Verbas e atitudes mostram a presença das empresas e sua responsabilidade social e compromisso com a sociedade neste momento de dor.

——Nelson Azevedo(*) nelson.azevedo@fieam.org.br ——

Com o Estado do Amazonas e do Amapá batendo recordes nacionais nas estatísticas da Covid-19, sinal evidente do despreparo para enfrentar calamidades e fragilidade de nosso sistema de saúde, a Suframa –  autarquia que administra a política fiscal da Amazônia Ocidental e Amapá, na perspectiva do desenvolvimento econômico e social – não poderia ficar de fora. Sua iniciativa está consubstanciada na Portaria nº 320, assinada nesta semana pelo superintendente Alfredo Menezes. Chama-se ‘ProCovid-19’ e define priorização de projetos para combater a pandemia. Os recursos vêm das empresas de Informática que aplicam um percentual de seus lucros em programas de PD&I regionais, pesquisas, desenvolvimento e inovação.

Demandas da sociedade 

Alguns institutos já recebem esses recursos das empresas e consolidaram um portfólio de expertises em desenvolvimento tecnológico de produtos, já estão respondendo a essa demanda da sociedade, criando aqui soluções efetivas para atender a dramaticidade da situação. Respiradores, EPIs, equipamentos de proteção social, álcool em gel, foram alguns desses resultados. Verbas e atitudes mostram a presença das empresas e sua responsabilidade social e compromisso com a sociedade neste momento de dor

Mutirão da solidariedade 

A lista das empresas que permitiram publicar seus nomes e contribuições foram sistematizadas pelas entidades da indústria FIEAM e CIEAM. Outras, porém, preferiram o anonimato de seus gestos, registrados junto aos órgãos públicos que recebem e distribuem as doações. A coleta de alimentos vão para as famílias dos desempregados, trabalhadores autônomos e outros que, no setor de varejo e serviços,  dependem das comissões de desempenho. Com os estabelecimentos fechados pela pandemia, a sobrevivência ficou difícil.

Acertos e avanços 

Este é o nosso setor produtivo, a base material da economia que gera emprego, oportunidades e receita pública. Mesmo na iminência de mais uma recessão, com riscos reais de agravamento depressivo para a economia, a movimentação solidária das empresas é algo digno de orgulho e aplausos, extensivos à Suframa que, há 53 anos, gerencia este acerto fiscal chamado Zona Franca de Manaus. Nesse período, considerando o desempenho do Polo Industrial de Manaus em 2019, em torno de R$100 bilhões anuais, e o generoso repasse de recursos deste para a Conta única –  a famigerada parte do Leão – quanto nossas empresas já contribuíram com a gestão federal do Brasil?

E se a riqueza fosse aqui aplicada?

Vale anotar que estes recursos, que incluem as taxas da Suframa, destinados, pela Constituição Brasileira, à redução das desigualdades regionais, são contingenciados, há décadas, pela União para finalidades nem sempre justas ou transparentes. São recursos que já teriam propiciado um patamar mais robusto no crescimento da pesquisa. Quantos laboratórios e produtos nossa indústria já teria desenvolvido – para a prosperidade e saúde de nossa gente na Amazônia e no Brasil – se aqui esses bilhões fossem aplicados nos talentos de nossa juventude e nas oportunidades infinitas de nossa biodiversidade.

(*) Nelson é economista, empresário e vice-presidente da FIEAM, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas e presidente do Sindicato da Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânica e de Material Elétrico de de Manaus

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