Presidente da Fetramaz destacou necessidade de maior competitividade no setor de transportes e divulgou congresso do segmento para o fim de maio
Atualizado em 06/05/2026 às 15:37
O empresário Irani Bertolini, presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), avaliou que a repavimentação total da BR-319 deverá beneficiar o setor ao acelerar a chegada de cargas no Amazonas. Os editais para reconstrução do trecho do meio foram republicados nas últimas semanas após um imbróglio judicial.
Em coletiva de empresa, o presidente da Fetramaz estimou que, em um bom cenário, uma transportadora poderia sair de São Paulo para Manaus em nove dias. Hoje, um navio de cabotagem leva em média 15 dias para sair do Sudeste até a capital amazonense parando em vários portos.
A reconstrução da estrada deverá entrar nas discussões da III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística, o TranspoAmazônia 2026, marcado para ocorrer entre os dias 27 a 29 de maio no Centro de Convenções Vasco Vasques e tem a previsão de movimentar mais de R$ 900 milhões em negócios. Segundo ele, o evento promoverá a oportunidade de discutir os problemas do transporte em toda a América, mas dando um maior foco para a Amazônia, “que é totalmente diferente” do restante do país.
O evento contará com a presença da Câmara Interamericana de Transportes (CIT), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Associação Nacional de Transporte e Logística (NTC&Logística), ampliando o diálogo entre o mercado e o setor.
Estiagem
Questionado pela reportagem de A CRÍTICA se o evento discutirá os impactos da seca no próximo semestre, Irani Bertolini informou que o transporte rodoviário e o transporte fluvial que vem de Belém para Manaus não devem ter problemas. No entanto, armadores que atravessam o rio Madeira vindos de Porto Velho precisarão mudar sua rota, além de impactos negativos na cabotagem.
No último mês, a Defesa Civil do Amazonas informou que existia a possibilidade de a estiagem prevista para este ano se assemelhar a de 2023, quando o rio Negro atingiu níveis historicamente baixos, chegando a 12,7 metros em Manaus, o menor até então. Embora ainda não haja números absolutos, apenas previsões, o secretário informou também que existem grandes chances da estiagem de 2027 se aproximar da de 2024, a pior seca da história do Amazonas
Impacto da guerra
Na coletiva, Irani Bertolini avaliou ainda que a guerra provocada pelos Estados Unidos no Irã tem prejudicado bastante o setor de transportadoras. O aumento do petróleo e o consequente reajuste no óleo diesel provocou o aumento do preço do frete de cargas.
Nas últimas semanas, o preço do diesel utilizado em caminhões chegou a R$ 7,59 na cidade de Manaus. O governo federal buscou atenuar os impactos criando uma política de subvenção ao combustível importado, com metade sendo custeado pela gestão nacional e a outra metade pelos estados. O ex-governador Wilson Lima (União) confirmou que o Amazonas aderiu ao programa.
Congresso
Promovida pela Fetramaz, a TranspoAmazônia 2026 busca se consolidar como um espaço debates, negócios e inovação, reforçando o papel da Amazônia como eixo logístico fundamental para o desenvolvimento do país. A região, marcada por desafios históricos de infraestrutura, concentra também grandes oportunidades, especialmente na integração dos modais rodoviário, aquaviário, aéreo e ferroviário.
A previsão é de que mais de 350 expositores nacionais e internacionais apresentem equipamentos, sistemas, plataformas digitais, serviços e projetos voltados à eficiência operacional, redução de custos e sustentabilidade.
Destaque
Irani Bertolini informou que recebeu a notícia de que o presidente Lula viria ao Amazonas em 17 de maio para dar início às obras. O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores não confirmou a informação.
(Foto: Paulo Bindá/ A CRÍTICA)
Fonte: Acrítica



