Após a divulgação do relatório que sinaliza para reconstrução do trecho C, especialistas alertam para o tamanho do trabalho pela frente.

O relatório do Grupo de Trabalho da BR-319 (GT-BR 319) atestando a viabilidade econômica e ambiental da reconstrução da rodovia que liga Manaus a Porto Velho (RO) é apenas o primeiro passo para a realização da obra de pavimentação do trecho C, que vai do km 250 até o km 665,7. Conseguir o licenciamento é o próximo e mais difícil passo, avaliam políticos e especialistas em meio ambiente.

O senador Plínio Valério (PSDB), uma das vozes da oposição ao Governo Lula no Senado, disse que o relatório do grupo de trabalho corresponde a esperança que ele tinha e comprovou a viabilidade da estrada tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.

Tinha esperança que o estudo fosse favorável e ele mostra claramente esta viabilidade, mas os ambientalistas vão começar a mentir, como sempre, e nosso trabalho será propagar até pelo mundo que não se trata de abrir uma estrada, mas sim asfaltá-la“, analisou o senador.

Plínio Valério destacou do relatório a construção das 172 passagens para animais, uma a cada 2,5 quilômetros, e os 500 quilômetros de cercamento das margens.

Isso vai ser feito, vamos batalhar para que a obra seja executada, mas quero ver agora o que os falsos ambientalistas vão dizer“, desafiou o senador.

Professor da Universidade Federal do Amazonas, Sérgio Oliveira, afirma que o relatório é um sinal, um desejo do Governo Federal, da área de transportes, mas até o momento não há uma palavra do Ministério do Meio Ambiente e do órgão executor da política ambiental, que é o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Qual foi a participação da área ambiental neste relatório? Nenhuma. Como podemos compreender que agora a pavimentação do trecho central vai sair?”, questiona, lembrando que o estudo foi conduzido e escrito apenas por técnicos do Ministério dos Transportes.

O deputado federal Saullo Vianna (União Brasil) apenas ressalta a importância do relatório que faz o enfrentamento com os que são contrário e desafiou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a ler o trabalho ao lado dele.

Gostaria de ler este relatório ao lado da Ministra Marina Silva, que diz que, historicamente, a ausência de pavimentação não garantiu a preservação ambiental e o respeito às comunidades tradicionais na região. Pelo contrário, a pouca acessibilidade e, consequentemente, menor presença do Estado reforçam a criminalidade e o desmatamento”, afirmou Vianna, pedindo sensibilidade de Marina para licenciar a obra.

Conclusões do GT-BR 319 é jogo para plateia

Um servidor da superintendência do Ibama, que pediu para não ser identificado, classificou o relatório do GT da BR-319 de “jogo para plateia”, dizendo que em nada acrescenta ao processo de licenciamento da obra de pavimentação do trecho central.

Este servidor lembrou palavras de Marina Silva ditas na CPI das Ongs, diante de Plínio Valério e senadores e Rondônia, lembrando que há trechos licenciados pelo Ibama que até hoje não entraram em obras e citou que somente em 30 de abril deste ano o Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (DNIT) abriu licitação para a reconstrução de 20 quilômetros no início do trecho C e que já tinha autorização do Ibama para fazê-lo há quase dez anos.

Este servidor também crítica a principal medida mitigadora às ameaças de desmatamento do trecho mais preservado da floresta amazônica proposta no relatório.

“Você acredita mesmo que criminosos ambientais vão ser barrados por uma cerca? Olha o que acontece com a cerca que a prefeitura colocou no canteiro central da avenida Djalma Batista”, disse, citando estrutura que foram destruídas por pedestres que preferem cruzar a avenida sem fazer uso das passarelas.

Gerson Severo Dantas

Fonte: Real Time 1

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