O mercado financeiro acalmou, ontem, após abrir a semana com turbulências após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de desabar 13,88%, na segunda-feira, a Bolsa de Valores de Sáo Paulo (B3) oscilou pouco chegando até a registrar alta no início do dia, mas encerrou o pregão com queda de 0,51%, aos 175.710 pontos — acima do patamar do início da campanha eleitoral de 166 mil pontos.

Enquanto isso, o dólar recuou quase 1%, para RS 5,35, depois de subir mais de 8%, na véspera registrar a maior alta desde janeiro de 1991. E os juros futuros, que chegaram a ficar acima de 15% ao ano, foram negociados, ontem, levemente abaLxo desse patamar. Nesse caso, o recuo refletiu as intervenções do Tesouro Nacional, que realizou recompra de títulos públicos prefixados (NTN-F) e indexados à inflação (NTN-B), em três leilões em dois dias. O valor da compra somou RS 31,3 bilhões, com a retirada do mercado de papéis com vencimento em 2030, 2031,2035, 2037, 2040, 2045 e 2050.

Apesar da aparente tranquilidade, analistas alertam que os operadores e investidores seguem na expectativa do anúncio dos nomes da equipe econômica por Lula, e a torcida é que ele escolha um nome mais técnico e respeitado pelo mercado para recuperar a credibilidade da equipe econômica.

Entre os nomes ventilados, os mais cotados, por enquanto, para o Ministério da Fazenda sáo o vice Geraldo Alckmin e o governador reeleito no Piauí, Rafael Ponteies (PT). Segundo eles, o futuro ministro terá de apresentar um plano econômico mais convincente do que o programa de governo para conseguir estabilizar o crescimento do endividamento público, que compromete a adoção das promessas voltadas para a redução da desigualdade social.

Expectativas

“O primeiro dia foi de ajuste e, agora, a tendência é acalmar até o anúncio das primeiras escolhas da equipe e das medidas”, disse Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, ao comentar sobre o movimento do mercado nesses dois dias após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo ele, Lula precisa de alguém importante no Ministério da Fazenda e tudo está caminhando para que seja Geraldo Alckmin.

Na mesma linha, Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), acredita que para chefiar a Fazenda, é preciso alguém de peso, que consiga montar uma boa equipe para o mercado acreditar, “como o perfil de Henrique Meirel-les” afirmou. “O esperado, agora, é algo mais próximo do que foi o governo Lula 1, senão, haverá recessão e crise econômica” afirmou.

Analistas reforçaram o alerta de que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2027, que está parado no Congresso desde agosto, não tem espaço para todas as medidas anunciadas por Lula. O consenso é de que será necessário algum ajuste fiscal diante da perspectiva de forte deterioração das contas públicas, e, assim, evitar a explosão da dívida pública bruta, atualmente em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Fonte: Jornal Correio Braziliense

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui