Em: 10 de março de 2026
A corrente de comércio exterior do Amazonas ensaiou recuperação em fevereiro. Os números do site Comex Stat revelam que a soma de importações e exportações do Estado superou US$ 1.46 bilhão, desacelerando 6,41% ante janeiro (US$ 1.56 bilhão), mas já superando em 9,77% o patamar contabilizado no segundo mês do ano passado (US$ 1.33 bilhão). Em contrapartida, a base de dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) informa que o desempenho da balança comercial amazonense no avançou 3,42% no comparativo do bimestre, com US$ 3.02 bilhões (2026) contra US$ 2.92 bilhões (2025).
Puxadas por ouro, concentrados para refrigerantes, motocicletas e ferro-ligas/nióbio, remetidos principalmente para a Alemanha, China, Colômbia e Argentina, as vendas externas do Amazonas saíram de US$ 84.48 milhões, em janeiro, para US$ 86.99 milhões, em fevereiro, configurando ganho nominal de 2,97%. A comparação com a marca de 12 meses atrás (US$ 60.26 milhões), por outro lado, resultou em uma escalada de 44,36%. Já o bimestre registrou US$ 171.47 milhões em embarques ao exterior, volume 29,31% mais forte do que o contabilizado em igual período do exercício anterior (US$ 132.60 milhões).
A dinâmica foi um pouco diferente nas importações, onde se sobressaem insumos para o PIM e fornecedores do sudeste asiático. A cifra obtida em fevereiro (US$ 1.38 bilhão) ficou abaixo do registro de janeiro (US$ 1.48 bilhão), por uma diferença de 6,76%. O resultado, no entanto, foi 8,66% superior ao do mesmo mês do exercício anterior (US$ 1.27 bilhão). Dessa forma, o saldo do acumulado das aquisições do Estado no mercado estrangeiro no acumulado de 2026 entrou no campo positivo. O incremento sobre os dois primeiros meses de 2025 foi de 2,52%, com US$ 2.85 bilhões (2025) contra US$ 2.78 bilhões (2024).
A análise trimestral mostra que o saldo do comércio exterior amazonense no começo de 2026 consolida reforço nas vendas externas do Estado, em paralelo a um movimento de retomada no volume de compras no estrangeiro, principalmente de insumos para o Polo Industrial de Manaus. As importações do Amazonas somaram R$ 3.99 bilhões no trimestre encerrado em fevereiro deste ano. O montante é 4,45% mais robusto do que o conseguido no acumulado de setembro a novembro (US$ 3.82 bilhões). A mesma comparação confirma viés de alta para as exportações do Amazonas, que passaram de US$ 258.99 milhões para US$ 267.24 milhões, uma diferença de 3,18%.
Insumos e manufaturados
Partes e peças para o PIM reforçaram sua posição no ranking mensal das importações do Amazonas. A lista foi liderada por circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 311.64 milhões), platina (US$ 117.30 milhões), discos, fitas e outros suportes para gravação (US$ 116.76 milhões) Com 587 produtos, a pauta incluiu ainda partes e acessórios para veículos de duas rodas (US$ 63.79 milhões), kits para celulares (US$ 54.99 milhões), óleos de petróleo (US$ 53.05 milhões), kits para “máquinas e aparelhos de ar condicionado” (US$ 38.15 milhões), polímeros etileno (US$ 37.95 milhões) e componentes para aparelhos de áudio e vídeo (US$ 32.79 milhões).
A China (US$ 537.46 milhões) renovou liderança no ranking dos maiores fornecedores para o PIM, e já com resultado 1,17% maior do que o de um ano atrás (US$ 531.26 milhões). O pódio foi secundado por Coreia do Sul (US$ 124.63 milhões) e EUA (US$ 92.69 milhões). Entre as 94 nações que venderam produtos ao Estado no mês passado despontam também Vietnã (US$ 85.27 milhões); África do Sul (US$ 75 milhões); Taiwan/Formosa (US$ 71.77 milhões); Japão (US$ 53.62 milhões); Rússia (US$ 52.96 milhões); Índia (US$ 38.07 milhões); Bélgica (US$ 34.03 milhões); e Tailândia (US$ 31.31 milhões).
Em uma pauta de 360 produtos, ouro (US$ 18.97 milhões), preparações alimentícias/concentrados (US$ 18.06 milhões) e motocicletas (US$ 10.95 milhões) aparecem como os produtos mais exportados pelo Amazonas, em fevereiro. As colocações seguintes foram ocupadas por ferro-ligas/nióbio (US$ 9.84 milhões), soja (US$ 4.71 milhões); desperdícios, resíduos e sucata de ferro e aço (US$ 2.62 milhões); e óleos de petróleo (US$ 1.83 milhão). Os próximos manufaturados tradicionais do PIM na lista são barbeadores/lâminas (US$ 1.70 milhão); televisores (US$ 1.09 milhão); e canetas (US$ 454.535), que aparecem na nona, 11ª e 21ª posições em diante.
A Alemanha (US$ 19.71 milhões) – que adquiriu basicamente ouro (US$ 18.97 milhões) – permaneceu no topo do ranking de exportações do Estado. A China (US$ 15.05 milhões) – que foi lastreada pela aquisição de ferro-ligas/nióbio (US$ 8.95 milhões) e soja (US$ 4.30 milhões) ¬–, subiu da quarta para a segunda colocação. Colômbia (US$ 7.93 milhões) e Argentina (US$ 6.04 milhões), que focaram suas compras em manufaturados do PIM, aparecem em seguida. Outros compradores de destaque foram EUA (US$ 6 milhões); Venezuela (US$ 5.79 milhões); Paraguai (US$ 3.72 milhões); Bolívia (US$ 3.40 milhões); e Índia (US$ 2.08 milhões), em um total de 87 registros.
“Perspectivas otimistas”
O contador, professor da Ufam e consultor empresarial especializado na indústria, André Costa, disse à reportagem que os números projetam um cenário positivo, pelo menos para o PIM. “A dinâmica das importações costuma ter elevado poder preditivo quanto à produção do Polo Industrial de Manaus. Para o valor consolidado das importações há queda pontual de fevereiro ante janeiro, por fatores sazonais. Principalmente pela menor quantidade de dias úteis. Mas, comparando com fevereiro de 2025, que foi mês cheio e sem Carnaval, as importações foram 8% maiores. O que reafirma as perspectivas otimistas, em trajetória ascendente por todo o período pós-pandemia”, frisou.
Costa não vê sinais negativos para a balança comercial do PIM decorrentes da guerra no Irã, pelo menos no curto prazo. “O Brasil é muito bem posicionado na produção de petróleo. Se houver gargalo na oferta, por interrupção na produção iraniana, ou no transporte pelo Golfo Pérsico, o país pode ganhar importância como exportador. E o aumento do valor das vendas externas representará apropriação de renda da economia mundial pela população brasileira, fortalecendo a demanda pelos produtos do Polo. Sem contar que também deve elevar os royalties pagos pelas extratoras de hidrocarbonetos ao governo do Amazonas, cadeia produtiva que independente do PIM”, destacou.
Na mais recente entrevista à reportagem, o diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, coordenador da Comissão de Logística do Cieam e professor da Ufam, Augusto Cesar Barreto Rocha, destacou que o PIM vem de uma trajetória de reforço de estoques de insumos em 2025, em prevenção a uma nova estiagem severa, que acabou não vindo. “O ano foi muito forte e temos muitas empresas super estocadas. Mas, conjugando com o cenário macro nacional, é provável que isso se reverta, com a apreciação do câmbio, ano eleitoral e Copa. A expectativa é de melhoria”, concluiu.
Marco Dassori



