Na abertura da quarta temporada da série Diálogos Amazônicos, promovida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na noite de ontem (29/1), o diretor-presidente do Grupo Bemol, Denis Minev, foi enfático ao afirmar que “o Brasil nunca investiu direito na Amazônia”. Além de Minev, a historiadora Etelvina Garcia também participou do webinar para debater o tema.

Minev pontuou que a Amazônia não é um patrimônio econômico e que falta investimento em ciência. Ele também destacou a escassez de pensamentos em projetos prósperos voltados à região.

“O Brasil nunca investiu direito na Amazônia, nunca pensou grande a respeito da Amazônia. O que o mundo tenta impor à Amazônia? A borracha foi interessante, Zona Franca é interessante, mas isso são coisas exógenas. Produtividade da nossa sociedade tem sido muito baixa nos últimos anos. Nós não temos criado o suficiente, investido o suficiente para que a nossa ciência avance em uma velocidade rápida o suficiente”, comentou.

O diretor-presidente da Bemol frisou que a riqueza cultural da Amazônia é indiscutível, mas atentou para o fato dela não ter, ainda, se traduzido em produtividade e riqueza, “sem um grande exemplo de empreendedores, principalmente indígenas”.

A pauta que discute o desmatamento na Amazônia e o discurso universal de preservação da região também foi inserida no webinar. Minev colocou seu posicionamento sobre o tema.

“Acho muito pobre discutir pelo desmatamento, pois ele é um aspecto, uma forma de olhar para a Amazônia como um problema. Mas ela não é um problema, é uma região de muitas oportunidades. Gosto mais da pauta de fazermos o ‘rematamento’ da Amazônia. Pegar as áreas já desmatadas e torná-las incrivelmente produtiva, produzindo comida, madeira e diversos insumos para o mundo”, explicou Denis Minev.

‘Vivemos de ciclos na Amazônia’

Etelvina Garcia é professora, jornalista e historiadora. Com 26 obras autorais sobre Amazonas, ela aproveitou o webinar para destacar a Zona Franca de Manaus, ressaltando que o modelo de desenvolvimento econômico da região “se faz com desenvolvimento genuíno, adquirido da sociedade”.

“A Amazônia nunca esteve diante de uma situação tão grande, tão difícil como vivemos hoje. Nós vivemos de ciclo, como o da borracha, o da Zona Franca. A verdade é que nós, da Amazônia, sempre dependemos dos ciclos. Me preocupa muito essa história de termos de apelar para a economia da biodiversidade”, afirmou.

Ainda segundo a historiadora, é necessário fazer “uma simbiose da ciência do concreto com a ciência cartesiana”.

“Isso pode consolidar uma diretriz de atividade econômica, mas não pode ser feito de forma inversa. Não pode acontecer sem que as nossas populações tradicionais sejam priorizadas e sem que se crie na região oportunidade de emprego para as nossas populações”, finalizou.

Fonte: RealTime1

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