Em: 8 de maio de 2026
Indústria de bicicletas cresce em março, impulsionada pela expansão acelerada das elétricas no mercado brasileiro.

A indústria de bicicletas do PIM pedalou mais forte em março, deixando para trás dois meses de derrapagens na produção. A quantidade de ‘bikes’ entregues pelo Polo Industrial de Manaus somou 32.107 unidades, configurando escalada de 33,1% sobre fevereiro (24.130). No confronto com o mesmo mês do ano passado (29.144), a alta foi de 10,2%. Não foi suficiente, contudo, para evitar declínio de 9,5% no trimestre (75.265). Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), em coletiva de imprensa acompanhada pela reportagem.

O segmento manteve suas projeções e ainda espera deixar para trás quatro anos consecutivos de queda de produção para emplacar seu primeiro desempenho positivo desde 2021 – período que marcou o segundo ano da pandemia de covid-19. O incremento projetado para 2026 ainda é de 4,3%, com 350.000 unidades fabricadas. Caso confirmado, o resultado ainda terá ficado abaixo do registrado em 2024 (351.400), já que o momento ainda é de recuperação gradual para as montadoras. A produção do ano passado foi de 335.560 bicicletas, configurando recuo de 4,51%, embora o placar ainda tenha superado as estimativas da Abraciclo.

A indústria de bicicletas nacional tem no Polo Industrial de Manaus quase 40% da oferta brasileira, representada por quatro fabricantes: Caloi, Sense Bike, Oggi Bikes e Houston Bike. Neste ano, como nos mais recentes, as apostas se concentram principalmente na categoria de e-bikes, que estão disponíveis no mercado nacional em 44 modelos. Embora seja voltado principalmente para um público de maior renda, o produto registrou crescimento de 100% no comparativo dos três primeiros meses de 2026 com igual período do exercício anterior, ao passar de 6.800 para 13.600 unidades. Seu market share, que não passava de 1,8% em 2022, já está em 18,1% no acumulado do ano.

“Nesse primeiro trimestre nós atingimos a projeção inicial, em termos de produção. A categoria de bicicletas elétricas continua sendo a que mais cresce no mercado brasileiro, seguindo em alta velocidade e em volume exponencial. O segmento de alto desempenho mantém a demanda, com leve crescente, depois de passar por algumas complicações no período pós-pandemia. Já a categoria Infanto-juvenil passa por uma retomada, com os jovens voltando a pedalar e os pais incentivando a bicicleta desde a infância”, avaliou o vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Fernando Rocha, na sua fala inicial.

MTB x Elétricas

O Sudeste continuou recebendo o maior volume de bicicletas fabricadas no PIM, no acumulado do ano, refletindo seu peso econômico e populacional, além da forte demanda por bicicletas urbanas e elétricas. A região respondeu por 53,3% da demanda, totalizando 40.100 unidades, sendo acompanhado à distância pelo Sul (15,4% e 11.600 unidades), Nordeste (11,4% e 8.600), Centro-Oeste (10,5% e 7.900), e Norte (9,4% e 7.100). Na análise isolada de março, Sudeste (44,8% e 14.386) e Sul (15,6%) mantiveram a dianteira, tendo o Norte (14,8%), Nordeste (13,4%) e Centro-Oeste (11,4%) logo atrás.

A base de dados da Abraciclo confirma que o mercado brasileiro continua vendendo mais bicicletas tipo Moutain Bike, embora categorias minoritárias comecem a abrir mais espaço. A MTB ainda lidera o ranking, com 35,5% da oferta total de março, somando 11.396 unidades. O escore, contudo, foi 19,9% mais fraco do que o de um ano atrás. Foi seguida pelos segmentos Urbana/Lazer (23,9% e 7.663), Infanto-Juvenil (21,4% e 6.862), Elétrica (17% e 5.447) e Estrada/Gravel (2% e 739). A categoria Elétrica (+142,3%) foi a que mais cresceu em relação a março de 2025. Na sequência estão a Estrada (+45,5%), Infanto-Juvenil (+31,1%) e Urbana (+10,7%).

“As categorias Urbana e Elétrica estão tomando um pouco do espaço da Moutoinbike na mobilidade urbana, mais adequadas a esse tipo de ambiente”, destacou. “A ABNT publicou, no dia 31 de março, uma nova recomendação sobre produção de bicicleta elétrica assistida. Isso é fundamental para a gente começar as discussões em termos de normalização, de controles no processo de produção, ensaios de qualidade, de testes e processo de montagem para esse tipo de bicicleta. É um marco para dar sequência à regulamentação completa desse novo segmento”, frisou, dizendo que a entidade sempre está disposta a participar de eventuais debates em torno do assunto, nas demais instâncias.

Guerra e juros

O vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo observou que o setor também está atento aos desafios para crescer. “Um deles é a alta de juros que dificulta a tomada de crédito pelos consumidores para compra de bicicleta a prazo. Isso tem inibido um pouco as compras, nesse primeiro trimestre. Os grandes varejistas ainda estão com um estoque acima do ideal para o começo do ano, em termos de bicicletas de entrada. Mas esse é um segmento que, no segundo trimestre, deve sofrer algum escoamento de estoque, por conta das datas comemorativas”, ponderou.

Outro problema apontado por Fernando Rocha está nos efeitos da escalada da guerra no Oriente Médio, que sinaliza produzir efeitos semelhantes aos vividos pelo segmento, no período da pandemia. “Os conflitos internacionais podem impactar severamente nossa cadeia logística global. Principalmente no fornecimento da nossa matéria-prima, dificultando um pouco nossa produção no segundo semestre. Mas, os associados estão trabalhando o máximo possível para evitar isso”, apontou.

A propósito da guerra, o executivo foi indagado pelos jornalistas a respeito dos possíveis efeitos da alta do alumínio no mercado global, já que esse é o principal insumo utilizado na construção dos quadros das bicicletas ‘made in ZFM’. “A demanda de alumínio, realmente, está muito alta. Então, há uma pressão sobre preço. De uma forma geral, as associadas estão tentando segurar isso ao máximo. Então, neste momento, ainda não temos reflexo. Vai depender muito da continuidade desta guerra, quanto tempo vai demorar até as commodities retornarem”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Fonte: JCAM

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