É fato que o Distrito Industrial de Manaus ainda conta com terrenos não aproveitados que podem dar lugar a novas instalações de produção
Atualizado em 17/06/2026 às 07:37
Os investimentos na Zona Franca de Manaus continuam a todo vapor, mesmo em face das incertezas causadas pelo cenário geopolítico mundial e nacional.
A pauta com 77 projetos industriais que será analisada nesta quinta-feira pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) – totalizando investimentos de R$ 28 bilhões e criação de 5 mil empregos nos próximos três anos – é demonstração inequívoca do vigor do modelo de desenvolvimento amazonense.
Em meio a esse cenário de crescimento, é natural que se discuta a própria ampliação da área física destinada às indústrias. Porém, algumas questões devem ser consideradas.
É fato que o Distrito Industrial de Manaus ainda conta com terrenos não aproveitados que podem dar lugar a novas instalações de produção, apesar do ininterrupto processo de invasão de terras federais que ocorre há décadas sem que o poder público tome qualquer providência.
No Distrito II, por exemplo, fábricas disputam espaço com o avanço de comunidades como Gilberto Mestrinho e Nova Vitória.
A reivindicação das lideranças da indústria é legítima. Como uma empresa vai investir milhões para se instalar em Manaus se corre o risco de ver sua operação comprometida pelo avanço da malha urbana da capital, que se adensa a cada ano?
O que se busca é segurança jurídica para investir, gerando empregos e arrecadação para o Amazonas.
A população adentra o Distrito porque não há ordenamento adequado por parte da Prefeitura de Manaus, o que só será alcançado com a atualização do Plano Diretor da cidade, definindo com clareza a disponibilidade de terras e sua forma de uso.
Mas, não basta estabelecer as regras, é preciso atuar para que sejam cumpridas.
Nós temos um Plano Diretor vigente que é solenemente ignorado. Basta ver o tanto de construções avançadas sobre calçadas em todos os bairros.
Em seus 356 anos de fundação, Manaus vem crescendo sem planejamento adequado e paga o preço pela desorganização: igarapés não foram preservados, áreas verdes foram destruídas e a expansão horizontal na periferia tem sido caótica.
Algo precisa ser feito com muita urgência, não apenas para assegurar a vinda de novas empresas para a Zona Franca, mas também para tornar a cidade melhor estruturada para seus moradores.
Fonte: Acritica



