Leopoldo Montenegro afirma que áreas atuais estão saturadas e propõe mudanças no plano diretor para atrair novas indústrias e manter crescimento da Zona Franca

Lucas dos Santos

29/03/2026 às 10:17.

Atualizado em 29/03/2026 às 10:17

O novo superintendente da Zona Franca de Manaus (ZFM), Leopoldo Montenegro, afirmou que uma das prioridades de sua gestão à frente da Suframa será a expansão das áreas úteis para instalação de novas empresas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Os atuais territórios dos Distritos Industriais I e II já estão saturados e a área do Distrito Agropecuário não é voltada para atividade de indústria, a princípio.

“A gente precisa de novas áreas para implementar, portanto, o Distrito IV, para que essas fábricas que estão vindo para cá por conta da reforma tenham espaço físico para poderem se instalar. A gente iniciou um trabalho de alteração do plano diretor, encaminhamos essa proposta à prefeitura, porque isso precisa primeiro ser mudado por ela para depois a Suframa aderir”, disse.

Nomeado pelo governo federal após Bosco Saraiva se desincompatibilizar do cargo para concorrer a deputado estadual, Leopoldo Montenegro teve participação ativa nos resultados alcançados pela ZFM nos últimos anos, incluindo o recorde de faturamento de mais de R$ 227 bilhões em 2025.

O senhor assume a Suframa após uma gestão que bateu novo recorde de faturamento. Como está se planejando para manter ou até superar esses resultados?

Primeiro, eu assumo como superintendente, eu não sou interino, só verificar a minha portaria que foi publicada no Diário Oficial da União. Então assumo como superintendente titular. Um outro ponto que é importante destacar e que muitas pessoas perguntam, sobre a questão dos resultados, da manutenção desses resultados: eu participei da gestão do superintendente Bosco Saraiva, eu estava superintendente adjunto de projetos e os maiores resultados que a gente teve na Zona Franca de Manaus foram afeitos à pasta onde eu estava, que cuida da questão da implantação das indústrias, que passa os dados dos indicadores dos subsetores que bateram recorde. Em 2025 a gente bateu um recorde histórico de faturamento na ZFM com R$ 227,7 bilhões, isso afeta a pasta onde eu estava, a questão da quantidade de empregos diretos gerados também tem a ver com a atividade da indústria. A retomada do Distrito Agropecuário da Suframa e dos projetos agropecuários que começaram novamente a ser aprovados e executados pela Suframa em parceria com o setor produtivo também era uma pauta afeita à minha pasta, portanto o que eu vou fazer é dar continuidade a esse trabalho que o doutor Bosco executou, até porque eu fiz parte de todo esse processo.

Há quanto tempo está na autarquia?

Sou servidor da casa, estou aqui desde 2014, então eu conheço algumas áreas finalísticas e passei por algumas como essa que eu estava anteriormente, que é a superintendência adjunta de projetos, que cuida da implantação das fábricas, da questão do PPB [Processo Produtivo Básico], projetos agropecuários e a questão fundiária da Suframa, mas também passei pela SDI, que é a Superintendência de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, a qual cuida de algo muito importante para a Zona Franca de Manaus, que se chama Lei de Informática, que é derivado das obrigações das fábricas de bens informáticos. Também passei por essa superintendência e tenho uma parte da execução das minhas atividades aqui na Suframa, fiscalizando essa política e esses projetos, seja de capacitação, de desenvolvimento de software, indústria 4.0, projetos de relevância para a ZFM.

Em meio a todos esses resultados, tem se falado muito da questão da expansão física do PIM. Um dos desafios é dialogar com a prefeitura e a União para ampliar esse espaço. Como pretende lidar com essa questão?

Olha, essa questão fundiária é uma questão central aqui para a Zona Franca de Manaus e talvez uma das mais importantes, porque com a aprovação da reforma tributária em 2023, a gente vem recebendo cada vez mais projetos de fábricas a serem implantadas e também projetos de fábricas que estão diversificando as suas linhas, e o Distrito Industrial I e II, principalmente, já estão saturados, já estão ocupados fisicamente. A gente precisa de novas áreas para implementar, portanto, o Distrito IV, para que essas fábricas que estão vindo para cá por conta da reforma tenham espaço físico para poderem se instalar. A gente iniciou um trabalho de alteração do plano diretor, encaminhamos essa proposta à prefeitura, porque isso precisa primeiro ser mudado por ela para depois a Suframa aderir.

De que forma deve ser feito?

A gente entende que devem ser criados novos eixos em outros bairros da cidade de Manaus para permitir a implantação de fábricas até tipo 5, porque o Polo Industrial de Manaus foi para a região Sul, só que ela é rodeada pelo rio, então não tem para onde mais crescer. A gente precisa permitir, por meio do plano diretor, que outros bairros da cidade de Manaus possam receber essas indústrias, como é em São Paulo, por exemplo, para que essas fábricas venham para cá e tenham espaço para se desenvolver.

Uma das propostas que o Implurb apresentou foi a criação de corredores industriais nas margens de rodovias como a BR-174. Como a Suframa avalia isso?

Também é uma das possibilidades que a gente quer adotar. A gente tem ali, por exemplo, várias fábricas sendo instaladas na avenida Torquato Tapajós. Temos o Distrito Agropecuário da Suframa, que pega parte da AM-010 e de outra rodovia federal. A gente também tem como proposta estender até, mais ou menos, o quilômetro 40 ou 41 para que esse pedaço de terra possa ser destinado a instalações de fábricas até tipo 5, porque hoje não sei se temos essa autorização. Seria uma alternativa viável, mas a gente precisa de mais, até pela quantidade de projetos que estamos recebendo. Agora na reunião do CAS [Conselho de Administração da Suframa], dia 30, a gente tem 83 projetos a serem aprovados. Desses, 34 são de instalação de novas fábricas. Além desses, a gente tem 195 projetos de implantação de novas fábricas que foram aprovados e que vão ser fábricas instaladas para os próximos dois anos. Então a gente precisa, de fato, resolver essa questão fundiária e a gente conta com a parceria dos órgãos competentes, a gente está aberto ao diálogo para resolver um problema que é um problema bom a ser resolvido porque vai trazer riqueza e desenvolvimento para a nossa região.

Isso também pode levar a mais um processo de interiorização da ZFM, com instalação de fábricas em municípios ligados por terra?

A ZFM é um quadrilátero de 10 mil quilômetros quadrados, é um trecho definido geograficamente. Para a gente expandir ou estender os incentivos fiscais para essas outras regiões, a gente precisa de uma lei alterando o decreto 288, que é de 1967. Essa também é uma alternativa que está sendo estudada pela Suframa, mas uma alternativa de médio a longo prazo, até porque a gente tem um processo estrutural de alteração de uma lei que não depende exclusivamente da Suframa, mas do Congresso Nacional. Então eu acredito que a proposta mais viável seria expandir, de fato, essas áreas dentro da cidade de Manaus para recepcionar indústrias de até tipo 5.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também está de saída do MDIC. Como foi a relação dele com a Suframa ao longo desses anos?

O doutor Geraldo Alckmin foi fundamental para a manutenção dos incentivos da Zona Franca de Manaus. Sempre quando nós tínhamos um problema um pouco mais grave aqui, ele estava disposto a nos receber e a conduzir esse assunto da melhor forma possível. Tanto ele quanto a nossa bancada federal, que é coordenada pelo senador Omar Aziz, foram fundamentais para esse período de recordes que a ZFM está vivendo. Recordes de faturamento, recordes de geração de emprego e renda e na minha gestão eu pretendo manter esses números para que a gente possa seguir avançando no desenvolvimento do nosso Amazonas.

O que o senhor espera da gestão do doutor Márcio Rosa? Ele está cotado para assumir o lugar do vice-presidente Alckmin.

O doutor Márcio Rosa encaminhou várias pautas nossas de forma positiva, pautas de PPB, em relação à questão fundiária. Acho um nome excelente para a Zona Franca de Manaus.

Foi divulgada recentemente a questão do PPB dos combustíveis voltado para o refino na ZFM. Isso tende a ampliar o refino e pode influenciar na questão do combustível em Manaus?

Acredito que sim, porque é o que estava faltando para a execução dessa industrialização com incentivo fiscal. O que a gente tinha era essa pretensão prevista na reforma tributária, só que para industrializar e ter o incentivo na Zona Franca de Manaus, há a necessidade de ter um PPB publicado e um projeto industrial aprovado pela Suframa. A gente está no segundo passo, que é o PPB aprovado e agora a refinaria deve encaminhar um projeto para a Suframa, para aí sim começar a industrializar com todo o pacote de incentivos que o polo disponibiliza.

O Banco Central finalmente iniciou o processo de queda na taxa de juros. Foi menor do que o esperado, mas essa queda já tem influência nas empresas sediadas no PIM?

Sim, de forma positiva, porque quando a gente reduz o custo, que a gente chama de Custo Brasil, fica muito mais fácil e muito mais barato para as indústrias produzirem. Quando eu falo de Custo Brasil, falo de várias coisas que estão afeitas ao valor final do produto, seja parte da logística, seja questão tarifária, de financiamento bancário. Quando você reduz a taxa, o financiamento se torna mais atrativo para essas indústrias. Então entendo como positivo para a ZFM e o meu desejo é que as indústrias cada vez mais avancem com novos projetos, propostas, com mais faturamento, geração de emprego e renda para o nosso povo.

Tem se debatido muito a questão da bioeconomia e a Suframa tem grande participação em projetos voltados para isso. Como o senhor pretende avançar dentro dessa questão?

A bioeconomia já está muito presente na Suframa. Dentro da Lei de Informática, a gente tem um programa específico para desenvolver projetos de bioeconomia, que é o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), que já recebeu mais de R$ 100 milhões de investimentos e já movimentou mais de 20 cadeias ao longo desse período de mais de 7 anos de coordenação de programa prioritário. Além disso temos o Distrito Agropecuário, que é a maior parcela territorial da ZFM e que, na gestão do superintendente Bosco Saraiva, voltou a ter aprovação de projetos para essa localidade. Esse é um assunto que está muito presente aqui na Suframa e que a gente vai dar continuidade para que o PPBio se fortaleça cada vez mais, desenvolva cada vez mais projetos e para que o Distrito Agropecuário receba investimentos, inclusive de fundos internacionais para que a gente possa desenvolver polos dentro desse Distrito Agropecuário como alternativa para o desenvolvimento econômico da nossa região.

(Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)

Fonte: Acrítica

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