Autarquia afirmou que projeções divulgadas pela CUT e Sinaees-AM não têm amparo técnico e nem legal

acritica.com

08/06/2026 às 15:36.

Atualizado em 08/06/2026 às 15:36

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) contestou, nesta segunda-feira (8/6),  a informação de que as mudanças no Processo Produtivo Básico (PPB) de televisores, em fase de consulta pública, pode acarretar a perda de 12 mil empregos no Polo Industrial de Manaus (PIM).

A projeção do corte na mão de obra do setor de produção de TVs com tela de cristal líquido foi feita pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Sindicato da Indústria de Aparelhos e Componentes Elétricos do Amazonas (SINAEES-AM) em matéria pública por A CRÍTICA no sábado (6/6).

De acordo com essas entidades, as alterações  propostas na Consulta Pública 10/2026 dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) podem permitir a importação de insumos e provocar perda de empregos no PIM.

Para a Suframa, essa estimativa  não possui amparo técnico nem legal. O órgão enfatizou que o texto atual é apenas uma proposta preliminar e encontra-se sob o rito estrito da legislação vigente para aperfeiçoamento.

Disse também que a  mudança, tratada na Consulta Pública nº 10/2026, visa a substituir a Portaria Interministerial nº 9.485/2021 para adequar as linhas de montagem à chegada da tecnologia TV 3.0, nova geração de transmissão que integra TV aberta e internet banda larga, exigindo hardwares mais sofisticados.

“O modelo que vigora hoje prevê um regime estático com seis etapas produtivas de execução obrigatória, baseado em percentuais rígidos e dispensas pré-definidas de insumos cruciais, como a própria estrutura da tela LCD e os módulos de alto-falantes”, disse em a nota.

A Suframa explicou que a proposta  introduz o chamado “PPB por Pontos”. “A metodologia divide a fabricação em 30 etapas distintas, conferindo pontuações variadas a cada processo incorporado pela fábrica. Para obter os incentivos fiscais do modelo Zona Franca, as empresas precisarão somar uma meta progressiva, com uma inicial de 730 pontos para o ano de 2026, escalando de forma gradual até atingir o patamar de 922 pontos a partir de 2030”.

Afirmou também que a migração para o sistema de pontos tornou-se indispensável para acomodar a rápida evolução tecnológica do setor eletroeletrônico.

“O foco principal está no ecossistema da denominada “TV 3.0”, a próxima geração de transmissão televisiva que integra de forma nativa os canais abertos de radiodifusão à internet de banda larga. A tecnologia promete transformar os aparelhos em hubs de alta interatividade, com segmentação de conteúdo e som imersivo, demandando arquiteturas de hardware muito mais sofisticadas do que as atuais”.

Segundo a Suframa, a proposta  transforma seis etapas em mais de 30 com a possibilidade de incluir e pontuar em processos produtivos que antes não constavam do PPB. E que isso significa que a alteração permite a incorporação de novas tecnologias e a agregação de valor ao processo ao incluir novas etapas produtivas.

A autarquia disse que segue atenta aos impactos da transição em fornecedores locais de componentes essenciais, como placas de circuito impresso, fios, cabos e chicotes elétricos.

“É importante ressaltar que o período de consulta pública serve justamente para garantir a transparência, o contraditório e o equilíbrio entre as forças econômicas do setor. Após a análise das contribuições da sociedade, o Grupo de Trabalho do PPB (GT-PPB) emitirá o parecer técnico definitivo para a redação final da nova portaria interministerial”.
Fonte: Acrítica

 

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