Danilo Oliveira

Universidade do Estado do Amazonas, que atualmente tem cerca de 170 alunos matriculados nessa graduação, completa 10 anos do primeiro vestibular do curso. Reitor fala em ampliar cooperação para pesquisas e intercâmbios

Após 10 anos do primeiro vestibular de seu curso de Engenharia Naval, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) faz um balanço positivo da formação e pretende avançar na ampliação do corpo docente e na captação de investimentos para a infraestrutura laboratorial, além de dar suporte ao fortalecimento das pesquisas em projetos de engenharia naval no estado. A instituição, que já formou 80 alunos nesse curso, atualmente tem 174 matriculados.

“Na medida das nossas possibilidades orçamentárias, temos conseguido ampliar os investimentos em sala de aula e em laboratórios, mas ainda é pouco perto do potencial que o curso tem e do que podemos fazer. Nosso planejamento é conseguir fortalecê-lo nos próximos três à frente da gestão”, projetou o reitor da UEA, André Luis Nunes Zogahib, em entrevista à Portos Navios.

Ele ressaltou que o Amazonas é o maior estado em extensão territorial do país, com dificuldades logísticas que dependem essencialmente do transporte hidroviário. Zogahib destacou que a universidade participa de feiras e exposições e que os professores do curso têm feito projetos de relevância que envolvem pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&DI).

A diretora da UEA, Ingrid Sammyne Gadelha Figueiredo, acrescentou que houve uma dificuldade inicial para levar professores para o curso porque não havia profissionais com mestrado na área para dar aula no curso e porque trazer professores de outras regiões naquele período competia com o aquecimento do mercado de Engenharia Naval, principalmente no Rio de Janeiro, por conta dos projetos relacionados ao pré-sal. “Passamos por períodos em que fizemos concurso para Engenharia Naval e não conseguimos professor. Havia dificuldade porque não conseguíamos trazer para cá interessados em atuar nessa área na de Engenharia Naval”, lembrou.

Ingrid disse que o curso parceiro de Tecnologia de Construção Naval tem um papel importante para os alunos do interior do estado que precisam dessa formação para atuar nessa área. “A universidade tem essa visão da importância do polo naval para nosso estado e da infraestrutura naval para desenvolvimento do transporte de pessoas e de toda logística de atendimento, suporte e infraestrutura para nosso estado”, afirmou.

O professor adjunto da Escola Superior de Tecnologia da UEA, José Luiz Sansone, contou que o curso de Engenharia Naval da UEA foi lançado em 2011 em uma reunião do polo naval na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), com apoio da Seplan (Secretaria Estadual de Planejamento) e do curso de Engenharia Mecânica, que contava com 26 anos de existência, além de professores e laboratórios. No ano seguinte, os idealizadores e representantes do governo do Amazonas participaram da Navalshore no Rio de Janeiro e conheceram laboratórios de Engenharia Naval e corpo docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O primeiro vestibular do Curso de Engenharia Naval da UEA foi realizado em 2013. O curso chegou ao final de 2022 com 5 professores, sendo 3 doutores e 2 mestres da área de Engenharia Naval, além de um temporário com pós-doutorado pela UFRJ. Em 2021, a UEA refez o PPC (projeto pedagógico de curso) da área de Engenharia Naval da UEA, a fim de melhorar o curso, já com a ajuda dos doutores e mestres na área.

A UEA também ministrou aulas para o curso especial de tecnólogo em construção naval em Itacoatiara e Tefé, sob a coordenação do professor Alex Monteiro, além da avaliação de 33 projetos completos na área de construção naval. “Temos um curso de especialização já pronto na área de Engenharia Naval e temos um termo com a UFRJ que, certamente, nos ajudará com professores vindos do Rio de Janeiro para fazermos um curso modular de especialização na construção naval. Já temos tabulado isso”, adiantou Sansone.

O professor-adjunto mencionou que, em 2021 a UEA participou de uma equipe, comandada pela professora Marina Aranha, que ficou em 4º lugar num campeonato mundial promovido pela Associação Americana de Ferry Boat, competindo com universidades da Europa, América do Norte, Ásia e América do Sul. A UEA, participou com docentes da UFPA e UFRJ e alunos da UEA na confecção do projeto para otimizar pela metade o tempo da viagem no trecho Manaus-Tefé, atualmente feita em 48 horas.

O mestrando Mateus Oliveira Araújo, ex-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval), defende parcerias com instituições de outras regiões para ampliar as especializações dos professores do curso da UEA. Ele destacou que a indústria naval do Amazonas não depende do governo e de contratos com a Petrobras, mas principalmente da vontade dos empresários para melhoria dos mais de 25.000 quilômetros de rios navegáveis, o que representa oportunidades para a universidade.

Araújo também sugere que a UEA amplie o intercâmbio com instituições de ensino de outros países. “Construímos embarcações fluviais e somos uma ‘ilha fiscal’: temos aqui um regime drawback para a importação de insumos, produção e exportação a custo zero. Esse é nosso diferencial, temos que aproveitar a universidade dentro desse contexto. Precisamos conhecer outros cursos além de nossas fronteiras”, propôs Araújo.

O reitor da UEA salientou que a universidade já firmou uma série de acordos de cooperação internacional com instituições nos EUA, Europa, Austrália, Nova Zelândia e na Ásia e pretende inserir especificamente o curso de Engenharia Naval nessas parcerias. “Trabalhamos questões de mobilidade, intercâmbio entre professores e alunos. A ideia é conseguirmos expandir também para o curso de Engenharia Naval também”, revelou Zogahib.

Fonte: Portos e Navios

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