Evento em Brasília reúne os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Dirigentes da FIEAM e CIEAM participam do evento.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou nesta segunda-feira (22 de junho) o documento “Construindo o Brasil 2050: A indústria na agenda dos presidenciáveis”, uma ampla agenda com propostas para o desenvolvimento econômico brasileiro até 2050.
Promovido pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o evento, realizado no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília, contou com as participações dos presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Representando o CIEAM, participam o presidente do Conselho Superior, Luiz Augusto Barreto Rocha, e o presidente Executivo, Lúcio Flávio de Oliveira, além de conselheiros e associados da entidade: Rildo Silva, Amilton Cestari, Irani Bertolini, Amauri Blanco, Agostinho Freitas, Frank Souza, e o representante da FIEAM/CIEAM em Brasília, Saleh Hamdeh. O encontro também conta com a participação de Antônio Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O documento entregue aos presidenciáveis reúne recomendações nas áreas de macroeconomia, política industrial, inovação, comércio exterior, educação, infraestrutura, energia, tributação e sustentabilidade.

“A principal mensagem da indústria é que o Brasil precisa abandonar um modelo de crescimento baseado predominantemente no consumo e adotar uma estratégia centrada no aumento da produtividade, dos investimentos privados e da competitividade da economia”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban, na abertura do encontro.
Segundo Alban, o país chega às eleições de 2026 diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, protecionismo comercial, transformação tecnológica impulsionada pela inteligência artificial e desafios relacionados às mudanças climáticas. Nesse contexto, a entidade sustenta que a indústria deve ocupar posição central na estratégia nacional de desenvolvimento.
Redução do Custo Brasil
Entre os principais pontos da agenda está a defesa de uma política industrial permanente, com governança estável e metas de longo prazo. A proposta inclui o fortalecimento da inovação, da digitalização industrial, da inserção internacional das empresas brasileiras e da formação de mão de obra qualificada para atender às novas demandas tecnológicas.
A entidade também pede medidas para reduzir o chamado “Custo Brasil”, com investimentos em logística, energia, saneamento e infraestrutura digital. O documento defende ainda a ampliação do acesso ao crédito, a melhoria do ambiente regulatório, maior segurança jurídica e aperfeiçoamentos no sistema tributário para estimular investimentos produtivos.
No campo macroeconômico, a CNI alerta para o crescimento da dívida pública e para a rigidez do orçamento federal, defendendo maior disciplina fiscal e reformas capazes de criar condições para juros estruturalmente mais baixos. A avaliação é que a estabilidade fiscal é indispensável para atrair investimentos e sustentar o crescimento econômico no longo prazo.
Agenda verde e Amazônia
A sustentabilidade aparece como um dos pilares centrais da proposta da indústria para o próximo ciclo de governo. A CNI destaca que o Brasil possui vantagens competitivas relevantes para liderar a economia de baixo carbono, como a matriz energética predominantemente renovável, o potencial de expansão da bioenergia e a vasta biodiversidade nacional.
O documento defende políticas voltadas ao fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à descarbonização da economia e à transição energética. Entre as medidas sugeridas estão linhas de financiamento para projetos sustentáveis, estímulos à inovação tecnológica, incentivos para redução de emissões e uso estratégico das compras públicas para fomentar a economia verde.
A Amazônia é apontada como um ativo estratégico para o desenvolvimento da bioeconomia brasileira. A CNI propõe transformar a riqueza biológica da região em oportunidades de geração de renda, tecnologia e industrialização sustentável, agregando valor aos recursos naturais por meio da pesquisa, inovação e desenvolvimento de novos produtos.
A entidade também vê oportunidade para o Brasil se tornar um polo global de investimentos em atividades intensivas em energia limpa, aproveitando a expansão das energias renováveis e a crescente demanda internacional por produtos de baixo carbono.
Ao final, a CNI sustenta que o sucesso do Brasil até 2050 dependerá da capacidade de combinar crescimento econômico, transformação tecnológica, sustentabilidade ambiental e fortalecimento da competitividade industrial.
Pontos de maior destaque da agenda da CNI
- Transformar a política industrial em política de Estado permanente;
- Aumentar produtividade, inovação e digitalização da indústria;
- Ampliar acordos comerciais e integração internacional;
- Reduzir o Custo Brasil (energia, logística, crédito e burocracia);
- Melhorar o ambiente regulatório e a segurança jurídica;
- Garantir equilíbrio fiscal e redução estrutural dos juros;
- Investir em educação técnica e qualificação profissional;
- Estimular a transição energética e a descarbonização;
- Desenvolver a bioeconomia da Amazônia;
- Aproveitar a matriz energética limpa brasileira para atrair investimentos e fortalecer a competitividade nacional.
Fonte: CIEAM



