“Ou alguém pode duvidar de nossa capacidade de aprender a fazer EPIs em tempo recorde? Se a necessidade era projetar e fazer respirador mecânico, fizemos. Não há mais mistério o que existe são dilemas: manter a dependência asiática ou construir a autonomia Industrial, continental, em blocos de reciprocidade inteligente”.

(*) Nelson é economista, empresário e vice-presidente da FIEAM e presidente do SIMMMEM

Nelson Azevedo (*) nelson.azevedo@fieam.org.br

Substituição de importações: qual é a chance do Programa Zona Franca de Manaus ser retomado –  no esplendor de seus acertos – e a partir do ponto em que descuidamos essa decisiva missão? Nos anos 70/80, um período em que estávamos focados exclusivamente em substituir insumos e mercadorias importadas, as autoridades econômicas aplaudiam nosso desempenho. Chegamos a extrapolar a tarefa original cumprindo uma pauta de exportações que foi-se mantendo com altos e baixos ao longo do tempo.

Podemos ir além 

Retomar o desafio original de substituição das importações é uma pergunta de bom senso, considerando os dados da realidade. Os desastres provocados pela desordem do fornecimento, especialmente com os itens necessários ao enfrentamento da pandemia, nos deixaram uníssonos na resposta: sim, temos todas as chances! Podemos ir até além daquilo que nos julgávamos capazes. Depender do mercado em 95% em alguns segmentos industriais não é apenas temeridade. É comodismo, ou preguiça institucionalmente enraizada. Nunca mais devemos  aceitar ser mero figurantes na cadeia global dos suprimentos, uma rotina que deu suporte ao Polo Industrial de Manaus nos últimos 10 anos. E não foi só aqui: as plantas industriais se esvaziaram nos quatro cantos do planeta, incluindo um parceiro histórico do Brasil chamado Japão, o primeiro a anunciar a quebra viciosa dessa corrente insana.

Bom Companheiro 

Cabe lembrar, também, que os japoneses foram os primeiros a apoiar a ZFM nos primórdios do comércio e depois na consolidação da indústria. Mas também – não podemos esquecer – eles trouxeram a juta e a malva, após a quebra do Ciclo da Borracha, alem de suas tecnologias agrícolas no setor hortifrúti. Eles, certamente, verão com bons olhos trazer de volta para a Amazônia suas empresas à vista da prazerosa acolhida com que são recepcionados nesta região historicamente . Podemos, sim, retomar em novas bases, e com o talento e a obstinação de nossos jovens, familiarizados com a inovação, com a teimosia atávica que nos aproxima rapidamente das utopias quando formamos o mutirão da partilha e da solidariedade.

Parcerias inadiáveis

Isso nos deve, ainda, estimular outras parcerias em nome de nossas vocações adicionais de negócios. Por que não convidar empreendedores canadenses, ou aqueles do Leste Europeu, acostumados às tecnologias de exploração sustentável dos recursos naturais. Sem xenofobia muito menos ingenuidade ou paranóias como a da CPI da Biopirataria que expulsou empresas com renome como a Novartis que tentou fazer de nossa biodiversidade uma cadeia de negócios e de prosperidade como fizeram, depois, em Singapura, empinando seu crescimento e benefícios sociais.

O imperativo da renovação tecnológica 

Quando substituímos importações de bens duráveis, nós nos demos conta que era preciso apostar em tecnologias inovadoras, que chamávamos de know-how. Assim, passamos a ajudar o “Milagre  Brasileiro” com um crescimento anual de mais 10% do PIB. Tínhamos recursos e necessidades de investimentos, mas aos poucos este Brasil nos vetou porque parou de crescer a partir dos anos 90. Passamos a cumprir uma rotina burocrática e, no final, perversa, chamada PPB, uma exigência formada por representantes de regiões mais abastadas, que nos impunham restrições e vetos disfarçados. Fomos proibidos de fazer e, o que é pior, eles não fizeram.

Não há mistérios, apenas dilemas 

Os tempos são outros – e com a pandemia, mudou radicalmente – e nosso portfólio de habilidades e possibilidades também mudaram, para melhor e não havíamos nos dado conta . Ou alguém pode duvidar de nossa capacidade de aprender a fazer EPIs em tempo recorde? Se a necessidade era projetar e fazer respirador mecânico, fizemos. Não há mais mistério o que existe são dilemas: manter a dependência asiática ou construir a autonomia Industrial, continental, em blocos de reciprocidade inteligente. Se é para fazer não há tempo a perder nem razão para burocratizar. Basta acreditar, soltar a imaginação criativa e a cumplicidade proativa de que somos capazes!

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