Em: 13 de fevereiro de 2026

A indústria de motocicletas do PIM começou 2026 com o pé no acelerador e novos recordes na produção e no varejo do segmento. O Polo Industrial de Manaus fabricou 184.443 unidades em janeiro, 11% a mais do que no mesmo mês do ano passado. Foi o melhor resultado para o mês desde 2008, além de configurar uma escalada de 42,2% sobre dezembro – que foi um período marcado por férias coletivas e manutenção nas empresas. Os dados foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta quinta (12).

Diante disso, e apesar dos obstáculos que persistem no caminho, a entidade reforça sua projeção de encerrar 2026 com sua sexta alta anual consecutiva, além de romper novamente a barreira dos 2 milhões de unidades. A expectativa é de incremento de 4,5% na produção, com 2.070.000 motocicletas, até dezembro. A perspectiva para o varejo doméstico é que sejam emplacadas 2.300.000 motocicletas, configurando uma elevação de 4,6% na comparação com o resultado conseguido no exercício anterior. As fabricantes esperam também manter as vendas externas no campo positivo pelo segundo ano seguido, ao avançar 4,4% nos embarques ao estrangeiro, totalizando 43.117 unidades.

“O primeiro mês do ano confirmou as expectativas para o segmento em 2026. Janeiro foi um mês bastante positivo, com produção plena nas fábricas, diferentemente de dezembro, período em que as associadas adotaram férias coletivas”, enfatizou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, em texto veiculado por sua assessoria de imprensa.

O polo de duas rodas da Zona Franca de Manaus é o maior fora do eixo asiático e já vem de um ano positivo, com faturamento de R$ 41,60 bilhões, 23% a mais do que o contabilizado em 2024. A quantidade de colaboradores diretos somou 20.600 pessoas, com aumento de 10,16%, na mesma comparação. Já a capacidade produtiva subiu de 1,8 milhão para 2 milhões de motocicletas por ano. Conforme Marcos Bento, o polo de duas rodas contribui também com números expressivos no país: mais de 150 mil empregos diretos; 7.800 concessionárias e 1.500 fornecedoras de componentes.

 

Varejo e exportações

Embora tenha sido 7,6% menores do que a quantidade contabilizada em dezembro (193.219), os licenciamentos de janeiro (178.5672) bateram novo recorde para o mês, com alta de 17,5% sobre igual intervalo do exercício anterior (152.000). Com 21 dias úteis, a média diária de vendas de motocicletas em novembro foi de 8.503 unidades. O Sudeste concentrou 33,1% (59.200) das vendas do país. Na sequência estão o Nordeste (32,8% e 58.600), o Norte e o Sul (ambos com 12,5% e 22.300, cada), e o Centro-Oeste (9,1% e 16.200). Os modelos flex representaram 62% (114.300) das vendas.

As motocicletas de baixa cilindrada (até 160 centímetros cúbicos) representaram 78,5% (144.800) das vendas domésticas. Os modelos de 161 a 449 cilindradas (34.700) responderam por uma fatia de 18,8%. Os veículos acima de 450 cilindradas (4.900) contribuíram com 2,7% do total e atingiram, atipicamente, a maior expansão (+36,1%). A categoria Street (95.732) reinou com 51,9% da oferta, sendo seguida pela Trail (19,1% e 35.286), Motoneta (13,9% e 25.600), Scooter (8,9% e 16.381), Naked (2,1% e 3.818), Big Trail (1,6% e 2.913), Off-Road (1,3% e 2.338), Sport (0,9% e 1.767), Custom (0,2% e 466) e Touring (0,1% e 143).

As exportações, por sua vez, desaceleram 6,5% na virada de dezembro de 2025 (3.495) para janeiro de 2016 (3.267), ainda sob o impacto das restrições impostas pelos ‘tarifaços’ norte-americanos. As vendas externas, no entanto, avançaram 16,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado (2.807). Números do portal Comex Stat revelam que os principais mercados para as motocicletas ‘made in ZFM’ em janeiro foram Estados Unidos, Argentina e Colômbia.

Na mais recente coletiva de imprensa da Abraciclo, realizada em janeiro, Marcos Bento demostrou otimismo para 2026, ano em que a entidade completa 50 anos. Mas, acrescentou que ainda há muitos desafios. “Estamos diariamente diante de conflitos internacionais, que afetam muito a logística mundial e trazem a possibilidade de ampliação de políticas protecionistas. No aspecto nacional, temos um cenário macroeconômico de Selic ainda alta, inflação e crescimento moderado do PIB. Esse ano é desafiador em termos de calendário, com muitos feriados, Copa do Mundo e eleições. A regulamentação da reforma Tributária continua em andamento e temos de ficar de olho em nossa logística, com monitoramento do nível dos rios”, listou.

 

“Qualidade, conformidade e eficiência”

Sem revelar seus números, a Yamaha ressaltou à reportagem que seu desempenho acompanhou o movimento de expansão do subsetor de motocicletas e “mantém produção ajustada à demanda do mercado”. “Observamos um mês positivo, com boa procura por modelos de diferentes categorias e continuidade do interesse pela moto como solução ágil, econômica e cada vez mais presente no dia a dia do brasileiro. Seguimos focados em atender nossos clientes com qualidade, conformidade e eficiência, preservando a estabilidade de fornecimento para toda a rede”, sintetizou o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Rafael Lourenço.

O executivo confirma que a ampliação do uso da motocicleta como ferramenta de trabalho e como opção prática e econômica de mobilidade continua impulsionando o setor. “Nossos modelos urbanos, de baixa e média cilindrada, como a Factor 150, Crosser e Fazer FZ25, permanecem entre os mais procurados pelos consumidores que buscam economia, qualidade, agilidade e robustez – características presentes no nosso portfólio. A demanda por mobilidade eficiente segue forte, e o uso da moto em serviços e deslocamentos cotidianos permanece como fator estruturante. Nosso foco é seguir contribuindo para esse avanço com produtos de qualidade e atenção ao consumidor”, comentou.

Lourenço enfatizou que a empresa acompanha com otimismo as perspectivas divulgadas pela Abraciclo e que os resultados do mês estão alinhados ao planejado. “A Yamaha continua atuando de forma alinhada ao comportamento do mercado, ajustando sua operação e mantendo foco na satisfação do cliente. Trabalhamos com cenários diversos e ajustamos produção e planejamento conforme o movimento do mercado. A disponibilidade de crédito e os juros elevados seguem como desafios, para a indústria e o consumidor. Ainda assim, o mercado tem demonstrado resiliência, e a Yamaha segue próxima de sua rede e clientes para garantir uma jornada de compra segura e acessível”, concluiu.

Procurada pelo Jornal do Commercio, a assessoria da Moto Honda não pode responder as perguntas da reportagem até o fechamento desta edição.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Fonte: JCAM

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