Leopoldo Montenegro sucede Bosco Saraiva na gestão da autarquia após período com faturamento de R$ 227,6 bilhões
Adriano Assis
27/04/2026 às 10:28 atualizado em 27/04/2026 às 10:47
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) oficializou a nomeação de Leopoldo Augusto Melo Montenegro Júnior como novo titular da instituição em substituição a Bosco Saraiva, que deixou o cargo a pedido.
A mudança foi formalizada por meio de portaria da Casa Civil em 20 de março de 2026. Montenegro, servidor de carreira da autarquia com mestrado em Engenharia de Produção, destacou a continuidade administrativa como eixo central da nova etapa.
“A gestão liderada pelo Superintendente Bosco deixa um legado relevante, que merece ser reconhecido e preservado”, afirma Montenegro.
Segundo o novo dirigente, o objetivo é consolidar os avanços recentes e “imprimir ainda mais dinamismo à atuação da Suframa, sempre com foco em resultados concretos para a Zona Franca de Manaus”.
Em entrevista à Gazeta, em 2025, o agora ex-superintendente, Bosco Saraiva, definiu a Zona Franca de Manaus como pilar do desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Resultados da gestão e indicadores do Polo Industrial
A transição ocorre em um cenário de indicadores econômicos em ascensão. Em 2025, o Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou faturamento de R$ 227,6 bilhões, o que representa uma expansão de 11% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, o Conselho de Administração da Suframa aprovou 172 projetos técnicos, sendo 78 destinados à implantação de novas unidades.
Para Montenegro, esses números indicam uma tendência de estabilidade. “É um crescimento robusto e consistente. O avanço de cerca de 11% sobre 2024 confirma uma trajetória de expansão contínua do Polo, que já vinha acumulando crescimento nos anos anteriores”, avaliou.
Atualmente, o modelo mantém 130 mil empregos diretos na região.
Diretrizes para a modernização e tecnologia
O plano de trabalho apresentado pela nova gestão estabelece quatro frentes prioritárias: fortalecimento do capital humano, modernização de sistemas, aperfeiçoamento da interlocução institucional e a operacionalização da reforma tributária.
A meta é reduzir a burocracia e ampliar a previsibilidade para os usuários.
Em relação à área tecnológica, os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) resultaram na execução de 410 projetos ao longo do ano-base de 2024.
“Os investimentos em PD&I oriundos das contrapartidas da Lei de Informática deixaram de ser apenas números no papel para se transformar em um ecossistema vivo de inovação na Amazônia Ocidental”, pontuou o superintendente.
Esses projetos resultaram na formação de 30.396 profissionais e no depósito de 25 patentes no Brasil.
Infraestrutura e ordenamento territorial
A agenda da Suframa também contempla o monitoramento de obras estruturantes, como a pavimentação da BR-319 e a viabilização de hidrovias.
De acordo com Montenegro, o papel da autarquia é de articulação técnica junto ao governo federal para que a “agenda logística da Amazônia permaneça no centro das prioridades nacionais”.
No planejamento de longo prazo, a autarquia projeta a integração total entre atividade industrial e preservação.
“Imagino um Polo Industrial que desenvolve tecnologia própria aqui dentro, aproveitando a nossa biodiversidade de forma inteligente e sustentável”, projetou o novo dirigente, referindo-se à visão para os próximos dez anos.
A gestão também dará continuidade à regularização fundiária no Polo Industrial, visando conferir segurança jurídica e facilitar o acesso a créditos para expansão produtiva.
Fonte: Gazeta SP



