Artigo do presidente da Eletros, José Jorge Nascimento Júnior, destaca papel da ZFM como exemplo mundial de economia verde e geração sustentável de riqueza na Amazônia.

Por José Jorge Nascimento Júnior

Publicado em: 10/11/2025 às 18:19 | Atualizado em: 10/11/2025 às 18:22

Há mais de meio século, a Zona Franca de Manaus (ZFM) representa um dos pilares mais sólidos da política industrial e ambiental brasileira. Criada em 1967, essa iniciativa transformou a Amazônia em um exemplo singular de que é possível conciliar preservação ambiental, geração de empregos, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico, uma equação rara e estratégica para o país.

A ZFM não pode ser visto exclusivamente como um polo industrial incentivado. Fato é, que ela é um modelo de política pública que integra o Norte do Brasil à economia nacional e global, ao mesmo tempo em que protege o maior patrimônio ambiental do planeta, a Floresta Amazônica. O polo industrial de Manaus reúne empresas que produzem bens de alta tecnologia, desde eletroeletrônicos a motocicletas, e sustenta milhares de famílias em toda a região.

Em 2024, o Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou faturamento recorde de R$ 204,39 bilhões, crescimento de 16,24% em relação a 2023; e, no primeiro trimestre de 2025, o PIM teve alta no faturamento de 15,61% sobre igual período do ano anterior, segundo dados do Governo Federal. Esses números confirmam a vitalidade do parque produtivo local e sua contribuição para a economia nacional. A movimentação de mercadorias em área de abrangência da SUFRAMA atingiu R$ 64,89 bilhões em 2024, sinalizando intensa atividade econômica e efeitos de interiorização do desenvolvimento na Região Norte. É a ZFM contribuindo com o comércio, indústria e serviço em vários estados país.

Do ponto de vista social, o impacto também é claro, já que a indústria da ZFM ampliou sua base de trabalhadores alcançando mais de 130 mil pessoas e os registros de emprego e faturamento mantêm tendência de crescimento. São mais de 500 mil postos de trabalho diretos e indiretos só no Amazonas. As contrapartidas obrigatórias das indústrias aos trabalhadores proporcionam maior qualidade de vida, segurança e apoio as famílias, principalmente nas áreas de saúde e educação, visto em poucos lugares do país e desafogando a demanda aos serviços públicos de educação e saúde.

A literatura acadêmica e estudos técnicos apontam que a presença de um polo industrial competitivo no coração da Amazônia alterou, no longo prazo, alternativas econômicas locais e reduziu a pressão por desmatamento. Como a matriz econômica é baseada em indústrias sem chaminés e com compromisso e ações ambientalmente adequadas, a ZFM contribui diretamente com a manutenção dos 97% da preservação da floresta. Esse é o maior legado das indústrias e que deve ser valorizado.

Além disso, a Zona Franca de Manaus abriga linhas de produção modernas, automatizadas e ambientalmente corretas, responsáveis pela fabricação de produtos de alta eficiência energética, como os condicionadores de ar de última geração. Esses equipamentos seguem padrões internacionais de desempenho, reduzem o consumo de eletricidade e contribuem para a sustentabilidade ambiental e para o cumprimento das metas climáticas brasileiras. O polo de climatização instalado em Manaus, segundo maior do mundo ficando atrás somente da China, é hoje referência global, emprega tecnologia limpa, adota processos industriais de baixíssima emissão e assegura que o Brasil produza localmente bens estratégicos, eficientes e alinhados às melhores práticas ambientais.

Por fim, a continuidade e o aprimoramento da Zona Franca de Manaus devem ser tratados como política de Estado, não como mera questão fiscal. Os benefícios são múltiplos: geração de emprego e renda, interiorização da indústria, estímulo à inovação, e comprovadamente, contribuição para reduzir pressões sobre a floresta amazônica. Potencializar investimentos para fortalecer o modelo, com ênfase em sustentabilidade, logística e capacitação tecnológica, amplia seu papel como ativo estratégico do país, capaz de conciliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental.

Defender a ZFM é defender um modelo que transforma floresta em capital vivo que preserva bens ambientais enquanto cria oportunidades produtivas. A oportunidade é seguir articulando políticas ambientais, industriais e de pesquisa para que o Polo Industrial de Manaus se torne ainda mais referência não só em produção, mas em desenvolvimento econômico sustentável.

*O autor é presidente da Eletros.

Fonte: BNC Amazonas

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui