Por: Thaissa Graminho
A geração Z, composta por indivíduos nascidos entre 1997 e 2012, está gradualmente assumindo um papel de destaque no mercado de trabalho.
De acordo com um estudo conduzido pela Udemy, essa geração representará 27% da força de trabalho global, tornando-se a maior geração profissional até 2035.
Para compreender o impacto dessa nova leva de trabalhadores, o estudo analisou suas percepções, expectativas e desafios enfrentados ao ingressar no mundo corporativo.
Ao contrário das percepções estereotipadas que frequentemente os rotulam como descompromissados ou tecnologicamente alienados, os trabalhadores da geração Z têm uma forte inclinação por valores alinhados às empresas nas quais atuam.
Segundo o levantamento, 86% consideram fundamental trabalhar em um ambiente que proporcione um senso de propósito. Além disso, 44% afirmaram ter recusado propostas de emprego devido a divergências éticas com os empregadores.
Outro ponto relevante é a busca por transparência e flexibilidade. Os jovens profissionais esperam uma comunicação clara sobre as expectativas e direções da empresa, e priorizam um equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Para 42% dos entrevistados, a flexibilidade no trabalho é um fator essencial na relação com seus gestores.
Embora 93% dos entrevistados tenham relatado algum nível de preparação para os desafios do mercado nos próximos três anos, apenas 34% se consideram muito ou extremamente preparados.
Entre as habilidades mais valorizadas pela geração Z estão a programação (36%), a inteligência artificial (30%) e a comunicação eficaz (30%).
Geração Z, Pensamento crítico e inovação
O pensamento crítico e a inovação também aparecem entre as principais competências consideradas necessárias para o sucesso profissional.
Apesar de serem frequentemente descritos como digitais e adeptos de mensagens curtas, 58% da geração Z preferem reuniões presenciais para comunicação no ambiente de trabalho, seguidas por videoconferências (56%) e e-mails (54%).
Os profissionais dessa geração têm um forte compromisso com o aprendizado contínuo. O estudo revelou que 94% dedicam pelo menos uma hora semanal a atividades de capacitação, e 50% passam cinco horas ou mais estudando para aprimorar suas competências.
As principais motivações para o aprendizado incluem crescimento pessoal (65%), aumento do potencial de ganhos (61%) e interesse pessoal no assunto (60%).
O método de aprendizado preferido da geração Z são os cursos online completos (44%), seguidos pela prática em projetos reais (12%) e aulas presenciais (9%).
Contrariando a ideia de que absorvem conhecimento apenas por redes sociais, a maioria dos jovens profissionais demonstrou preferência por formatos estruturados de aprendizado.
Nativos digitais
Embora sejam considerados nativos digitais, a relação da geração Z com a inteligência artificial (IA) no aprendizado é cautelosa. Apenas 70% dos entrevistados afirmaram que usariam uma plataforma de aprendizado baseada em IA, um percentual menor do que o registrado entre millennials (73%) e geração X (72%).
Entre as principais preocupações, destacam-se a precisão da IA em atender às necessidades individuais (48%) e o risco de viés algorítimo nas experiências de aprendizado (38%).
Por outro lado, os aspectos mais atrativos da IA para essa geração incluem trilhas personalizadas de aprendizado (42%), assistência em tempo real (39%) e cronogramas flexíveis para estudo (35%).
O estudo da Udemy destaca que a geração Z está redesenhando o mercado de trabalho, trazendo novas demandas para as empresas, mostrando que o aprendizado contínuo e a transparência na gestão são fatores determinantes para essa geração, que valoriza tanto o desenvolvimento profissional quanto o alinhamento de valores com as organizações onde atuam.
Fonte: Real Time 1



