Secretário da Sedecti, Gustavo Igrejas, aponta plano estadual como principal legado e projeta nova etapa para o desenvolvimento do Amazonas
ENTREVISTA O Plano Estadual de Bioeconomia é considerado a principal entrega da atual gestão da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação). O balanço foi feito pelo secretário Gustavo Igrejas durante entrevista ao podcast JC às 15h, do Jornal do Cnommercio, ao destacar as ações desenvolvidas pela pasta e apontar os rumos da política econômica para os próximos anos. Segundo o secretário, o plano estabelece uma estratégia de longo prazo para integrar biodiversidade, tecnologia e desenvolvimento regional.
FRED NOVAES
@fred.novaes @jcommercio
O Plano Estadual de Bioeconomia é considerado a principal entrega da atual gestão da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação). O balanço foi feito pelo secretário Gustavo Igrejas durante entrevista ao podcast JC às 15h, do Jornal do Commerdo, ao destacar as ações desenvolvidas pela pasta e apontar os rumos da política econômica para os próximos anos.
Segundo o secretário, o plano estabelece uma estratégia de longo prazo para integrar biodiversidade, tecnologia e desenvolvimento regional, criando alternativas para reduzir a dependência dos incentivos fiscais da ZFM (Zona Franca de Manaus). A iniciativa foi construída após consultas realizadas nos 62 municípios amazonenses, com mais de 5 mil propostas apresentadas por comunidades, produtores e instituições, e agora entra na fase de definição das ações que serão executadas.
Para o secretário, o desafio é criar uma economia capaz de agregar valor aos recursos naturais do Estado, reduzindo a exportação de matérias-primas e fortalecendo cadeias produtivas locais. A estratégia busca conectar biodiversidade, pesquisa científica e indústria instalada em Manaus.
“A maneira de depender cada vez menos dos incentivos fiscais é utilizar nossa biodiversidade e agregar esses recursos ao Polo Industrial de Manaus”, afirmou.
A proposta parte de uma constatação recorrente no modelo econômico amazonense. Embora o Polo Industrial movimente mais de US$ 40 bilhões por ano e empregue mais de 130 mil trabalhadores diretamente, e até 600 mil entre diretos e indiretos, boa parte das matérias-primas utilizadas pela indústria continua vindo de outras regiões do país ou do exterior. Para Igrejas, existe espaço para incorporar insumos regionais às cadeias produtivas industriais, criando novas oportunidades de renda no interior.
Como exemplo, ele citou pesquisas envolvendo o curauá, fibra amazônica estudada para aplicação em compostos plásticos, além da expansão de cadeias como borracha, guaraná, açaí e frutas regionais. O objetivo, segundo ele, não é apenas ampliar a produção agrícola, mas estruturar logística, armazenamento, cooperativas e processamento industrial que permitam vender produtos com maior valor agregado.
O secretário ressaltou que o plano também pretende orientar investimentos públicos e privados pelos próximos anos. A expectativa é utilizar o documento como referência para atrair financiamentos nacionais e internacionais voltados ao desenvolvimento sustentável.
A defesa da bioeconomia aparece ao lado de outro eixo considerado estratégico pela Sedect: a manutenção da competitividade da Zona Franca após a reforma tributária. Igrejas afirmou que a segurança jurídica proporcionada pelo novo sistema tem contribuído para sustentar o crescimento dos investimentos privados.
De acordo com ele, os indicadores do Polo Industrial seguem em trajetória positiva. A expectativa é de faturamento entre US$ 45 bilhões e US$ 46 bilhões em 2026, superando o recorde histórico registrado em 2011. Os investimentos privados devem ultrapassar US$ 11 bilhões, enquanto o número de empregos diretos permanece acima de 130 mil.
Outro indicador citado foi o desempenho do Codam (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas). Após encerrar o ano passado com mais de 320 projetos aprovados, o conselho já contabiliza 169 propostas nas três primeiras reuniões de 2026, mantendo perspectiva de novo recorde anual.
Apesar do cenário favorável, Igrejas reconheceu desafios estruturais para a expansão industrial. Um deles é a crescente escassez de terrenos e galpões em Manaus, fator que elevou os custos de instalação de empresas. A alternativa em discussão envolve a utilização de áreas do Distrito Agropecuário da Suframa, próximas à BR-174 e ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, mediante ajustes no Plano Diretor do município.
Durante a entrevista, o secretário também minimizou os efeitos das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, apenas cerca de 0,11% do faturamento total da Zona Franca corresponde a exportações destinadas ao mercado norte-americano, o que reduz significativamente o impacto direto da medida sobre a indústria amazonense.
Na avaliação de Igrejas, o ambiente mais preocupante está na disputa interna entre unidades da Federação em torno dos incentivos da Zona Franca de Manaus e também nas mudanças decorrentes da reforma tributária que vão limitar as ações do Codam na concessão de incentivos, transferindo essa incumbência totalmente para o CAS. Para ele, parte das ações judiciais movidas por entidades empresariais de outros Estados desconsidera a dinâmica atual da indústria global.
“Se essas empresas não estiverem em Manaus, elas não irão para São Paulo, Paraná ou Bahia. Elas vão para o Paraguai ou para o México”, afirmou.
O secretário argumentou que a competição deixou de ocorrer entre Estados brasileiros e passou a envolver outros países capazes de oferecer custos menores de produção. Segundo ele, enfraquecer a competitividade da Zona Franca significa ampliar a transferência de investimentos, empregos e tecnologia para fora do Brasil, além de comprometer um modelo econômico que concentra atividade industrial enquanto preserva grande parte da floresta amazônica.
Igrejas acrescenta que a mudança provocada pela reforma tributária na política de incentivos fiscais vai afetar a autonomia do Amazonas para a atração de investimentos industriais. Segundo ele, o Codam deixará de analisar a concessão dos incentivos estaduais para novos projetos industriais, atribuição que passará ao Comitê Gestor do novo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Na avaliação de Igrejas, a alteração reduz a autonomia do Estado na atração de investimentos e aumenta a dependência das decisões tomadas em âmbito nacional, embora a competitividade da Zona Franca permaneça assegurada pela Constituição até 2073.
“O Plano Estadual de Bioeconomia vai nortear a economia amazonense dos próximos anos”, afirmou Gustavo Igrejas
Fonte: JCAM



