“Comprovadamente este governo e os que o antecederam demonstraram até aqui que não sabem exatamente o que significa cuidar da Amazônia, na hora mais dramática em que o mundo inteiro faz do descuido munição de desconstrução da brasilidade. É uma pena, general!”

Nelson Azevedo
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O general Augusto Heleno, intrépido ex-Comandante Militar da Amazônia-CMA, costuma ser incisivo e destemido em suas declarações. Na última, direto ao ponto, sentenciou que o “… o governo ainda não teve tempo de cuidar da Amazônia”. Estamos há dois meses de completar o segundo ano de governo, além de sincera, esta declaração é emblemática quando se trata do governo central olhar a Amazônia de forma comprometida e, principalmente, cuidadosa. A palavra cuidar, originada do latim, traduz a atitude da atenção, cautela e precaução. E foi exatamente isso que, conhecendo este servidor militar, ele quis descrever ao usar o delicado verbo. Esse destemor, aliás, é a imagem que ele deixou para quem teve o privilégio de acompanhar seu cuidadoso desempenho durante o tempo em que dirigiu as Forças Armadas na Amazônia.

Violência, um negócio sem tributos

Cuidar é estar atento, por exemplo à invasão da violência e da criminalidade que o narcotráfico representa. Não podemos esquecer que violência gera violência. Este princípio dialético que as leis da ação e da reação bem descrevem, confirma a espiral da violência na região e o excelente e lucrativo negócios para todos os envolvidos. Evidentemente que não compete aos militares o controle dessa atividade criminosa. Entretanto, o colaboracionismo entre o CMA e a Polícia Federal revelou-se uma fórmula simples e eficiente de precaução. Os esforços para enfrentar com firmeza e inflexibilidade a diplomacia obscura das ONGs, no episódio Raposa Serra do Sol, por pouco não lhe custou danos na carreira, por sua resistência em atender a demagogia do governo da época. Cuidar da Amazônia é também cuidar de seus empreendedores e Heleno não achou justo o fim que eles tiveram na região.

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Nelson é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, e vice presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

Parceiro da ZFM

Provavelmente está é uma das razões mais fortes e preponderantes na fala do General. Ele conhece de perto a Economia baseada em contrapartida fiscal do Programa ZFM. Sabe da importância daquilo que fazemos para gerar emprego, renda e cuidar da floresta. Certamente poderíamos fazê-lo com mais acertos se dispuséssemos dos instrumentos para isso. Como investir em atividades que gerem atividade econômica e deixem a floresta em pé se os recursos para isso são confiscados para fins estranhos ao diploma legal? Como parceiro da Amazônia, Heleno sabe que Paulo Guedes tem mais peso de providências e para ele Amazônia é algo muito distante.

Impactos, efetividade e oportunidades da ZFM

Para o obstinado militar, foi mostrado o estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre os Impactos, no final de 2018, “Efetividade e Oportunidades da ZFM”, ele acolheu e aplaudiu o conteúdo desses estudos, reconhecendo neles os avanços de ocupação sustentável da Amazônia e os esforços para integrar este território ao resto do país. Os estudos da FGV, os indicadores cuidadosamente organizados, as descrições econométricas dos impactos positivos que foram causados pela ZFM, mostram que este programa de desenvolvimento regional, precisa ser respeitado, diversificado, regionalizado em seus benefícios para dar maior atenção aos ribeirinhos e as populações de fronteira onde o Exército atua.

Falta atenção e cautela

O que se vê, entretanto, é uma frenética busca das entidades da indústria para assegurar a sobrevivência desses acertos. Desgastes e insegurança para garantir a segurança jurídica da Amazônia em gerar emprego e renda. Nesse contexto, o General Augusto Heleno tem toda razão. A economia do Amazonas e suas peculiaridades de uma região remota, até aqui não foram propriedades da União. Muito pelo contrário, na ideologia liberal do Ministro da Economia, não há distinção entre gastos tributários e contrapartida fiscal. O Planalto, até aqui, se deteve em associar ZFM à manutenção da soberania brasileira sobre a Amazônia. Se ficar no discurso isso quer dizer nada. Além disso, é pequena e equivocada a manifestação de intenções para a aquisição de armamentos em caso de um eventual ataque beligerante. Poucas coisas na Amazônia são tão improváveis quanto isso. A exploração ilegal de nossos recursos naturais, ganhou novos formatos. É galopante e incontrolável. Comprovadamente este governo e os que o antecederam demonstraram até aqui que não sabem exatamente o que significa cuidar da Amazônia, na hora mais dramática em que o mundo inteiro faz do descuido munição de desconstrução da brasilidade. É uma pena, general!

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