolitana.

O superintendente da Zona Franca de Manaus (ZFM), Bosco Saraiva, defendeu, em entrevista ao ACRÍTICA, a industrialização no Amazonas do potássio que será explorado no Município de Autazes. Esta semana, o governo do Estado, por meio do Instituto de Proteção Ambiental (Ipaam), liberou a licença para a empresa Potássio do Brasil.

O superintendente da Suframa ressaltou que esse segmento é um dos nichos que a autarquia precisa se inserir e que o órgão já está finalizando um estudo de mudança no regimento interno para criar uma superintendência de bionegócios. A seguir, a entrevista:

P: Como o senhor avalia os possíveis novos investimentos para a Zona Franca de Manaus que podem surgir com a exploração do potássio em Autazes?

R: Esse investimento bilionário que será feito pela iniciativa privada na exploração racional do nosso potencial mineral é o grande interesse atualizado da Suframa. É um dos nichos que a Suframa precisa se inserir, tanto que a Suframa já está finalizando o estudo de mudança no regimento interno para a criação de uma superintendência de bionegócios. No caso, isso coloca o interesse da exploração de potássio dentro da Suframa?

Dentro desses setores específicos da Suframa, porque estamos falando hoje do industrial, especificamente, do que a Suframa vive há muito tempo. Só que a nova natureza do CBA, Centro de Bionegócios da Amazônia, trouxe para nós também a obrigação de que a Suframa se atualize enquanto órgão diretivo também desse setor, que é o desenvolvimento de bionegócios para que a gente gere emprego não só em Manaus, mas também no interior da Amazônia. Não falo nem do Amazonas, mas da Amazônia. Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá. Todos esses anos que os órgãos ambientais, todos os organismos de controle que acompanharam esse licenciamento do potássio são positivos no sentido de que, agora, a gente vai começar a ver a realidade. Nós tivemos uma empresa investindo e seguindo a regra legal para que pudesse ter agora o licenciamento entregue e o início da exploração.

P: Então com esse novo setor, pode-se dizer que o potássio vai ser industrializado aqui na Zona Franca de Manaus?

R: Nós precisamos partir para isso, para a cadeia do recolhimento do potássio e, posteriormente, para a instalação das indústrias de beneficiamento desse nosso potencial mineral. Essa é a visão que nós temos que ter para tudo. Não basta levar o ouro do Amazonas e levar in natura. É preciso que as empresas de joias estejam instaladas aqui para produzir aqui, porque capacidade industrial nós temos, em mão de obra. Considerando que nós temos 50 anos de desenvolvimento desta mão de obra na cidade de Manaus, o que levou a nos tornarmos uma cidade industriária. Manaus tem uma capacidade que se encontra em pouquíssimos locais do mundo, que é a tradição industrial.

P: Eles manifestaram interesse em iniciar tratativas para que se possa criar um polo de fertilizantes?

R: Na Suframa, nós não temos ainda nenhum projeto apresentado nesse sentido. O potássio é um dos ingredientes dos fertilizantes, e as outras indústrias, de nitrogênio e fósforo, também têm potencial de se instalar aqui.

P: Essa nova indústria vai exigir mão de obra qualificada? Temos mão de obra suficiente para isso ou teremos que investir em qualificação?

R: Da parte de mineração, há muito tempo já se iniciou uma preparação de formação secundária por parte da indústria que se instalou em Presidente Figueiredo. Onde está sediada hoje a Prefeitura de Manaus, no bairro da Compensa, era uma escola de formação para este setor, da Mineração da Taboca, quando ela se instalou lá em Presidente Figueiredo. Aquela mineração sustenta Presidente Figueiredo, desenvolveu Presidente Figueiredo com os aportes, ela tem esses recursos. É o que vai acontecer efetivamente com Autazes. Então é preciso que o poder público municipal de Autazes esteja capacitado, se capacite também, para acompanhar exatamente a chegada dessas oportunidades. Esses 2,5 bilhões de dólares que serão investidos pela companhia [Potássio do Brasil] vão ajudar Autazes, o Amazonas, a Amazônia e o Brasil.

P: Quais são as demandas desse setor para fazer a instalação da indústria e a exploração e como eles podem atender às demandas do país?

R: A cadeia produtiva toda desenhada pela empresa vai desde profissionais de mineração da exploração até a entrega final do seu beneficiamento. Isso gera uma cadeia enorme que vai na preparação da situação portuária para a entrega, da situação rodoviária da estrada de Autazes, das regiões ligadas. Isso traz um benefício geral inimaginável. Nós ainda não sabemos potencializar neste momento o que vai ser. Esse estudo é que a prefeitura [de Autazes] precisa. Eu não tenho esses dados claros, precisos, se a gente tem aqui os outros itens que compõem o todo para a fabricação de fertilizantes, mas o potássio está aí. Evidentemente que há estudos nesse sentido e será extremamente positivo, na medida que a gente tenha esses indicadores aqui no Amazonas para gerar indústria química de fertilizantes.

P: Como a Suframa está se preparando para essa demanda?

R: Esse assunto, daquilo que é matéria-prima regional, não precisa nem de Processo Produtivo Básico (PPB), é a Suframa que autoriza automaticamente em nível regional. Então a Suframa já está preparada para isso, a regra legal já estabelece isso e a gente já autoriza usufruindo dos mesmos benefícios fiscais que a indústria de transformação tem no Polo Industrial de Manaus. Toda indústria de bens regionais, seja mineral ou vegetal, já usufrui da Lei de Benefícios, que não necessita de processo produtivo básico. A Suframa, por si só, já autoriza o acesso a esses benefícios fiscais.

P: A BR-319 entra nesse cálculo?

R: O presidente Lula determinou que fosse criado um grupo [de trabalho] que está no final dos estudos da viabilidade do asfaltamento. Nós temos muita esperança de que isso seja efetivado porque o senador Omar está à frente desse assunto, tratando diretamente com o presidente Lula.

P: A concessão da hidrovia do Rio Madeira também entra nessa logística?

R: Também está nesse pacote porque precisa ser feito o balizamento [sinalização do rio], precisa ser feito todo o trabalho que requer investimentos altos para balizar todos os nossos rios.

P: Como o senhor avalia a mitigação de possíveis impactos ambientais, já que ainda existe uma tensão com os povos tradicionais?

R: Nós temos que acompanhar isso com muita racionalidade. Precisamos explorar com racionalidade e com o controle ambiental. Hoje nós temos autonomia e temos bastante órgãos e meios tecnológicos para controlar ambientalmente cada palmo da nossa floresta e dos nossos rios. E é isso que deve ser feito: nós temos que explorar efetivamente, de forma racional, com controle permanente dos nossos organismos ambientais. É o que se deu agora, para efeito, com o licenciamento para exploração do potássio em Autazes.

P: Qual a sua expectativa para o faturamento do Polo Industrial deste ano?

R: Nós fechamos janeiro com o melhor faturamento dos últimos tempos. Faturamos R$ 15,3 bilhões e fechamos janeiro com 115,3 mil empregos. Em janeiro do ano passado, havia 111 mil trabalhadores. Os números não mentem. Apesar do ano passado [ter havido] retração na economia, o debate da reforma tributária, mesmo assim nós seguimos crescendo. A gente tende a crescer e espero que a gente continue nessa curva.

Fonte: Acrítica

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