Afirmação foi feita pelo atual diretor-adjunto da entidade, Augusto Barreto Rocha, durante a Norte Export 2023, que está sendo realizada em Manaus

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) defendeu, nesta terça-feira (4), durante o Norte Export 2023 – evento voltado para discutir infraestrutura de logística na Amazônia, realizado em Manaus – que a Zona Franca de Manaus (ZFM) pode atender a demanda de países da América do Sul por bens de consumo. No entanto, ainda seria necessário um amplo investimento em portos para permitir o escoamento dos produtos manufaturados.

“Temos uma série de oportunidades, mas precisamos de infraestrutura, porto, retroporto, com uma infraestrutura adequada e acessibilidade para o interior do estado. Porque se não houver isso, quem vai atender o mercado motocicletas da Colômbia será o Japão. Continua sendo a mesma Honda e Yamaha, mas eles vão por onde é mais barato e simples transportar”, pontuou Augusto Barreto Rocha, diretor adjunto da Fieam.

A Fieam reclamou da estigmatização de subsídios e reforçou que toda indústria global recebe esses benefícios para transportar a produção final. Para a federação, ainda não houve uma discussão séria para viabilizar uma operação de exportação para a Colômbia a partir de Manaus.

“Entendo que há a oportunidade para o Suriname, Colômbia e Peru. Com a Venezuela, que tem acesso rodoviário, Manaus tem uma mega oportunidade de exportação e de dobrar o Polo Industrial de Manaus. A gente não voltou para o pico histórico desse Polo que era 41 bilhões de dólares”, adicionou.

O superintendente interino da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Marcelo Souza Pereira, também participou do painel sobre o papel da ZFM na reindustrização do país, afirmou que é necessário mudanças no Processo Produtivo Básico (PPB) para evitar que produtos que representam a maior fatia do faturamento da ZFM “entrem em obsolescência”.

Para ele, o PPB que viabiliza a aplicação dos incentivos nos parques fabris, é defasado porque permite vontades aleatórias impeçam a produção, mas defendeu sentar com os setores produtivos do modelo antes de introduzir alternativa ao PPB a fim de evitar ferir empregos.

“6 a 10 produtos que dominam a pauta de faturamento da Zona Franca não caiam na obsolescência tecnológica e saiam de mercado, mas que a gente consiga renovar as atualizações e aprovações do PPB ou melhor talvez esteja na hora de mudarmos a forma de autorizarmos a produção na ZFM. O PPB é um metódo arcaico”, avaliou.

Uma forma apontada pelo superintendente interino para evitar a essa obsolescência é a diversificação do hall de produtos produzidos no polo através a ampliação da indústria de semicondutores já instalada no modelo.

“O processo tecnológico dos produtos faz com que o setor de semicondutores seja essencial dentro da Zona Franca de Manaus. O semicondutor não é um bem final, mas é talvez o maior componente de todo e qualquer produto”,

Marcelo ainda avaliou como “perigoso” mexer nos regulatórios da Zona Franca sem definir primeiramente qual é a receita da reforma tributária.  A reforma tributária discutida no Congresso quer substituir todos os impostos por um só o Imposto de Valor Agregado (IVA).

“Partindo do pressuposto que vamos ter uma alíquota alta do IVA, aí podemos negociar a Zona Franca com benefício fiscal. Mas não sabemos qual é essa alíquota. Então hoje é perigoso mexer porque piora e tira a vantagem competitiva”, projetou Marcelo.

Fonte: ACRÌTICA

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