Por Maria Peres 27 de junho de 2026 às 13:10
MANAUS (AM) – O Amazonas tem um enorme potencial que pode ser explorado
pelas indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM): a economia verde, modelo que
alia crescimento econômico, preservação ambiental e inclusão social.
Na visão do engenheiro civil Marcellus Campêlo, esse é um dos segmentos que
merece total atenção e que tira a Zona Franca de Manaus (ZFM) da dependência
exclusiva dos incentivos fiscais. Ele defende que a luta continue sendo forte pela
manutenção dos incentivos, mas que também se busque novas alternativas para
impulsionar a economia do estado.
Ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e
da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), Marcellus Campêlo considera
que as empresas devem transformar a preservação da floresta, bandeira que todos
defendem, em vantagem competitiva, fazendo com que os produtos fabricados no
PIM sejam associados à sustentabilidade, à inovação e à baixa emissão de
carbono.
“Para isso, é claro, não basta ter uma fábrica no PIM. É preciso adotar, de fato, as
práticas de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança), de forma
que os produtos aqui fabricados tenham certificação atestando o caráter de
sustentabilidade. Um ativo que agrega um enorme valor nos mercados globais”,
afirmou.
Na avaliação de Campêlo, essa linha acompanha uma tendência mundial em que
consumidores, investidores e grandes empresas valorizam produtos com origem
sustentável, rastreabilidade e compromisso comprovado com boas práticas
socioambientais. “Nesse cenário, a Zona Franca precisa ir além do debate sobre
incentivos fiscais e explorar um diferencial que poucos polos industriais no mundo
possuem: produzir em uma das regiões mais preservadas do planeta”, afirmou.
“Precisamos defender o modelo que sustenta empregos e preserva a floresta, mas
também construir a economia do futuro. O Amazonas tem condições de se tornar
uma referência global em desenvolvimento sustentável, transformando a floresta em pé, em oportunidade, inovação e prosperidade para as próximas gerações”,
destaca.
Após mais de sete anos à frente da Sedurb e da UGPE, órgãos responsáveis pelo
desenvolvimento urbano e pela execução de projetos que impactam diretamente a
vida da população, como água e esgoto tratados, asfalto, iluminação pública e
moradia, Marcellus Campêlo deixou os cargos em março deste ano, para colocar o
nome à disposição do União Brasil como pré-candidato a deputado estadual.
Campêlo é vice-presidente estadual do partido e membro titular do diretório da
Federação União Progressista.
Responsabilidade ambiental
Segundo ele, o desafio do Amazonas é transformar a sustentabilidade em valor
econômico, estimulando as indústrias instaladas no PIM a ampliarem a adoção de
práticas ESG e padrões reconhecidos internacionalmente de responsabilidade
ambiental. Campêlo cita como exemplo o programa ZFM+ESG, lançado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), órgão federal responsável
pela administração do modelo, que incentiva empresas do Polo Industrial a
incorporarem essas práticas e fortalecerem a competitividade da produção
amazonense.
Na opinião do ex-secretário, o próximo passo é fazer com que essa transformação
também seja percebida pelo consumidor. Ele defende que produtos fabricados na
Zona Franca possam, no futuro, carregar certificações ou selos reconhecidos que
comprovem o compromisso das empresas com a economia verde, a baixa emissão
de carbono e a responsabilidade ambiental.
Para Marcellus Campêlo, esse diferencial pode agregar valor à produção
amazonense e ampliar a presença dos produtos do PIM em mercados que
priorizam critérios de sustentabilidade. “O consumidor está mais atento a produtos
associados à sustentabilidade. O Amazonas tem todas as condições para liderar
esse movimento, transformando a preservação ambiental em oportunidade
econômica e geração de riqueza”, ressalta.
Ainda de acordo com Campêlo, a Zona Franca contribuiu para concentrar grande
parte da atividade econômica do Amazonas em áreas urbanas, especialmente em
Manaus, reduzindo a pressão sobre áreas florestais. O resultado é um estado que
preserva mais de 97% de sua cobertura vegetal original e reúne condições únicas
para transformar essa riqueza ambiental em inovação, novos negócios, emprego e
desenvolvimento sustentável.
“Proteger a Zona Franca e avançar na economia verde não são caminhos
opostos. São partes da mesma estratégia para garantir desenvolvimento,
inovação e oportunidades para as próximas gerações”, afirma.
Guerra fiscal
Apesar de defender uma agenda voltada para o futuro, Campêlo ressalta que essa
transformação depende da manutenção das condições que garantem a
competitividade da Zona Franca. Ele cita como exemplo a recente decisão da
Justiça Federal que extinguiu a ação movida pela Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp) contra os incentivos assegurados ao modelo na
regulamentação da Reforma Tributária.
A decisão foi favorável ao Amazonas, mas não encerrou a discussão. A Justiça
Federal entendeu que o instrumento utilizado pela entidade não era adequado para
questionar a legislação, sem analisar o mérito da ação. “A decisão é importante
para o Amazonas, mas não significa que a ameaça acabou. O fato de o mérito da
questão não ter sido analisado mantém a discussão aberta e exige atenção
permanente. A Zona Franca continua precisando de vigilância e defesa
constante”, alerta.
De acordo com Marcellus Campêlo, os incentivos fiscais não representam
privilégio, mas uma compensação diante das dificuldades logísticas e estruturais
enfrentadas pelo Amazonas. “Atacar os incentivos significa colocar em risco mais
de 500 mil empregos diretos e indiretos que dependem da Zona Franca. Quando
uma fábrica fecha, milhares de famílias são afetadas e toda a economia regional
sente os efeitos”, observa.
Para o ex-secretário, preservar a competitividade da Zona Franca e acelerar a
transição para a economia verde fazem parte da mesma estratégia de desenvolvimento. “O futuro do modelo depende não apenas da manutenção dos
incentivos fiscais, mas também da capacidade de transformar sustentabilidade
em inovação, valor agregado e novos mercados para os produtos fabricados no
Amazonas”, atesta.



