“E só assim, oferecendo emprego e condições dignas de trabalho, poderemos avançar na economia da Amazônia do Futuro – as bases já estão fincadas – buscando na biodiversidade as soluções farmacológicas, nutricionais e dermocosméticas demandadas pela humanidade.”

Nelson Azevedo
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O Brasil precisa urgentemente repensar mecanismos de retenção dos seus talentos. A fuga de cérebros é um problema que se agrava a cada dia e que começou já faz tempo, desde quando o pais deixou de priorizar a inteligência de sua gente em projetos de inovação e transformação do atraso em nova civilização. E o melhor caminho de acesso a essas oportunidades e prosperidade da vida nacional passa pela adoção da Ciência Tecnologia e Inovação. O último projeto de envergadura foi o Programa do Álcool, que é de 1976, e logo em seguida da Embraer, duas das mais acertadas escolhas do Brasil para o Brasil.

Ciência sem fronteiras nem talentos

A economia do Amazonas, constituída a partir do Polo Industrial de Manaus, pagou há seis anos o programa Ciência sem Fronteiras, do Ministério da Educação, durante duas temporadas. Foi uma iniciativa meritória que não teve, como costuma acontecer, a devida acolhida e apoiamento substantivo da União. Resultado: em lugar de criar, perdemos grande parte dos talentos que o mundo reconheceu e, por razões óbvias, tratou de assegurar a continuidade desses cientistas brasileiros com salários e vantagens coerentes com o status de conhecimento alcançado.

Genialidade tupiniquim

A rigor, não saberíamos explicar exatamente o que acontece, e também não é o caso aqui de fazer suposições inconsequente. O que importa é constatar a perda do que isso significa. Basta ver o montante de royalties por direitos autorais ou de propriedade intelectual, que precisamos pagar para acessar tecnologias que deixamos de desenvolver. Muitas das startups se tornaram mega empresas, como aquelas do universo tech, no Vale do Silício, contado com a genialidade dos brasileiros que por lá, nas universidades e depois das empresas, foram retidos.

Atração inteligente

Criamos leis para proteger nossa biodiversidade quando, na verdade, deveríamos abrir nossas fronteiras para parcerias internacionais sólidas com a condição de que os cientistas que aqui viessem compartilhassem suas experiências e saberes com os nativos. Foi assim, nesta permuta de talentos, que o mundo desenvolveu soluções e que os eventuais problemas decorrentes de planejamento aloprado puderam ser enfrentados. Para os problemas de Ciência e Tecnologia precisamos de mais Ciência e Tecnologia. Não há outro jeito.

Oportunidades no ralo

Vamos refletir sobre este meio século de Polo Industrial de Manaus e das tecnologias embarcadas das empresas. Aonde estaríamos, hoje, se tivéssemos investido a riqueza que geramos nas oportunidades que perdemos. Concordemos, ou não, os países e as empresas criaram saídas lucrativas para a Humanidade e precisam rever seus critérios de partilha. Sem distribuição de renda não há consumidores de nossos produtos. A economia asiática usou a ética marxista de combate à propriedade privada – dos outros, bem entendido – para alcançar seu grande estágio de desenvolvimento e hoje propõe novos paradigmas de distribuição da receita. Será que se baseia na receita alheia, novamente? Isso não nos atinge diretamente, por enquanto pelo menos. Mas é preciso entender e participar dessa discussão.

Clube dos cabeções

Nosso problema de base é qualificação arrojada de nossos jovens, oferecendo saídas para sua realização profissional e pessoal, com a economia se aproximando da academia em nosso cotidiano, para assegurar, por exemplo, um novo tempo de substituição das importações – como determinam as origens da Zona Franca de Manaus (ZFM) – e resgatar nossa capacidade industrial instalada e apenas parcialmente utilizada. Pois, para entrar no clube dos grandes carecemos de muitos talentos. Vários clubes de cabeções

Emprego e dignidade

E só assim, oferecendo emprego e condições dignas de trabalho, poderemos avançar na economia da Amazônia do Futuro – as bases já estão fincadas – buscando na biodiversidade as soluções farmacológicas, nutricionais e dermocosméticas demandadas pela humanidade. É esse o espírito das recentes investidas de construção de novas parcerias com instituições de pesquisa de renome no Sudeste do Brasil, mais um avanço do processo indutor do desenvolvimento regional assumido pela Suframa. No mínimo, iremos oferecer oportunidades e certezas de um novo tempo para nossos jovens, tão carentes de empregos e chances de utilizar seus talentos, tesouros escondidos que já sabemos como aproveitar.

Seguimos na luta!

Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

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