O PIM fechou 2025 com expansão no faturamento e empregos, e se prepara para mais um ano de crescimento em 2026. Puxadas pelo polo de duas rodas, as vendas brutas em reais escalaram 11,02% e somaram R$ 227,67 bilhões, em um cenário de IPCA anual acumulado em 4,26%. Na conversão em dólares, foi registrado um incremento de 8,69%, totalizando US$ 40.90 bilhões, em um ambiente de desvalorização de 11,14% da moeda americana, conforme o Banco Central. É o que revelam os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus. Segundo a Suframa, as vendas marcaram novo recorde para a ZFM.

A comparação entre novembro (R$ 19,67 bilhões ou US$ 3.69 bilhão) e dezembro (R$ 17,49 bilhões ou US$ 3.10 bilhões), por outro lado, resultou em desaceleração no faturamento (-11,08% e -15,99%, respectivamente). Já o confronto com igual mês de 2024 (R$ 15,36 bilhões ou US$ 2.48 bilhões) indicou elevações de 13,86% e 25%, na ordem. O levantamento revela ainda que, em dezembro, o Polo perdeu velocidade nas contratações e registrou o menor contingente mensal de trabalhadores em 2025 (128.318), embora a média do ano (131.680) seja a maior em mais de uma década.

De janeiro a dezembro, 19 dos 26 subsetores faturaram mais em dólares. Entre os segmentos que carreiam o PIM, os destaques vieram de duas rodas, metalúrgico, químico, termoplástico e eletroeletrônico, em detrimento de bens de informática. As melhores performances proporcionais, por outro lado, vieram das divisões de vestuário e calçados (+45,23% e US$ 6.86 milhões), relojoeiro (+25,03% e US$ 319.80 milhões) e brinquedos (+24,80% e US$ 84.90 milhões). Em contrapartida, os tombos mais severos ficaram nos polos de “couros e similares” (-19,53% e US$ 7.05 milhões), têxtil (-11,56% e US$ 48.43 milhões) e editorial e gráfico (-15,68% e US$ 22.01 milhões).

Os subsetores de bens de informática e de eletroeletrônicos, que somam quase metade dos resultados do PIM, foram em direções opostas no acumulado do ano. O primeiro (US$ 8.64 bilhões) respondeu por 21,14% do faturamento do Polo, mas caiu 0,35%. Já os eletroeletrônicos (US$ 6.91 bilhões) subiram 1,56%, mas viram seu share reduzido a 16,89%. Mais aquecido, o subsetor de duas rodas (+20,25% e US$ 8.05 bilhões) sustentou fatia de 19,69% nas vendas e também o segundo lugar. O ranking se completa com os segmentos de “outros produtos” (15,52% do bolo), químico (9,93%), termoplástico (8,79%) e metalúrgico (8,05%).

Produção e empregos

Em termos de produção industrial, um dos aumentos mais expressivos contabilizados no aglutinado dos 12 meses de 2025 veio da linha de motocicletas, motonetas e ciclomotos, que somaram 2.135.175 unidades e alcançaram incremento de 16,57% frente a 2024. Outros resultados positivos vieram da fabricação de relógios de pulso e de bolso (+25,57% e 8.625.070); aparelhos de barbear (+9,23% e 1.971.521); condicionadores de ar do tipo split system (+7,47%e 6.349.577); e monitores com tela de LCD (+3,19% e 3.234.598). Em contraste, celulares (-15,58% e 11.571.871) e TVs com tela LCE e Oled (-1,90% e 13.583.729), entre outros, amargaram quedas.

Em paralelo, o nível de empregos do PIM voltou a perder velocidade no mês, em ambas as comparações. A média obtida em dezembro foi de 128.318 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. Foi o menor dado do ano, ficando 2,48% abaixo do patamar de novembro (131.582). A comparação com dezembro do ano passado (130.325) também confirmou retração (-1,56%). A média de colaboradores do Polo acumulada ao longo dos 12 meses do exercício anterior (131.680), contudo, superou em 6,14% a média de 2024 (124.056) e registrou o maior placar em pelo menos dez anos.

O melhor índice de crescimento de empregos veio do subsetor de “material de limpeza de velas” (+25,58% e 54 trabalhadores), seguido por “produtos diversos” (+19,49% e 613) e madeireiro (+17,78% e 510). Os recuos se limitaram às divisões de beneficiamento de borracha (-65,85% e 14), editorial e gráfica (-9,89% e 847) e de produtos alimentícios (-3,55% e 2.420). Dentro da mão de obra estritamente efetiva, o Polo fechou o ano com a criação de 3.820 novas vagas, a menos de 2024 (8.846). Superou as performances de 2021 a 2023, tendo empatado com o escore de 2020 – o primeiro ano da pandemia de covid-19.

Em texto veiculado pela assessoria de imprensa da Suframa, o titular da autarquia, Bosco Saraiva, comemorou. “O Polo Industrial de Manaus finalizou o ano com 553 empresas, fábricas em operação, e mais de 170 novos projetos aprovados para se implantar nos próximos anos. O faturamento foi além das expectativas. Em relação à mão de obra, ficamos beirando os 132 mil trabalhadores no chão de fábrica”, listou. “Sem dúvida, são resultados que ficarão para a história. Esperamos que em 2026 esse cenário tenha continuidade e que nossos indicadores de desempenho se mantenham robustos e ascendentes”, emendou.

“Resiliência e maturidade”

O contador, professor da Ufam e consultor empresarial especializado na indústria, André Costa, diz que os números confirmam as boas expectativas para 2025 e repetem prognóstico positivo para 2026. “Não identificamos sinais de arrefecimento na demanda por motocicletas, que tem sido o destaque dos últimos anos, e usa aproximadamente 80% de sua capacidade. O subsetor de ar-condicionado viu algumas dificuldades, algo compreensível pela forte expansão dos últimos três anos. E o segmento relojoeiro teve aumento de 25% na produção. Os desempenhos mais claudicantes foram TVs e celulares, e espero que observemos retomada nesses dois produtos, assim como a manutenção da trajetória auspiciosa nos demais”, ponderou.

O presidente da Fieam, Antonio Silva, considera que os dados da Suframa atestam “resiliência e maturidade” da ZFM frente às flutuações macroeconômicas. “Há uma reacomodação natural das cadeias produtivas. O protagonismo dos subsetores de duas rodas, metalúrgico e eletroeletrônico compensou o arrefecimento em bens de Informática, que atravessa período de ajuste de estoques e demanda após ciclos de alta intensa. Na empregabilidade, é crucial interpretar o recuo pontual de dezembro sob a ótica da sazonalidade. O dado estrutural mais relevante é o incremento na média anual, sinalizando que a indústria não apenas produziu mais, mas converteu esse ganho em geração real de renda e postos de trabalho”, afiançou.

Para o dirigente, os Indicadores de 2025 estabelecem “base sólida” e “expectativas moderadamente otimistas” para 2026. “A continuidade desse ciclo virtuoso dependerá da estabilidade de variáveis macroeconômicas, como câmbio e juros, essenciais para a competitividade dos insumos e do produto final. Contudo, os dados divulgados pela Suframa evidenciam que o Polo possui estrutura para absorver choques externos e deve manter seu papel estratégico na atração de investimentos e no desenvolvimento tecnológico, sustentando sua trajetória de crescimento no médio prazo”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
Fonte: JCAM

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