Antonio Silva
Presidente da FIEAM
E-mail: presidencia@fieam. org.br
Gerenciado pelo BNDES, o Plano Brasil Soberano III foi criado para proteger e financiar empresas e exportadores brasileiros impactados por tarifas dos EUA e por conflitos internacionais.
O plano prevê R$ 18,5 bilhões em recursos, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional (TN) e R$ 5 bilhões de recursos próprios do BNDES.
Os recursos do TN serão distribuídos da seguinte forma:
R$ 5 bilhões para exportadores e fornecedores afetados pelo aumento das tarifas setoriais dos Estados Unidos; R$ 3,5 bilhões para exportadores ao Golfo Pérsico; R$ 2 bilhões para a produção de adubos, fertilizantes e intermediários; R$ 2 bilhões para a cadeia de minerais críticos e estratégicos; e R$ 1 bilhão para setores industriais relevantes ao comércio exterior.
Esses recursos poderão ser usados para financiar capital de giro, produção voltada à exportação, compra de bens de capital e investimentos em ampliação de capacidade, fortalecimento de cadeias produtivas e inovação tecnológica.
A resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou o acesso ao crédito para os setores de fertilizantes, minerais críticos e estratégicos. Entre as mudanças estão a oferta de capital de giro para fabricantes de adubos e fertilizantes, produtores de insumos intermediários e empresas de extração mineral; a adequação das regras ao ciclo financeiro dos fertilizantes; a redução dos juros para bens de capital e investimentos, de até 8% para 3% ao ano; o estímulo ao beneficiamento, refino e transformação de minerais no país; e a prorrogação, até 31 de dezembro de 2027, do prazo para pedidos ao BNDES.
Embora seja importante para o setor produtivo nacional, sobretudo como resposta do governo às barreiras tarifárias dos EUA e às instabilidades internacionais, a iniciativa tem efeito mínimo para a Zona Franca de Manaus (ZFM), cujo principal eixo econômico é o Polo Industrial de Manaus (PIM). Como cerca de 90% da produção do PIM é voltada ao mercado interno, não se espera que as indústrias da região acessem de forma significativa os recursos do Plano Brasil Soberano III. Para a indústria fora da ZFM, porém, essas linhas de crédito são relevantes, pois ajudam a preservar a liquidez e a competitividade das empresas mais expostas ao mercado externo.
Ainda assim, a indústria regional mantém uma postura cautelosa. A eventual utilização dos recursos por empresas locais dependerá dos critérios de elegibilidade, especialmente se as regras reconhecerem impactos indiretos sobre a cadeia de suprimentos.
Por essa razão, seguiremos acompanhando as regulamentações com prudência, sem criar expectativa de que essas linhas de crédito sejam amplamente acessadas pelas empresas do PIM.
Nosso desafio agora é manter o foco em inovação, diversificação produtiva e sustentabilidade, fortalecendo o desenvolvimento regional e contribuindo para a preservação da Amazônia. Nesse cenário a bioeconomia é uma alternativa viável, capaz de impulsionar tecnologias verdes, bioindústrias locais e conservar os recursos naturais da floresta.
Fonte: Jornal Acrítica




