Produção de bicicletas do PIM cresce 0,7% de janeiro a setembro, enquanto fabricação de modelos elétricos avança 85,9%

MARCO DASSORI

M @marco.dassori II @jcommercio

A indústria de bicicletas do PIM pedalou mais

forte em setembro, marcando o segundo melhor desempenho do ano. A quantidade de ‘bikes’ entregues pelo Polo Industrial de Manaus ao atacado somou 35.914 unidades, configurando uma discreta subida de 1,1% sobre agosto (35.533). No confronto com o mesmo mês do ano passado (30.415), a alta já foi de 18,1%. Foi o suficiente para evitar trazer o acumulado do ano para o azul, com expansão de 0,7% e 272.018 unidades. Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomo-tores, Motonetas, Bicicletas e Similares), na coletiva de imprensa deste mês.

Embora o incremento no acumulado tenha superado em 5% as expectativas dos fabricantes, as projeções para este ano foram mantidas. O segmento espera deixar para trás quatro anos consecutivos de queda de produção para emplacar seu primeiro desempenho positivo desde 2021 -no auge da pandemia de Co-vid-19. O incremento projetado para 2026 ainda é de 4,3%, com 350.000 unidades fabricadas. Caso confirmado, o resultado ainda terá ficado abaixo do registrado em 2024 (351.400), já que o momento ainda é de recuperação gradual. A produção do ano passado foi de 335.560 bicicletas, configurando recuo de 4,51%, embora o placar ainda tenha superado as estimativas da Abraciclo.

Neste ano, como nos mais recentes, as apostas se concentram principalmente na categoria de e-bikes, que estão disponíveis no mercado nacional em 57 modelos. Embora seja voltado principalmente para um público de maior renda, o produto renovou a maior taxa de crescimento entre as categorias de bicicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus, no balanço parcial de 2026, somando 34.122 unidades, volume 85,9% superior ao dos nove primeiros meses de 2025. Seu market share, que não passava de 1,8% em 2022, já está em 22,8% no acumulado do ano.

“Tivemos um crescimento acelerado da mobilidade elétrica, assim como forte demanda para e-bikes esportivas. E essa expansão da mobilidade elétrica não foi só nos centros urbanos, mas também nas cidades de médio porte do Brasil inteiro, além de competições. O número de e-bikes cresce a cada dia e a gente vê um percentual cada vez maior. Por fim, a gente destaca também como oportunidade a alta ocupação das oficinas, fortalecendo o mercado de serviços e de pós-venda”, analisou o novo vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, Ronaldo Ribeiro, na sua fala inicial.

MTB x Elétricas

O Sudeste continuou recebendo o maior volume de bicicletas fabricadas no PIM, no acumulado do ano, refletindo seu peso econômico e populacional, além da forte demanda por bicicletas urbanas e elétricas. A região respondeu por 55,8% da demanda, totalizando 151.800 unidades. Foi acompanhado à distância pelo Sul (15,1% e 40.900 unidades), Nordeste (12% e 32.700), Centro-Oeste (10,4% e 28.400) e Norte (6,7% e 18.200). Na análise isolada de setembro, Sudeste (55,9% e 20.082) e Sul (14,3%) mantiveram a dianteira e o Nordeste (11%) e Centro-Oeste (11%) empataram, deixando o Norte (7,8%), para trás.

A base de dados da Abraci-clo confirma que o mercado brasileiro continua vendendo mais bicicletas tipo Moutain Bike, embora categorias minoritárias comecem a abrir mais espaço no coração do consumidor. A MTB lidera o ranking, com 38,3% da oferta do ano, somando 104.300 unidades. O escore, contudo, foi 12,9% mais fraco do que o de um ano atrás. A categoria Elétrica (22,8% e 61.900), que já havia passado da terceira para segunda posição, em agosto, manteve a vice-liderança -e foi a que mais cresceu (+10,5%). Em seguida, estão os segmentos de Urbana/Lazer (20,1% e 54.600), Infanto-Juvenil (17,1% e 46.500)  e Estrada/Gravel (1,7% e 4.700).

“De janeiro a setembro desse ano, a gente produziu no polo mais de 272.000 unidades de bicicletas. Considerada a projeção inicial de 259.000 bicicletas para esse mesmo período, houve, portanto, uma variação do volume real versus projetado de 13.000 unidades, o que representa 5% do total planejado”, reiterou o novo vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo”, reiterou o novo vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, acrescentando que o desempenho se deve em boa parte ao “crescimento cada vez maior” das e-bikes.

Inflação e juros

De acordo com informações concedidas pela Abraciclo, a indústria nacional de bikes tem no Polo Industrial de Manaus quase 40% da oferta brasileira, sendo representadas por quatro fabricantes: Caloi, Sense Bike, Oggi Bikes e Houston Bike. As quatro somam capacidade produtiva de 500 mil unidades por ano. Dados do Anuário da Abraciclo 2026 informam ainda que o polo de bicicletas da Zona Franca é o quarto maior do mundo, atrás de China, Índia, União Europeia e Taiwan.

De acordo com Ronaldo Ribeiro, a indústria de bicicletas do PIM ainda enfrenta desafios significativos para se manter no ritmo positivo. “Temos, em primeiro lugar, o cenário macroeconômico de inflação e taxas de juro elevadas durante um longo período, afetando o consumo. Essa conjuntura também aumentou a inadimplência do varejo e até gerou casos de recuperação judicial de alguns grandes lojistas, inclusive. E, por fim, tivemos uma retração gradual nas vendas de produtos analógicos de entrada, como consequência do aumento de concorrência de outros segmentos”, listou.

Questionado pela reportagem, durante a fase de perguntas dos jornalistas, sobre a possiblidade de o crescimento das bicicletas elétricas canibali-zar os demais segmentos, o dirigente se mostrou otimista. “É claro que existe uma parte do público que migrou das bicicletas analógicas para as elétricas, mas acredito que o avanço destas traz ao mercado pessoas que já não estavam pedalando mais e, agora estão readquirindo esse hábito. Confio fortemente na coexistência dos modelos de bicicletas analógicas e elétricas, e que isso pode promover a expansão dos dois segmentos, e um crescimento mais acelerado da indústria brasileira de bicicletas. Não creio que a gente vai ter uma crise nas bicicletas analógicas”, encerrou.

+85,9% – Foi o crescimento da produção de bicicletas elétricas no PIM nos primeiros nove meses de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.

Fonte: Jornal do Commercio

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