Manaus – Segundo o empresário e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, em entrevista para o EM TEMPO, com os casos de Covid-19 em alta, a saída para a reativação da atividade econômica no Amazonas passa pelo pleno funcionamento da BR-319, dentre outras questões de alta relevância. “O mundo inteiro viu as carretas que transportaram o oxigênio atoladas na lama da negligência”, desabafa a propósito da rodovia.

EM TEMPO – Com a retomada da produção em tempo integral No Polo Industrial de Manaus (PIM), quais são as metas para reativar a economia?

Nelson Azevedo – Temos algumas prioridades, uma delas é uma expectativa antiga e legítima, chamada BR-319, nossa conexão com o resto do país. A outra é resgatar o papel do programa Zona Franca de Manaus (ZFM) para substituir importações. Hoje temos escassez de alguns suprimentos para atender o PIM e a indústria nacional. E suprimentos são o tipo de mercadoria que pode, tranquilamente, ser transportada por via terrestre. E com certeza não vai devastar a Amazônia.

EM TEMPO – Em seu último artigo há uma grande insistência sobre a necessidade de união entre todos para resgatar a economia dos estragos causados pela Covid-19. Como este apelo pode agilizar as duas metas?

Nelson Azevedo – Sem união de todos, não teremos a reconstrução da BR-319. Aparecem muitos pais dessa criança, mas ela já está adulta. Somente abandonada à espera que o setor público faça seu dever. Além do setor produtivo, comércio, indústria e agricultura, os três entes federativos, a classe política, a mídia, as instituições públicas e privadas, precisam gritar por esse direito. Como seria, imagine você, se um dia a população de Manaus precisasse ser evacuada? O mundo inteiro viu as carretas que transportaram o oxigênio atoladas na lama da negligência.

 

Nelson Azevedo, empresário e vice-presidente da Fieam
Nelson Azevedo, empresário e vice-presidente da Fieam | Foto: Divulgação

EM TEMPO – E com relação ao adensamento/diversificação industrial do Distrito?

Nelson Azevedo – Também aí precisamos de união. Além de defender o empreendimento de cada um, é preciso lutar, prioritariamente, pela manutenção e fortalecimento do programa ZFM. Estamos às vésperas de uma reforma tributária. É preciso assegurar a legitimidade de nossos direitos. Isso só se faz com a união da sociedade e seus representantes no Parlamento. Este é o único caminho para salvar os empreendimentos e empregos do Amazonas. E nós estamos precisando gerar muitos empregos.

EM TEMPO – E as outras metas de retomada da atividade econômica?

Nelson Azevedo – Em um brilhante artigo sobre o papel da quarta revolução industrial, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, relacionou o maior investimento em ciência, tecnologia e informação, e compromissos rigorosos com a sustentabilidade socioambiental, como sendo a premissa de nossa virada para reduzir o atraso. Hoje, as indústrias que contratam os serviços avançados em Indústria 4.0 oferecidos pela Fundação Paulo Feitoza-Tech estão mostrando maior desempenho produtivo e efetiva redução de custos.

EM TEMPO – E o que a quarta revolução industrial tem a ver com isso?

Nelson Azevedo – Um dos gargalos que podem comprometer o desempenho da indústria brasileira, Manaus incluída, é a redução dos investimentos em pesquisa e inovação. O Brasil ocupa o quadragésimo quarto lugar em investimentos científicos, mas ocupa a traseira do ranking mundial nos investimentos em tecnologia, onde poderíamos evoluir na direção 4.0.

EM TEMPO – E a que se deve isso?

Nelson Azevedo – Este é um problema crônico dos nossos gestores. Desde 1995 passamos a contingenciar este Fundo que nos permitiu consolidar a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Embraer e o Programa do Álcool combustível. Em função da crise sanitária, em lugar dos investimentos em pesquisa para fabricar uma vacina brasileira, o governo contingenciou R$ 9 bilhões de reais do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Gastaremos muito mais do que os países que investem em ciência e tecnologia por causa disso. E ainda temos que ficar na fila para comprar vacina. Decididamente, agronegócio a parte, não somos um país competitivo.

“União de todos inclui também os atores sociais voltados para a economia e o desenvolvimento regional

Nelson Avezedo, Vice-presidente da Fieam

EM TEMPO – E em que medida a união de todos nós ajudaria a sair do buraco?

Nelson Azevedo – Nossos problemas, com relação aos gargalos da infraestrutura, começam nessa desarticulação. Por que não atribuir à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) a coordenação da presença federal na Amazônia Ocidental? E por que os três entes federativos, por sua vez, também não se afinam em nome do interesse público? Se assim não fosse, já teríamos recuperado a BR-319, resolvido o problema da internet e nossa logística dos transportes seria competitiva.

União de todos inclui também os atores sociais voltados para a economia e o desenvolvimento regional, com destaque para nossa categoria parlamentar amazônica. Diria que a solução dos problemas está ao nosso alcance e nos pede apenas a união de forças para resolvê-los.

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