Economia do Amazonas cresce 2,87% em um ano, impulsionada
pela indústria de transformação e construção

Por Marco Dassori

Puxado pela indústria e pela construção, o PIB do Amazonas somou R$ 44,43 bilhões, no primeiro trimestre. Em um período de baixa sazonal no consumo das famílias, o Produto Interno Bruto estadual tombou 3,01% diante do trimestre anterior, já descontada a inflação.

A soma de bens e serviços produzidos pelo Amazonas, contudo, teve alta real de 2,87% diante do mesmo período do ano passado, a despeito da conjuntura de juros no topo e repiques inflacionários em decorrência da guerra no Oriente Médio. A mesma dinâmica foi verificada na medida sem o IPCA (-1,14% e +7,13%, na ordem).

O Estado começou o ano na contramão da média nacional, na variação trimestral. De janeiro a março, o PIB do Brasil totalizou R$ 3,30 trilhões, em desempenho 1,1% mais robusto do que o verificado nos três meses finais de 2025.

O Amazonas saiu-se melhor na comparação com o primeiro trimestre do exercício anterior, medida em que o Produto Interno Bruto nacional cresceu 1,8%.

É o que revela o estudo da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), a partir da sondagem das Contas Nacionais do IBGE. A base de dados está disponível no Portal do Planejamento (https://portaldoplanejamento.am.gov.br/pib-trimestral/).

Outro diferencial do Estado veio do desempenho de suas atividades. O PIB brasileiro do começo do ano foi movido principalmente pelo agronegócio e pela indústria extrativa.

A alta do PIB amazonense na base anual foi lastreada principalmente pela indústria de transformação e pela construção, que avançaram 10,77% e 10,61%, em preços correntes.

A agropecuária (+26,99%), que é minoritária no bolo, também merece destaque, por apresentar a maior taxa de expansão. Os serviços (+7,09%), que respondem pela maior fatia do bolo, avançaram menos do que os impostos (+8,09%), sendo amparados mais pela administração pública (+8,02%) do que pelo comércio (+7,82%).

Indústria e construção

A indústria em geral superou os R$ 16,16 bilhões no primeiro trimestre e respondeu por 34% do PIB estadual do período.

Foi registrado decréscimo nominal de 1,25%, na comparação com o quarto trimestre de 2025. Mas, na variação interanual, o PIB do setor ficou 7,01% maior, em preços correntes.

O melhor desempenho veio da indústria de transformação (+10,77% e R$ 13,36 bilhões), que respondeu por mais de 80% da rubrica.

Construção (+10,61% e R$ 1,14 bilhão) e SIUP/serviços industriais de utilidade pública (+3,02% e R$ 860 milhões) também avançaram, o que não ocorreu com a indústria extrativa (-35,79% e R$ 798 milhões).

Entrevistado pela reportagem, por ocasião da divulgação do PIB brasileiro, o presidente da Fieam, Antonio Silva, enfatizou a resiliência da economia amazonense, mas lembrou que o PIM é estruturalmente alicerçado na produção de bens de consumo e mais sensível ao “ambiente de negócios restritivo” de juros elevados.

“As fábricas seguem espremidas pelos altos custos operacionais, dificultando o planejamento de expansão das linhas de produção. Para o restante de 2026, nossa expectativa para o setor é de cautela, condicionando qualquer retomada vigorosa à flexibilização sustentável da taxa básica de juros e à garantia de segurança jurídica tributária”, frisou.

Na mesma oportunidade, o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, se mostrou mais otimista.

“A economia nacional está travada por juros altos e muita despesa do governo. A inflação dos materiais também puxa o desempenho do setor para baixo. Mas, no caso da construção civil do Amazonas, esse PIB tende a subir, principalmente em virtude das obras do Minha Casa Minha Vida”, comparou, destacando os números acima da média, contabilizados pela indústria imobiliária de Manaus no trimestre.

Serviços, agro e impostos

Responsável pela maior parte do PIB amazonense (46,32%), os serviços contabilizaram R$ 22,04 bilhões, de janeiro a março de 2026.

O resultado foi 7,09% superior ao dado de igual intervalo do exercício anterior, sem descontar a inflação.

O desempenho foi melhor nas atividades de transportes, armazenagem e correio (+9,32% e R$ 1,39 bilhão) e de administração pública (+8,02% e R$ 8,35 bilhões).

O comércio (+7,82%) também se saiu bem e cresceu acima da média do setor, acumulando R$ 4,21 bilhões.

“Os serviços sempre se destacam de forma positiva, mas temos de observar que o subsetor de transportes foi o que realmente contribuiu com o melhor desempenho.

O PIB deve entrar com maior vigor no segundo semestre. É claro que ainda estamos vivendo um momento de oscilações na geopolítica, marcada por guerras que interferem na economia.

E ainda temos de considerar os juros elevados, que vitimam um grande número de famílias. Mas, a expectativa é que esse momento seja superado”, ponderou o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota.

A minoritária agropecuária correspondeu a 4,43% do Produto Interno Bruto estadual, mas respondeu pelo maior índice de crescimento das atividades econômicas do Amazonas, com impressionantes 26,99% de alta e R$ 2,07 bilhões, mesmo enfrentando uma cheia rigorosa.

A Sedecti não informou os desempenhos desagregados por atividades, mas destacou o cultivo de cacau (+3,81%), de café canéfora (+9,60%) e tomate (+2,61%).

“O resultado do PIB de 2026 reforçou a importância do agro para a economia”, pontuou o presidente da Faea, Muni Lourenço.

O estudo informa ainda que a rubrica de “imposto sobre produto líquido de subsídios”, que responde 15,25% do PIB amazonense, alcançou incremento nominal de 8,09% na variação interanual do trimestre, totalizando R$ 7,33 bilhões.

Além disso, foi o componente do Produto Interno Bruto do Estado que menos encolheu na virada trimestral do ano (-0,25%).

Foto: José Paulo Lacerda/CNI

Fonte: Jornal do Commercio

 

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