A indústria de bicicletas do PIM reagiu em julho, depois de emendar 16 meses consecutivos de quedas de produção. No mês passado, o Polo Industrial de Manaus entregou 43.118 bicicletas, o 3,43% a mais do que o volume contabilizado em junho (41.687) – que teve a mesma quantidade de dias úteis. As linhas de produção também avançaram 14,1% em relação ao patamar de julho do ano passado (37.780). Foi a primeira vez que em que o segmento fabril emplacou alta em ambas as comparações, desde fevereiro do ano passado.

Os dados dos primeiros sete meses do ano, contudo, mostram que os fabricantes locais ainda têm um longo caminho pela frente para retomar o campo positivo. De janeiro a julho, 303.883 bicicletas saíram das linhas de montagem do parque industrial de Manaus, o dá uma retração de 18,6% na comparação com o mesmo período de 2022 (373.524). Os números são da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

A estimativa da entidade ainda é de fechar 2023 com 14,9% de queda e 510.000 unidades produzidas – contra as 599.044 bicicletas manufaturadas ao final do exercício anterior. Vale notar que a projeção foi revista para baixo, no mês passado, quando foi divulgada em coletiva de imprensa da Abraciclo. Até então, o PIM trabalhava com a estimativa de fechar o ano com uma quantidade mais generosa de produtos fabricados (570.000) e um decréscimo três vezes menor (-4,8%).

Categorias e exportações

Segundo a Abraciclo, em razão de trabalhar com uma fatia maior de produtos mais sofisticados e caros, o faturamento vem mostrando resultados melhores do que os da produção. Dados da Abraciclo informam que a receita projetada na cadeia de bicicletas para este ano soma R$ 1,01 bilhão em vendas, 11,48% a mais do que em 2022 (R$ 906 milhões) – embora a quantia ainda tenha ficado menor do que o registro de 2021 (R$ 1,17 bilhão).

A base de dados da entidade confirma que o mercado brasileiro continua apostando nas bicicletas tipo Moutain Bike. A categoria lidera o ranking de produção de julho, com 58,9% (25.379) da oferta, retração mensal (-8,4%) e estabilidade anual nas vendas. Foi seguida pela Infanto-Juvenil (23,3% e 5.516) – que decolou em ambas as comparações (+184% e +82,4%) – e pela Urbana/Lazer (13,8% e 6.599) – que foi na direção contrária. Completam a lista as categorias Elétrica (2,4% e 1.050) – que vem galgando posições – e a Estrada (1,5% e 660). As posições foram mantidas no acumulado do ano.

Em julho, o Sudeste foi novamente a região que recebeu o maior volume de bicicletas fabricadas no PIM, respondendo por 50,5% (21.785) da demanda. O segundo lugar do ranking ficou com o Centro-Oeste para onde foram enviadas 7.778 unidades (18% do volume fabricado). Na sequência, vieram o Sul (6.236 e 14,5%), Nordeste (5.509 e 12,8%) e Norte (1.810 e 4,2%). No acumulado do ano, a liderança também é do Sudeste (171.013 e 56,3%), seguido por Sul (55.269 e 18,2%), Nordeste (33.746 e 11,1%), Centro-Oeste (27.536 e 9,1%) e Norte (16.319 e 5,4%).

O aumento de produção encontrou menos eco nas exportações. A comparação de julho (3.142) com junho (1.818) apresentou uma decolagem de 42,14%. Mas o desempenho foi apenas 0,5% superior ao atingido no mesmo mês do ano passado (3.125), sinalizando alguma acomodação nos números. Conforme o levantamento do portal Comex Stat, os principais destinos foram Paraguai (1.872 unidades e 59,6% do total) Uruguai (940 e 29,9%) e Chile (300 e 9,5%). Em sete meses (9.646), entretanto, a retração nas vendas para o estrangeiro se mantém em 29,9%. Os mercados preferenciais, neste caso, foram Paraguai (5.259 e 54,5%), Uruguai (1.734 e 18%) e Bolívia (1.488 e 15,4%).

Abastecimento e juros

No entendimento do diretor executivo da Abraciclo, Paulo Takeuchi,o desempenho da produção resulta do replanejamento das fábricas, levando o desempenho a um ritmo dentro do esperado. O executivo acrescenta que boa parte desse desempenho ocorre em função da normalização do abastecimento de partes e peças importadas para o polo de bicicletas – que tem mais de 50% de seus componentes vindos do estrangeiro.

“A falta de insumos já não ocorre mais, em virtude da normalização em nível global. Temos hoje uma demanda suficiente para produzir todos os modelos desejados. Eventualmente, algum componente mais específico pode ter algum atraso. Mas, de uma maneira geral, o abastecimento já está normalizado”, ponderou o dirigente, em resposta à reportagem do Jornal do Commercio, repassada pela assessoria de imprensa da entidade.

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus e vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo,argumenta que a indústria local de bicicletas continua sendo impactada pela inversão no “mix” de produção, que “freou os volumes” e frustrou “as melhores estimativas” para o setor.

“Oo consumidor está procurando produtos de médio e alto valor agregado, em detrimento dos modelos de entrada. Outros dois fatores que ainda persistem são a escassez de alguns componentes provenientes do continente asiático e a alta taxa de juros que freiam o consumo devido à elevação do custo do financiamento”, avaliou.

Azevedo lembra ainda que os fabricantes estão fazendo um movimento para aproximar as indústrias de componentes com as fabricantes de bicicletas, destacando o potencial de crescimento desse setor e equacionando a deficiência enfrentada pelas indústrias locais. E aponta como fator positivo o início da redução gradual na Selic que, “tudo indica”, deve continuar nas próximas reuniões do Copom. “Acreditamos que, no médio a longo prazo, os volumes de produção serão retomados aos patamares anteriores”, arrematou.

Box ou coordenada: PIM em compasso de espera

Os quatro fabricantes instalados no PIM – Caloi, Sense Bike, Oggi Bikes e Houston Bike respondem por 40% da oferta da indústria brasileira de bicicletas. Desde 2022, o segmento passa por uma crise e, ao contrário do ocorrido na indústria de motocicletas de Manaus, vinha sofrendo quedas de vendas e produção, assim como cortes nas metas de produção.

“Nossos números estão ligados a uma realidade iniciada no segundo semestre de 2022, quando vimos redução na demanda, passado o período mais difícil da pandemia. Viramos o ano com uma média de estoques muito acima do planejado. O que a gente pode esperar para o segundo semestre vai depender da realidade do varejo”, resumiu o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, durante a coletiva de junho.

O dirigente contou que todas as fabricantes atuam em “parceria muito forte” com seus canais de venda e clientes em planos de sell-out, priorizando a “proteção do caixa e a redução de inventários”, sob o impacto de uma “realidade de mercado de muitas promoções”. De acordo com Gazola, o maior problema é o “aperto no crédito e a gestão de risco”, o que traz dúvidas quanto ao poder de atração do Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Segundo o executivo, os planos de investimentos estão mantidos até 2024, mas a indústria “aguarda notícias melhores para programar os anos posteriores”.

Fonte: JCAM

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