Indicadores da Suframa para o mês de abril mostra manutenção de
alta no faturamento nas indústrias do Polo Industrial de Manaus
Quadrimestre tem avanço no emprego
Foto: Divulgação
MARCO DASSORI
@marco.dassori
@jcommercio
O PIM fechou o quadrimestre no azul e com novo avanço nos empregos. Puxado pelos polos de duas rodas, metalúrgico e mecânico, o faturamento nominal em reais escalou 15,03%, ao passar de R$ 65,77 bilhões (2024) para R$ 74,51 bilhões (2025). Foi o melhor desempenho dos últimos dez anos, em um ambiente em que a inflação medida pelo IPCA do IBGE acumulou expansão de 5,53%, nos 12 meses encerrados em abril. Já a conversão em moeda americana gerou uma discreta subida de 0,21%, com US$ 12,91 bilhões (2025) contra US$ 12,89 bilhões (2024), em um período em que o dólar se valorizou em 9,44%, conforme dados do Banco Central (BC).
O faturamento, contudo, perdeu força na passagem de março (R$ 19,42 bilhões e US$ 3,38 bilhões) para abril (R$ 18,01 bilhões e US$ 3,18 bilhões) em ambas as medidas (-7,26% e -5,92%, respectivamente). Na comparação com abril de 2024 (R$ 16,62 bilhões e US$ 3,21 bilhões), houve incremento em reais (+8,36%) e decréscimo em dólar (-0,93%).
O emprego, por outro lado, se manteve estável em abril e com elevação de dois dígitos ante o mesmo mês no ano passado, com média mensal de 131.446 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. Os números são dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados nesta quinta-feira (5), pela Suframa.
De janeiro a abril, apenas dez dos 26 subsetores listados faturaram mais, em mês positivo para duas rodas e negativo para eletroeletrônicos, bens de informática e químico, por exemplo. As melhores performances proporcionais vieram dos segmentos de vestuário e calçados (+36,85% e US$ 2,37 milhões), seguido de longe pelo polo mecânico (+18,61% e US$ 1,27 bilhão) e relojoeiro (+17,22% e US$ 89,99 milhões), entre outros. Na outra ponta, os piores tombos ficaram nas divisões de couros e similares (-37,72% e US$ 2,04 milhões), produtos alimentícios (-14,25% e US$ 56,43 milhões) e de isqueiros, canetas e barbeadores descartáveis (-10,54% e US$ 167,83 milhões).
Os subsetores de bens de informática e de eletroeletrônicos, que somam quase metade dos resultados do PIM, reforçaram queda. O primeiro desceu 4,73% (US$ 2,84 bilhões), respondendo por 21,99% do faturamento do Polo. A indústria eletroeletrônica mergulhou 8,73% (US$ 2,03 bilhões) e teve seu share reduzido para 15,71%. Ainda aquecido, o subsetor de duas rodas (+5,73% e US$ 2,57 bilhões) sustentou fatia de 19,93% nas vendas globais. A lista de participações se completa com os segmentos de “outros produtos” (15,96% do bolo), químico (10,23%), termoplástico (8,35%) e metalúrgico (7,58%).
Produção e empregos
Um dos aumentos mais expressivos de produção do PIM contabilizados no acumulado do ano veio da divisão de monitores com tela de LCD, para uso em informática, com 1.235.414 unidades e alta de 29,38%. Outros resultados positivos vieram das linhas de fabricação de relógios de pulso e de bolso (+25% e 2.620.711); condicionadores de ar tipo split system (+18,55% e 2.159.078); motocicletas, motonetas e ciclomotores (+14,58% e 714.612); TVs com tela de LCD e OLED (+8,05% e 4.875.528).
Em contraponto, produtos tradicionais do Polo ainda amargam quedas, como celulares (-22,99% e 3.634.361) e microcomputadores portáteis (-31,36% e 135.347), entre outros.
O nível de empregos do PIM, por outro lado, desacelerou na variação mensal, mas se manteve crescente na base anual. A média obtida em abril foi de 131.446 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados, ficando estatisticamente estável (-0,19%) em relação a março (131.702). A comparação com abril do ano passado (119.157), entretanto, confirmou incremento de 10,31%. A média de trabalhadores acumulada no primeiro quadrimestre (131.625) supera em 6,36% a média do “ano cheio” de 2024 (123.758).
Os melhores índices de crescimento de empregos vieram de subsetores minoritários no PIM, como os de “material de limpeza de velas” (+18,60% e 51 trabalhadores) e madeireiro (+15,42% e 756), além do polo mecânico (+12,07% e 7.324). Na outra ponta, estão os segmentos de produtos alimentícios (-9,53% e 2.270) e editorial e gráfico (-8,72% e 858). Dentro do grupo de mão de obra estritamente efetiva, o Polo fechou o trimestre com a criação de 3.406 novas vagas, com 16.285 admissões e 12.879 demissões. A performance ainda está distante do recorde atingido nos 12 meses de 2024 (8.793).
“Motor econômico”
Em texto veiculado pela assessoria de imprensa da Suframa, o titular da autarquia, Bosco Saraiva, avaliou que os números de geração de empregos, aliados ao crescimento nominal do faturamento em reais, confirmam acerto na política econômica do governo federal e a resiliência do PIM.
“O bom desempenho de diversos setores, como duas rodas, metalúrgico e mecânico, mostram também que temos um Polo diversificado e com dinamismo. Da nossa parte, a Suframa continuará trabalhando para fortalecer todos os segmentos e impulsionar a inovação tecnológica e o ambiente de negócios da Zona Franca de Manaus”, comemorou.
O contador, consultor do CIEAM e professor universitário André Costa considera que os números da Suframa estão alinhados com o que era esperado para o PIM.
“Muito devido ao feriado de Páscoa, e à menor quantidade de dias úteis, quebramos o ritmo ascendente que se estabelecia desde janeiro. Dentre os subsetores, o de motocicletas se sobressaiu, enquanto bens de informática e eletrônicos interromperam a recuperação que estavam ensaiando. Há uma expectativa de que, em maio, o faturamento volte a subir bastante, e os dados de importação apontavam para isso. É bem provável que as empresas estejam com estoques elevados para ser desaguado nesse período”, analisou.
Já o presidente da FIEAM e presidente em exercício da CNI, Antonio Silva, considerou que o saldo dos Indicadores ainda foi positivo, em face da atual conjuntura.
“Os registros reforçam que o Polo Industrial de Manaus permanece como principal motor econômico do Amazonas e um dos mais relevantes do país. O número recorde de empregos representa uma massa salarial significativa que alicerça toda a dinâmica econômica estadual. São números expressivos como esses e o de faturamento que consolidam o modelo e atraem novos investimentos para a região. A expectativa é que o PIM permaneça em tendência de crescimento, ainda que suscetível a oscilações decorrentes do cenário de instabilidade econômica e política”, arrematou.
Fonte: JCAM



