Em: 12 de fevereiro de 2026

A corrente de comércio exterior do Amazonas começou o ano com o pé esquerdo. Os números extraídos do site Comex Stat revelam que a soma de importações e exportações do Estado não foi muito além de US$ 1.56 bilhão em janeiro. O valor escalou 26,83% em relação ao patamar contabilizado em dezembro de 2025 (US$ 1.23 bilhão), em que pese o fator sazonal embutido nessa comparação. Em contrapartida, a base de dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) informa que o desempenho da balança comercial amazonense foi 1,26% inferior ao registro do mesmo mês do ano passado (US$ 1.58 bilhão).

Puxadas por ouro, motocicletas, concentrados para refrigerantes e ferro-ligas/nióbio, remetidos principalmente para a Alemanha, China, Argentina e EUA, as vendas externas do Amazonas somaram US$ 84.45 milhões, em janeiro. Ficaram 11,82% abaixo do escore de dezembro (US$ 95.77 milhões). A comparação com a marca de 12 meses atrás (US$ 72.33 milhões), contudo, apontou alta de 16,76%. O contrário ocorreu com as importações. A cifra obtida no mês passado (US$ 1.48 bilhão) ficou acima do registro de dezembro (US$ 1.14 bilhão), por uma diferença de 29,82%. O resultado, por outro lado, foi 1,99% inferior ao do mesmo mês do exercício anterior (US$ 1.51 bilhão).

A análise trimestral mostra que o saldo do comércio exterior amazonense no encerramento de 2025 consolida retomada nas vendas externas do Estado, em paralelo a um desaquecimento na aquisição de insumos para o Polo Industrial de Manaus. As importações do Amazonas somaram R$ 3.72 bilhões no trimestre encerrado em janeiro deste ano. O montante é 8,87% menos forte do que o conseguido no acumulado de agosto a outubro (US$ 4.05 bilhões). A mesma comparação confirma viés de alta para as exportações do Amazonas, que passaram de US$ 246.98 milhões para US$ 278.68 milhões, uma diferença de 12,83%.

Insumos e manufaturados

Partes e peças para o PIM reforçaram sua posição no ranking das importações do mês. A lista foi liderada por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 273.68 milhões), discos, fitas e outros suportes para gravação (US$ 156.92 milhões) e platina (US$ 99.48 milhões). Com 591 produtos, a pauta incluiu ainda partes e acessórios para veículos de duas rodas (US$ 72.17 milhões), polímeros etileno (US$ 71.08 milhões), kits para “máquinas e aparelhos de ar condicionado” (US$ 68.60 milhões), óleos de petróleo (US$ 64.01 milhões), kits para celulares (US$ 47.72 milhões) e componentes para aparelhos de áudio e vídeo (US$ 32.05 milhões), entre outros.

A China (US$ 586.01 milhões) renovou liderança no ranking mensal dos maiores fornecedores para o PIM, embora com resultado 6,99% menos robusto do que o de um ano atrás (US$ 630.06 milhões). O pódio foi secundado por EUA (US$ 107.43 milhões) e Vietnã (US$ 98.95 milhões). Entre as 94 nações que venderam produtos ao Estado no mês passado despontam também Coreia do Sul (US$ 93.23 milhões), Taiwan/Formosa (US$ 80.75 milhões), África do Sul (US$ 54.68 milhões), Índia (US$ 50.95 milhões), Japão (US$ 49.68 milhões), Bélgica (US$ 43.93 milhões), Rússia (US$ 38.66 milhões) e Tailândia (US$ 34.69 milhões).

Em uma pauta de 343 produtos, ouro (US$ 35.99 milhões), motocicletas (US$ 11.32 milhões) e preparações alimentícias/concentrados (US$ 9.70 milhões) aparecem como os produtos mais exportados pelo Amazonas em janeiro. As colocações seguintes foram ocupadas por ferro-ligas/nióbio (US$ 4.72 milhões), barbeadores/lâminas (US$ 2.97 milhões), desperdícios, resíduos e sucata de ferro e aço (US$ 2.38 milhões) e óleos de petróleo (US$ 2.06 milhões). Os próximos manufaturados tradicionais do PIM na lista são isqueiros (US$ 525.604), canetas (US$ 410.582) e medicamentos (US$ 344.008), que aparecem na 11ª, 17ª e 17ª posições em diante.

A Alemanha (US$ 37.27 milhões), que adquiriu basicamente ouro, permaneceu no topo do ranking de exportações do Estado. Foi acompanhada no pódio, e à alguma distância, pela Colômbia (US$ 7.23 milhões) e Argentina (US$ 7.15 milhões), que focaram suas compras em manufaturados do PIM. A China (US$ 7.02 milhões), que foi novamente lastreada pela aquisição de ferro-ligas/nióbio, caiu para a quarta colocação. Outros compradores de destaque foram EUA (US$ 5.10 milhões), Bolívia (US$ 4.03 milhões), Venezuela (US$ 2.72 milhões), Guiana (US$ 1.64 milhão), Índia (US$ 1.58 milhão) e Canadá (US$ 925.638), em um total de 71 registros.

Estoques e chuvas

O diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, coordenador da Comissão de Logística do Cieam e professor da Ufam, Augusto Cesar Barreto Rocha, considera que os números indicam uma situação de estabilidade com viés de baixa para o PIM, ao menos no primeiro semestre. O especialista lembra que o parque industrial vem de uma trajetória de reforço de estoques de insumos em 2025, por conta do temor da repetição de uma nova estiagem severa (como as de 2023 e 2024), o que não ocorreu.

“Há indicações de redução de volumes [de importações]. O ano foi muito forte e há grande preocupação pelo maior equilíbrio dos estoques da indústria. Temos muitas empresas super estocadas. Conjugando com o cenário macro nacional, é provável que isso se reverta, com a apreciação do câmbio, ano eleitoral e Copa. A expectativa, e a torcida, é de melhoria do resultado do PIM”, ponderou, acrescentando que o atual “cenário das chuvas acima da média” afasta preocupações iniciais da indústria incentivada com a vazante deste ano.

O contador, professor da Ufam e consultor empresarial especializado na indústria, André Costa, foi mais enfático. “Os dados de importações mostram leve queda na comparação com janeiro de 2025. É uma informação que não preocupa, posto que temos uma base de comparação muito forte. Aquele foi o melhor início de ano da história do PIM. A queda observada é pontual. O Polo Industrial está bem abastecido, como evidencia o recorde de movimentação de contêineres. E continuamos contando com forte desempenho nos subsetores mais verticalizados, como duas rodas. Isso fica mais evidente pelo aumento na importação de resinas para o segmento termoplástico, que é de retaguarda para várias outras linhas de produção do PIM”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Fonte: JCAM

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